A Inserção das Mulheres na Gestão do Esporte Brasileiro: Desafios e Perspectivas

Por: Euza Maria de Paiva Gomes e Ludmila Mourã.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo


Este estudo procura compreender como as mulheres transitam pelas instituições
gestoras do esporte brasileiro, articulando saberes e ascendendo nas relações
de poder entre os gêneros. Busca-se analisar e interpretar a inserção e
permanência de mulheres nos cargos de comando, bem como revelar os desafios
e barreiras que elas enfrentam para ocupar e se manter na carreira. A
fundamentação teórica nos permitiu trabalhar a partir de temas com o do
imaginário sobre a participação feminina no espaço público e privado, da
construção da identidade feminina no campo da política e da mulher executiva
no mercado de trabalho. Utilizamos o referencial de autores que discutem as
estruturas de exclusão, poder e sua reprodução através de perspectivas
simbólicas, BOURDIEU (1989), FOUCAULT (1979),ELIAS e SCOTSON (2000) e CHAUÍ
(2004). Para a coleta de dados, optou-se inicialmente pela realização de um
levantamento de dados no Ministério dos Esportes (ME), Comitê Olímpico
Brasileiro (COB) e suas entidades esportivas, com a intenção de mapear a
participação feminina na gestão do esporte brasileiro. Utilizou-se também de
entrevistas com onze gestoras que ocupam cargos na administração do esporte
de alto rendimento, considerado de hegemonia masculina. O levantamento
realizado demonstrou que, a participação das mulheres na liderança dos
principais órgãos da gestão esportiva brasileira, representa 7,5% dos cargos
previstos, com 61 cargos ocupados pelas mulheres dos 813 cargos mapeados
em todos os órgãos. A análise do discurso das mulheres revelou uma das
hipóteses da pesquisa acerca do poder limitado das mulheres, que fazem opções
objetivas na carreira para buscar equilíbrio entre a administração doméstica e a
vida profissional. O perfil deste grupo de mulheres revela que sua inserção no
campo da gestão do esporte de alto rendimento ocorre através de convites,
apadrinhamentos e nomeação. A permanência e variabilidade nos diversos
cargos que ocupam demonstra que estão prontas para liderar junto com os
homens o esporte no País; são profissionais experientes, autônomas e
conhecedoras de toda burocracia do trabalho. A ascensão dependerá do
reconhecimento social do trabalho das mulheres e seu engajamento na
modernização das normas gerontocráticas das entidades esportivas que barram
a entrada dos novos ao grupo dos estabelecidos, independente do sexo

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/73_Anais_p387.pdf

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