A Educação Física, Pandemia do Covid-19 e a Educação a Distância

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Blog do CEV - 2020

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Fui desafiada a escrever algumas linhas sobre a Educação Física no contexto da pandemia da Covid -19 e da educação a distância (EAD). 

Para isso, considero importante iniciar essa conversa pontuando que o interesse acadêmico em investigar as relações entre a Educação Física e a Mídia (e, mais recentemente, as tecnologias digitais de informação e comunicação - TDIC), surgiu a partir do reconhecimento de que esses dispositivos e seus discursos têm influenciado nos conceitos, concepções e práticas a respeito de esporte, corpo, lazer/tempo livre e movimento, e que tais transformações vêm repercutindo de modo especial na Educação Física, campo do conhecimento destinado a tratar científica e pedagogicamente da cultura de movimento/esportiva.

Nos últimos anos, novos temas de estudo têm despontado na produção científica dos pesquisadores da área, como, por exemplo, as reflexões sobre as possibilidades pedagógicas e os limites da Mídia/TDIC na EF escolar e na formação (inicial e continuada) de professores.

Com base nisso e na minha experiência como pesquisadora, defende-se que a integração das tecnologias/mídia à educação e, por consequência, a Educação Física vai muito além da simples utilização de ferramentas tecnológicas.

Trata-se de um processo complexo que requer, entre tantos aspectos, de políticas públicas educacionais, que garantam o acesso (em quantidade e qualidade) às ferramentas tecnológicas tanto aos docentes quanto aos estudantes dentro e fora da escola; infraestrutura adequada, suporte técnico e manutenção permanente de equipamentos e rede para o uso pedagógico das tecnologias nas instituições educacionais; currículos escolares que dialoguem criticamente com os elementos da cultura digital; formação inicial e continuada de professores na perspectiva das TDIC, mas que não se detenha apenas na preparação técnica desses profissionais, etc.

De acordo com isso e refletindo sobre as experiências recentes com atividades remotas (ou “EAD de ocasião”), acredita-se que um dos possíveis resultados negativos disso é justamente estigmatizar o que entendemos ser uma excelente possibilidade de pensar e praticar a integração das tecnologias aos processos educacionais escolares. Além disso, no caso da Educação Física escolar, onde ainda são poucas as experiências pedagógicas com as TDIC, corre-se o risco de que a partir de “aulas” online baseadas na perspectiva do corpo biológico e do exercício físico, a disciplina volte a ser entendida como mera atividade compensatória do esforço intelectual do estudante ou como passatempo.

Enfim, o momento atual nos mostra mais do que nunca a necessidade e a urgência de (re)pensar a Educação Física no âmbito da cultura digital.

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