A Implantação de Ciclofaixas e o Padrão de Uso de Bicicleta em Curitiba, PR

Por: Marilson Kienteka.

203 páginas. 2017 31/07/2017

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Resumo

A disponibilidade de locais públicos para a prática de atividades físicas é uma promissora forma de intervenção na comunidade. No entanto, poucos estudos têm avaliado o efeito deste tipo de intervenção, principalmente utilizando delineamentos de estudos que avaliem a relação de causa e efeito. A instalação de ciclofaixas na cidade de Curitiba-PR surge como uma oportunidade para realização de um experimento natural que pode responder algumas questões importantes. Objetivo: Desta forma, o principal objetivo deste estudo foi verificar o efeito da implantação de ciclofaixas em vias urbanas no padrão de uso de bicicleta em Curitiba- PR; tendo como objetivos específicos: a) analisar os efeitos da implantação de ciclofaixas no fluxo de veículos motorizados e no fluxo de bicicletas; b) identificar os efeitos da implantação de ciclofaixas no uso de bicicleta em relação ao sexo, faixa etária e companhia para pedalar; c) verificar os efeitos da implantação de ciclofaixas no uso de bicicletas de acordo com o sentido em relação ao trânsito e o uso de capacete; e também, d) comparar o efeito da implantação de ciclofaixas no padrão de uso de acordo com o lugar da observação da bicicleta. Métodos: Para este estudo, foram analisadas filmagens de sete dias representando uma semana típica (segunda-feira a domingo), durante 12 horas de luz natural (07h00 às19h00), em três diferentes locais da cidade e em cinco diferentes períodos ao longo de um ano. Para a escolha dos locais foram consideradas a posição estratégica do monitoramento do trânsito pelo gestor do transporte público e a disponibilidade destas informações para o estudo. Dois destes locais apresentavam planejamento de implantação da ciclofaixas (experimentos) e um local sem nenhuma alterações no período do estudo (controle). Os dados foram coletados e tabulados em duas etapas. A primeira foi a linha de base, que antecedeu as implantação das ciclofaixas, e a segunda etapa foi o acompanhamento divididos em quatro fases pós ciclofaixas, sendo três fases com intervalo de 45 dias entre as filmagens e a última após um ano. As observações foram realizadas através de um protocolo previamente testado e validado para o estudo. Resultados: Ao total, obteve-se informações de 1260 horas de observações de bicicletas nos três locais e nas cinco fases do estudo resultando no registro das informações de 63.541 bicicletas, e também, obteve-se informações de 840 horas de observações do fluxo de trânsito, que resultou na contabilização de 535.400 veículos. Os resultados mostraram que as instalações de ciclofaixas em conjunto com via calma produziram aumentos nas observações de bicicletas (22,2%), mesmo quando as ciclofaixas não estavam segregadas dos veículos motorizados. No local onde não foi possível reduzir a velocidade dos veículos, decorrente das características do eixo viário da região, as instalações de ciclofaixas segregadas do trânsito, obtiveram aumentos similares nas observações de bicicletas (23,6%) aos verificados no experimento com a via calma. Estes resultados foram específicos para os locais dos experimentos, pois quando comparados ao local de controle, não foram encontradas interações significativas para o fluxo de bicicletas em ambos os experimentos (experimento 1 - F: 2,3; p=0,057 e experimento 2 - F: 0,95; p=0,433), sendo constatado apenas interação significativa no fluxo de veículos motorizados para o experimento 1 (F: 3,2; p=0,012). Na verificação dos efeitos das ciclofaixas nas características individuais, os resultados mostraram que a implantação de ciclofaixas atenderam aos grupos preexistentes, os homens (91,5%), adultos (93,6%) e aqueles que pedalavam sozinhos (87,2%), pouco favorecendo aos elementos mais vulneráveis do trânsito, como as mulheres, crianças e idosos. Para medir os efeito mais sensíveis de mudanças nos aspectos individuais, possivelmente sejam necessários períodos maiores de tempo de investigação. Por outro lado, a implantação de ciclofaixas, contribuiu para a regulação do uso de bicicleta quanto ao sentido do trânsito, bem como influenciou no uso de capacete de acordo com o tipo de ciclofaixa instalada. Este estudo também mostrou que as implantações de ciclofaixas ao longo dos corredores de ônibus em Curitiba, apresentaram elevada efetividade de adesão tanto no experimento 1 (83,6%) quanto no experimento 2 (73,3%), que além de regular o padrão de uso de bicicleta, produziram efeitos protetores reduzindo o conflito das bicicletas com os veículos motorizados, ônibus e pedestres.

Endereço: http://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/52999

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