A Criança e a Independência de Mobilidade no Meio Urbano: o Pensamento dos Pais

Por: Carlos Neto e Zenite Machado.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

A crescente urbanização tem provocado mudanças na vida dos habitantes das cidades,
notadamente a redução da independência de mobilidade de crianças. Este fato afeta
as oportunidades de engajamento em atividades lúdicas e de lazer. Assim, procurouse verificar qual a opinião dos pais de crianças de 10 e 12 anos em relação à
independeência de mobilidade concedida aos filhos. Participaram do estudo pais de
183 crianças com 10 (33 masc. e 75 fem.) e 12 anos de idade (26 masc. e 49 fem.)
residentes em Florianópolis, SC. Esta pesquisa enquadra-se num estudo mais vasto
sobre a identificação das rotinas de vida, independência de mobilidade e percepção
do espaço físico, utilizando vários instrumentos adaptados de estudos de referência
(questionário, entrevista, desenho e diários). Os dados a partir de um questionário
dirigido aos pais foram analisados através de parâmetros da estatística descritiva. Os
maiores percentuais dos meios de transporte usados no percurso casa/escola foram:
transporte coletivo (38,9), trajeto a pé (27,9) e automóvel da família (17,5). Neste
trajeto costumam estar: acompanhados de outras crianças (40,1%), sozinhos (30,0%)
e com os pais (29,5%). A autonomia nos demais indicadores foi: atravessar as ruas
(67,8), ir a farmácia e similares (49,2), andar de bicicleta e similares (23,5), ir a praças
ou parques (14,8), e ficar na rua após o anoitecer (11,48). Os limites geográficos
tanto sozinhos e com amigos costumam ser os limites do quarteirão e do bairro.
Para os pais, 52% das crianças gostariam de ter mais liberdade, embora 93,9% delas
respeitam os limites. O lugar onde a criança quer ir, ao ser comparado com a distância
deste local à residência e o tempo que pretendem ficar fora, é o fator mais importante
para a poderem sair. Os principais medos dos pais foram, em ordem decrescente:
violência, atropelamentos, idade da criança, tráfico de drogas e más influências dos
amigos. No somatório dos indicadores de mobilidade, os índices apontam maior
independência para meninas com 12 anos, meninos com 12 anos, meninas com 10
anos e meninos com 10 anos, mobilidade julgada pelos pais como de amplitude
média (48,2%) a pequena e muito pequena (42,7%), sendo a idade fator mais
importante que o gênero. Conclui-se qua as crianças apresentam uma independência
de mobilidade razoável, abaixo dos ideais do norte europeu, mas superior aos baixos
índices encontrados em Portugal.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/66_Anais_p303.pdf

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