A Escalada na Escola

Por: Bruna Nascimento Silva Lombardo.

IX EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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1. Introdução

Este trabalho surgiu da iniciativa do GEPE, Grupo de Estudos em Projetos de Extensão da EEFD - UFRJ, na busca de material que sustentasse nossas práticas nos projetos da Coordenação de Extensão. Esta pesquisa nos mostrou uma lacuna na formação do profissional de Educação Física que não é capacitado, não só para trabalhar com escalada, assim como todos os esportes radicais, que são uma área em franca expansão no Brasil. Como já adquirimos certo conhecimento da área resolvemos escrever sobre os benefícios que a escalada pode proporcionar a escola.

Os muros artificiais são fontes inesgotáveis de recursos pedagógicos para a escola. Eles proporcionam as crianças e adolescentes uma vivência que transcende os domínios corporais e envolvem as relações inter e intrapessoais bem como, o conceito de superação, autoconfiança, concentração, etc. O espaço da escalada também favorece as relações transdisciplinares no que diz respeito à ligação direta com as disciplinas curriculares.

Falaremos neste trabalho sobre o histórico da escalada, nos muros artificiais e nas escolas, sobre as relações da escalada com o ambiente escolar e sobre os benefícios da escalada na formação cidadã.

2. Desenvolvimento


2.1 Histórico da escalada "indoor"

A partir da década de 70, inicialmente na França, começou-se a escalar em Ambientes fechados, como uma opção para os dias de muito frio ou de chuva, que impossibilitava a escalada nas pedras. Com o tempo, este esporte veio alterando suas características e seus objetivos atuais englobam as mais diferentes faces da escalada, desde o treinamento, para competições de escalada "indoor", passando pelo treino de novos escaladores em um ambiente mais controlado ou até mesmo para sessões recreativa de pessoas interessadas. Neste breve histórico podemos comprovar a gama de possibilidades que os muros podem proporcionar, principalmente em termos de segurança, condição primordial para a escalada.

2.2 Histórico da escalada na escola

E meados dos anos 90 algumas iniciativas pioneiras de escolas particulares do Rio de Janeiro e São Paulo abriram esta porta para a escalada no Brasil. Foram criados muros para a aprendizagem da escalada nesses colégios e alguns professores de Educação Física que também escalavam ou tinham conhecimento na área começaram a usar a escalada como um dos conteúdos de suas aulas e a criaram atividades recreativas e de iniciação desportiva para as crianças e os adolescentes.

Na época, esta novidade trouxe diversas suspeitas com relação a segurança dos alunos, visto que era uma atividade até então nunca implantada dentro do ambiente escolar e por todas as características específicas da modalidade que realmente geram um pouco de medo, natural, naqueles que não conhecem. A principal preocupação foi em relação à visão que os pais teriam dessa proposta e os riscos que essa atividade poderia trazer caso fosse utilizada de maneira equivocada.

Hoje, dez anos depois das primeiras iniciativas, podemos afirmar que a escalada nas escolas, tal como acontece na França, EUA e outros países é um componente curricular riquíssimo e tende a crescer muito, gerando modificações na própria cultura da escalada no Brasil.

2.3 A escalada e a educação física escolar

Um professor de Educação Física se perguntaria no momento: O que faz da escalada algo especial na aprendizagem e na formação do indivíduo?

É cedo para afirmar algo mais concreto visto que as pesquisas nesta área de conhecimento ainda estão começando, mas algumas evidências da prática no ensino da escalada nas escolas que trabalhamos mostram que do ponto de vista físico-motor há um fortalecimento muscular, articular e ósseo, principalmente de membros superiores e tronco. A Coordenação também é bastante beneficiada com um maior conhecimento corporal, noção de limite dos movimentos, lateralidade e principalmente equilíbrio.

Cognitivamente a escalada ajuda na organização pessoal, elaboração de estratégia e tomada de decisão mais rápida e eficiente. No campo do desenvolvimento psico-social o aluno se torna mais concentrado, confiante, corajoso, além de aprender a respeitar o parceiro de escalada criando um vínculo que o torna responsável pela vida do outro, fortalecendo as relações inter e intrapessoais.

Mas a escalada na Escola não deve se limitar apenas aos muros como até agora foi falado e trabalhado pelos professores. Os muros devem apenas ser um dos recursos utilizados pelo professor pela segurança e facilidade para a prática cotidiana das aulas onde o professor irá lançar os conceitos básicos da modalidade. É importante se estabelecer, desde o primeiro momento, as relações transdisciplinares que a escalada oferece para que os alunos entendam que a prática esportiva pode (e deve) ser aliada das demais disciplinas. Conteúdos como impacto ao meio ambiente, técnicas verticais, planejamento, geografia, história, geologia, física e muitos outros podem ser aprendidos in loco tornando a aula cada vez mais próxima à realidade desses alunos.

Desenvolvimento motor e a escalada

O desenvolvimento motor é uma contínua alteração no comportamento ao longo da vida que acontece por meio das necessidades de tarefa, da biologia do indivíduo e o ambiente em que vive. Ele é viabilizado tanto pelo processo evolutivo biológico quanto pelo social.

Desta forma, considera-se que uma evolução neural proporciona uma evolução ou integração sensório-motora que acontece por meio do sistema nervoso central (SNC) em operações cada vez mais complexas (Fonseca, 1988).

Em cada idade o movimento toma características significativas e a aquisição ou aparição de determinados comportamentos motores tem repercussões importantes no desenvolvimento da criança. Cada aquisição influencia na anterior, tanto no domínio mental como no motor, através da experiência e troca com o meio (Fonseca, 1988).

Na escalada, as possibilidade de trabalhar os aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores são evidentes, pois além do espaço totalmente favorável se estabelece entre os alunos uma série de relações que desenvolvem uma área chamada Inteligência Intrapessoal (Gardner,1999).

3. Conclusão

O GEPE neste trabalho visou trazer a tona alguns dos questionamentos que a maioria dos escaladores se fazem. Por que a escalada ainda não conseguiu um espaço significativo na escola mesmo com os inúmeros benefícios que ela proporciona?

Apesar dos estudos serem muito recentes sobre o assunto já podemos dizer que a tendência não só da Educação Física , mas de todas as disciplinas escolares é buscar cada vez mais recursos que favoreçam as relações transdisciplinares e neste sentido a Escalada com certeza têm o seu espaço reservado.

Obs: Os autores, Bruna Nascimento Silva Lombardo (bulombardo@ig.com.br), Fabio Gandra (gandratrip@yahoo.com.br) e Rafael Costa (rafaelsardi@oul.com.br ) são licenciandos em Educação Física - UFRJ

4. Referências

  • De Mello, Moraes Alexandre; "Psicomotricidade, Educação Física, Jogos Infantis". 4a Edição; São Paulo; IBRASA, 2002.
  • Daniels, Harry; "Vygotsky e a Pedagogia"; Traduzido por Milton Camargo Mota. 1a Edição; São Paulo; Edições Loyola, 2003.
  • Antunes, Celso. "As Inteligências Múltiplas e seus estímulos". 9o Edição. São Paulo. Papirus, 1998.
  • Coletivo de Autores. "Metodologia de Ensino de Educação Física". 3o Edição. São Paulo, 1992.
  • Long, John. "Escalar em rocódromos". 1o Edición Desnivel en castellano: octubre 1995; Traducción: Isabel Galera. España, 1995.

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