A Corporeidade no Ciberespaço : Estilo de Vida, Dor, Sacrifício e Feminilidades das Mulheres na Cultura do Músculo

Por: Valleria Araujo de Oliveira.

2018 00/00/0000

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Resumo

Evidencia-se na contemporaneidade a utilização das redes sociais para veiculação de imagens que expressam práticas cotidianas e estilos de vida por meio da exposição de diferentes corpos. Nesse contexto, há também espaço para a mostração / demonstração de corpos musculosos e bem delineados tanto de homens e como de mulheres. Considerando, sobretudo, os corpos femininos, o presente estudo visa compreender a corporeidade de mulheres da cultura do músculo por meio da relação sentido-significado expressa em seus perfis no Instagram, que engendram a ressignificação de seus cotidianos e estilos de vida, bem como conformam outros padrões de feminilidade. Para tanto, compreende-se que as redes sociais constituem um espaço de agenciamento de outras formas de sociabilidades, distinguindo-se por disseminar outros padrões de corpo e forjando outras representações acerca de estilos de vida, do ideal de corpo e beleza na sociedade, especificamente na brasileira. A pesquisa foi caracterizada como uma etnografia online, pautando-se nesse delineamento consoante a antropologia visual. Desse modo, o nosso campo se conformou pelo Instagram e os sujeitos participantes da pesquisa (perfis observados) foi constituído por mulheres, jovens, praticantes de práticas corporais caracterizadas como fisiculturismo, triatlo e crossfit da cidade de Goiânia/Centro-Oeste do Brasil. Em razão de limites temporais, bem como do universo de mulheres praticantes na cidade de Goiânia, decidimos por acompanhar, cotidianamente, dez mulheres por meio de seus perfis naquela rede social. As informações que foram foco da interpretação consistiram em vídeos, imagens, fotografias e narrativas publicados através de postagens e que faziam parte da rotina das mulheres selecionadas. Como aporte teórico, contou-se com autores(as) de referência para compreender a temática apresentada na tese, assim como para interpretar as informações obtidas, foram eles (as): Le Breton (2003, 2012, 2013), Stuart Hall (2011), Kathryn Woodward (2000), Erving Goffman (1985), Silvana Goellner (1999,2004), dentre outros(as). O principal resultado alcançado é que os espaços online são frutos da construção social nos espaços off-line, os quais reforçam e reproduzem padrões e normativas do socialmente aceito, porém há espaços para transgressões. Assim, a análise evidenciou os sentidos atribuídos pelas mulheres em suas postagens à construção corporal como um processo pessoal, isto é, de natureza individual, demarcada pelo esforço, mas que atende, ao tempo em que se conforma e é conformado por estilos de vida que lhe são próprios. Para a construção de suas corporeidades, as mulheres determinam os objetivos a serem alcançados, com intencionalidade, com base em uma ação racional com relação a um fim, e para isso a dor e o sacrifício são aspectos evidenciados e presentes para o próprio reconhecimento social. Por fim, ao adotarem esse outro estilo de vida e outro padrão corporal, essas mulheres podem estar contribuindo para reesignificar o sentido de “feminilidade” por meio de suas práticas corporais no contexto da cultura do músculo veiculada em redes sociais.

Endereço: http://repositorio.unb.br/handle/10482/33108

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