A Iniciação e Formação Desportiva e o Desenvolvimento Psicológico de Crianças e Jovens

Por: Rui Gomes.

Psicologia do Esporte - da Escola a Competição.

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Resumo

A integração de crianças e jovens em contextos desportivos organizados e o tipo de experiências que lhes são proporcionadas em termos formativos, representam um tema de interesse por parte das ciências do desporto, procurando-se observar a forma como o desporto é estruturado e o impacto produzido na percepção de competência pessoal e atlética dos praticantes. Em termos gerais, aquilo que é reconhecido e assumido como desejável pelos diversos agentes desportivos (ex.: treinadores, professores, dirigentes, pais, etc.) é que os mais novos possam avaliar as actividades como algo de benéfico e positivo, tendo a oportunidade de competir (e não apenas de ver os outros a jogar); de lutar para alcançar os seus objectivos (e não apenas tentar atingir as metas formuladas pelos adultos); e, naturalmente, divertir-se e experienciar emoções positivas (e não apenas fazer com que terceiros se sintam bem) (Martens, 1996; Martens, Christina, Harvey, & Sharkey, 1981; Orlick & Zitzelsberger, 1996). Do ponto de vista prático, estes objectivos implicam identificar os princípios base e as “metas” a atingir na orientação e definição dos programas desportivos, tendo sempre como guia principal o pressuposto de que esta actividade deve representar uma experiência agradável e saudável, promovendo-se o desenvolvimento e crescimento dos jovens, não só enquanto atletas mas também como pessoas (GOMES, 1997).
No entanto, a realidade existente na formação desportiva leva-nos a considerar um vasto conjunto de situações e problemas que afectam esta perspectiva “centrada no bem-estar da criança”, sobrevalorizando-se uma filosofia antagónica vulgarmente conhecida como “ganhar não é o mais importante, é a única coisa que interessa!”. A título de exemplo, todos conhecemos atletas que não suportam a pressão exercida pelos treinadores, que insistem frequentemente em práticas de treino extremamente exigentes e claramente orientadas para a preparação das várias competições a realizar, bem como praticantes que se queixam do facto dos responsáveis se descontrolarem e punirem de forma abusiva os falhanços e erros cometidos nas provas. Por vezes, este tipo de práticas negativas são justificadas pelos técnicos devido às atitudes dos dirigentes, que lhes “acenam”, no início da época desportiva, com projectos de trabalho “diferentes e inovadores” garantindo que no clube interessa fundamentalmente “trabalhar na formação de jovens atletas para serem melhores pessoas e, se possível, futuros profissionais do clube” mas que, com o decorrer das provas e a eventual falta de resultados desportivos, os pressionam (directa ou indirectamente) levando-os a ceder na tentação de alcançar o mais rapidamente possível o sucesso desportivo.

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