A Análise de Luiz Felipe Scolari Após Brasil 1 X 7 Alemanha: Desculpa de Perdedor ou Ponto Fora da Curva?

Por: Anderson Rodrigo da Silva, Cezimar Correia Borges e Paulo José Carneiro Perfeito.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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Resumo

INTRODUÇÃO 
Algumas horas após a partida Brasil 1 x 7 Alemanha na Copa do Mundo de Futebol FIFA 2014, uma conversa informal do técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari foi divulgada e nela o técnico considerava o resultado de 7 x 1 uma fatalidade, um acontecimento fora dos padrões do futebol, afirmando, conforme descrevem Alves e Cobos (2014): “nunca mais, nem daqui a mil anos, cara. Eles foram sete vezes no primeiro tempo e fizeram cinco gols...”. Tal afirmação foi entendida como uma desculpa para o desempenho pífio da equipe brasileira, o que aumentou, ainda mais, a revolta da crítica esportiva e dos torcedores brasileiros.
Mas, afinal, o técnico Luiz Felipe Scolari tinha razão em sua afirmação? Os eventos ocorridos no jogo podem ser considerados pontos fora da curva? Ou a afirmação do técnico da equipe brasileira não passou de desculpa de perdedor? Diante dessa problemática, o objetivo desse trabalho foi investigar se os eventos determinantes da vitória da equipe alemã foram estatisticamente diferente dos valores de referência observados em pesquisas de relevância mundial.
OBJETIVO
Analisar a Taxa de Conversão de Finalizações em Gol (TCFG) da equipe alemã comparando-a com os valores de referência.
METODOLOGIA
A partida completa Brasil 1 x 7 Alemanha foi analisada e foram registradas 32 finalizações em gols de ambas as equipes. 
A análise da partida foi subdividida em três períodos: (PA1) a partida completa (de 0 a 90 minutos); (PA2) O primeiro tempo da partida (de 0 a 45 minutos); (PA3) o período em que a seleção alemã marcou quatro gols em menos de sete minutos (de 22º ao 29º minuto de jogo). 
Realizou-se a primeira análise do vídeo e após trinta dias realizou-se a segunda, e não foi observada diferença entre os dados encontrados.
Para comparar os dados da Taxa de Conversão de Finalizações em Gol (TCFG) da equipe alemã com os valores de referência, usou-se o teste estatístico binomial e adotou-se o nível de significância de α ≤ 0.05. O programa estatístico utilizado foi o “R” versão 3.3.1.

ANÁLISE E DISCUSSÃO
Considerando a variável analisada nesse estudo, Taxa de Conversão de Finalização em Gol (TCFG), as pesquisas de Reep e Benjamin (1968) e Hughes e Franks (2005) mostraram que aproximadamente 9 finalizações resultam em 1 gol para sequência de passes curtos (≤ 4 passes certos) e 15 finalizações resultam em 1 gol para sequência de passes longos (≥ 5 passes certos).
Comparando os valores de referência da sequência de passes curtos (1 gol a cada 9 finalizações) com os dados da partida analisada, observou-se que a Taxa de Conversão de Finalização em Gol (TCFG) da equipe alemã foi estatisticamente superior nos três períodos analisados. Observou-se que para o Período de Análise 1 (PA1), a equipe alemã fez 5 gols em 9 finalizações. Já para o PA2, os alemães fizeram 4 gols em 7 finalizações, enquanto que para o PA3 fizeram 3 gols em 3 finalizações.
Ao comparar os valores de referência da sequência de passes longos (1 gol a cada 15 finalizações) com os dados da partida analisada, a Taxa de Conversão de Finalização em Gol (TCFG) da equipe alemã foi estatisticamente superior no período de análise 1, onde a equipe alemã fez 2 gols em 5 finalizações, e no PA3, onde os alemães fizeram um gol em uma finalização. 
Independentemente do tamanho da sequência de passes, seja de passes curtos ou de passes longos, em cinco períodos analisados do estudo de um total de seis, a equipe alemã apresentou TCFG superior aos valores de referências.
CONCLUSÃO
Conclui-se que, de fato, a Taxa de Conversão de Finalização em Gol da equipe alemã foi um evento considerado ponto fora da curva quando comparada aos valores de referência do futebol e, desse modo, foi determinante para o resultado da partida. Assim, pode-se concluir que a afirmação do técnico Luiz Felipe Scolari não se tratava de desculpa de perdedor, mas de uma análise lúcida dos elementos críticos da goleada alemã.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, M.; COBOS, P. Áudio vaza com Felipão dizendo que o Brasil poderia ter diminuído para 5 a 4 contra a Alemanha. ESPN, Brasília, 11 jul. 2014. Disponível em: . Acesso em: 10 jun. 2015.
HUGHES, M.; FRANKS, I. Analysis of passing sequences, shots and goals in soccer. Journal of Sports Sciences,v. 5, n. 23, 2005.
REEP, C.; BENJAMIN, B. Skill and chance in Association Football. J. Royal Soc. Statistic.,v. 1, n. 131, 1968.

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