Resumo

Na Ginástica Rítmica, a relação desporto/estética é muito presente, objetivando, ao
mesmo tempo, a busca do belo e a perfeição técnica da execução de movimentos
com o corpo e o aparelho. No entanto, a grande maioria dos estudos existentes
destina-se quase que exclusivamente à dimensão desportiva da modalidade, ficando
o lado artístico pouco explorado. Considerando que o julgamento na Ginástica
Rítmica é composto por três partes, o estudo procurou analisar coreografias em
relação ao valor artístico, o componente mais subjetivo da nota total, na tentativa de
estabelecer critérios mais palpáveis para o julgamento. O estudo foi descritivo, em
que foram analisados quatro exercícios de conjunto de Ginástica Rítmica, referentes
a duas equipes finalistas - Rússia e Brasil (primeiro e último lugar respectivamente)
das Olimpíadas de Atenas (2004). Os instrumentos de pesquisa envolveram as
imagens da competição, transmitidas ao vivo pela televisão. Os conjuntos observados
foram analisados sob o ponto de vista da composição de base do valor artístico, de
acordo com o Código de Pontuação da modalidade. As variáveis: relação e
colaboração entre as ginastas, formações e variedade, foram analisadas. Cinco tabelas
e doze gráficos fizeram parte dos resultados. Na primeira variável, ficou evidente a
utilização da grande maioria dos movimentos de forma sincronizada, nas duas
apresentações de cada país. Na variável das formações, os dois países utilizaram-se
mais de formações complexas em um dos exercícios; no outro, o conjunto russo
apresentou mais formações simples, ao contrário do Brasil; na última variável, ambos
os países variaram pouco as direções, trajetórias e modalidades de deslocamento. O
estudo permitiu concluir que os critérios da composição de base analisados nas duas
equipes não foram determinantes da nota final do valor artístico, pois não
evidenciaram muitas diferenças entre os dois países; além disso, algumas exigências
do código de pontuação são difíceis de serem cumpridas, uma vez que coloca certas
prerrogativas que na prática não conseguem ser seguidas, devido a outras que acabam
sendo priorizadas na composição; e ainda, foi percebida a importância de analisar
aspectos não quantificáveis do valor artístico, pois permite tirar conclusões mais
palpáveis acerca da coreografia, aspecto em sua essência subjetivo.

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