1º O Que Você Vai Ler Aqui. 2º O Que Você Não Encontra Aqui

Por: J. C. Camargo.

Esporte e Educação - n.10 - 1970

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Neste número, o leitor vai vêr muito de Brasília. Muito de Capital Federal, encrustrada no planalto. Por diversos motivos: o primeiro é que tínhamos a entregar, lá, um memorial do Presidente da República e cópia ao Ministro Passarinho; o segundo, porque íamos vêr Pele receber a Medalha Santos Dumont; o terceiro foi o desenvolvimento dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs).

Depois da estafante viagem, resta-nos a esperança de que possamos, num futuro próximo, colher os frutos. Afinal, Presidente e Ministro estão abertos ao problema do esporte e da Educação Física. Há uma euforia geral nos altos escalões, coisa nunca sentida neste Brasil. Veja que Mediei foi ao encontro dos universitários, na pista de atletismo! Dispensou microfone e protocolo para falhar-lhes a viva voz e abraçar um deles! (Nossa capa). É inédito o fato no País, pelo menos no meu registro, nestes últimos 20 anos. Antes disso, pode ser, mas a história não contou.

Ao lado de estar cheio de Brasília, este número de Esporte e Educação leva muito mais coisas de interesse, mas, acima de tudo, carrega a mensagem de futuro que, outrora longínquo, vai-se tornando esperança do presente, em ritmo acelerado.

Uma notícia que você não vai encontrar aqui, dizia sobre eleições na Associação dos Professores de Educação Física de São Paulo.

Outrora, aquilo que passava sem interesse, para a classe, é motivo de efervescência. Isto é bom sinal, e característica de vigor, de pujança, de projeção. Há quatro ou seis anos, elegia-se aquele que o "todo poderoso" indicasse: "É apenas para atender aos estatutos. Vá lá votar", diziam. Hoje, é diferente. É tão grande o interesse que, com quatro meses de antecedência, já se fala, já se articula, já se discute o problema.

Aquilo, que há quatro ou seis anos representava 60 ou 80 votes, hoje transforma-se em perto de milhar. É um verdadeiro contingente eleitoral, que foge ao controle de um chefe, de um dono da verdade ou de um "salvador da Pátria", no caso um "salvador da APEF". Os tempos mudaram e os que ainda pensam em influências de líderes carismáticos, de ascensão aos ex-alunos ou de subordinação funcional, para impingir candidatos, estão defasados.

Os professores de hoje, sintonizados com a evolução, não mais aceitam imposições tramadas com interesses inconfessáveis. São muitas as escolas que os formam, são muitas as fontes de conhecimento, são grandes os canai de comunicação e os vínculos subordinativos que algemaram suas vontades foram rompidos. Vivemos em outra época, graças a Deus.

Porisso, vemos como um revigoramento crescente da classe, o interesse por sucessão nos quadros da APEF. É prova de maturidade, pensamento próprio e independência de atitudes.

J. C. CAMARGO

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