A Escala de Humor de Brunel (brums) na Detecção de Estados Alterados de Humor em Atletas e Não Atletas Brasileiros

Por: Izabel Cristina Provenza de Miranda Rohlfs.

58 Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

No Brasil é incomum a utilização de instrumentos da psicologia destinados a avaliar o estado de humor e a disposição de atletas e participantes de programas de exercício físico visando a promoção da saúde. A Escala de Humor de Brunel, BRUMS, foi validada em 2003 por Peter Terry e seus colaboradores em atletas e não atletas adolescentes e adultos e foi considerado um instrumento apropriado para avaliação de perfis do humor. Sua brevidade facilita a coleta de dados em diversos tipos de ambientes. A utilização deste instrumento contribui na organização e planificação de cargas de treinamento e no controle do estresse em indivíduos participantes de programas de exercícios físicos. O BRUMS contém 24 indicadores simples de humor, que compõem os fatores tensão, depressão, raiva, vigor, fadiga e confusão mental. Com a devida autorização dos autores, a escala está sendo validada no Brasil, já tendo sido submetida ao método tradução-tradução reversa, com a finalidade de obtenção de um instrumento equivalente ao original, mas adaptado à nossa cultura. O objetivo desse trabalho é apresentar o estudo piloto que visa verificar a confiabilidade e a consistência interna da escala em seu processo de validação em atletas e não atletas brasileiros, adolescentes e adultos, em situações normais e de tensão.


 METODOLOGIA:

Para a verificação da validade da escala para captar variações nos estados de humor, 32 sujeitos, adolescentes e adultos, foram testados com o BRUMS antes e depois das seguintes situações: treino leve (8 atletas), jogos de campeonato (8 atletas), aula normal (8 estudantes), avaliação (8 estudantes). Todos os grupos tinham 50% de homens e 50% de mulheres. A idade média da amostra foi de 21,8 anos (DP 8,8), sendo que 8 eram atletas adolescentes, 8 atletas adultos, 8 estudantes adolescentes e 8 estudantes adultos. Os dados foram tratados com estatística descritiva (média, desvio padrão e análise da distribuição) e não apresentaram uma distribuição normal. Assim, os estados de humor antes e depois das situações foram comparados utilizando-se o teste de Wilcoxon (dados não paramétricos). O nível de significância adotado foi de p<0,05. A consistência interna do BRUMS foi verificada utilizando o coeficiente Alfa de Chronbach, para cada estado de humor individualmente.


 RESULTADOS:

Nas situações de jogo ou avaliação em aula foram verificadas diferenças significativas nos estados de humor tensão (p=0,049), depressão (p=0,031), raiva (p=0,032), vigor (p=0,000) e fadiga (p=0,000). Em relação à confusão mental não houve alteração significativa (p=0,34). Nas situações aula e treino os estados de humor não se alteraram significativamente. Isto demonstra a sensibilidade do BRUMS para detectar alterações de humor. Ao analisar os coeficientes de confiabilidade do instrumento para cada estado de humor, foram encontrados índices de confiabilidade altos para os estados de humor tensão (r=0,88), depressão (r=0,81), raiva (r=0,82), vigor (r=0,81), fadiga (r=0,83) e confusão mental (r=0,81).

CONCLUSÕES:

Os resultados do estudo piloto sugerem que o BRUMS é um instrumento sensível para a detecção de alterações nos estados de humor decorrentes de diferentes situações. O fato de situações de tensão terem provocado alterações significativas nos estados de humor e situações normais, do dia a dia, não os terem alterado, indica que o instrumento é sensível às diferentes situações. Os coeficientes encontrados indicam que o instrumento apresenta boa consistência interna para todos os estados de humor, podendo ser considerado confiável para o fim ao qual é proposto.

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