A Leitura, a Escrita e a Interação Discursiva de Sujeitos Surdos: Estigma, Preconceito e Formações Imaginárias.

Por: Paula Botelho.

484 páginas. 1998

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Resumo

Esta dissertação relata pesquisa sobre a leitura, a escrita e a interação discursiva de sujeitos surdos. Foram estudados seis sujeitos surdos, com idade entre 14 e 20 anos, nível de escolaridade entre 7a série do 1o grau e primeiro ano do 3o grau, sendo três surdos oralizados e três não oralizados, usuários de língua de sinais. Em relação à leitura e à escrita, são analisadas as práticas sociais e o desempenho dos sujeitos surdos. No âmbito das práticas sociais, discutem-se as práticas escolares de leitura e de escrita dos sujeitos surdos, na escola regular e na escola especial, o acesso à leitura e à escrita em outros espaços do entorno social, bem como o valor que a leitura, a escrita, a escola e a escolarização assumem para os sujeitos surdos, seus familiares e professores. No que diz respeito aos processos de leitura e de escrita, avalia-se a utilização de diversas tentativas de construção do sentido, como a revisão textual, a leitura silenciosa, a releitura e outros procedimentos. São avaliadas, ainda, as relações entre oralização, leitura e escrita, como também o uso de bimodalismo, língua de sinais e alfabeto manual como condições de possibilidade ou de impossibilidade, para os sujeitos surdos, de construção do sentido em relação a textos escritos, na produção e na interpretação. Discutem-se, ainda, as dificuldades lexicais e semânticas, buscando situar suas origens. As formações imaginárias em relação ao que significa ser surdo, bem como a assimilação de estigma e de preconceito, pelos sujeitos surdos e pelos ouvintes do entorno social, também constituem temas de análise: exercem influência sobre as práticas e os processos de leitura e de escrita dos sujeitos surdos, e geram conseqüências como a negação das dificuldades, a preocupação com a aprovação, sentimento de incapacidade e autodepreciação, entre outras formas de pensar. No âmbito da interação discursiva dos sujeitos surdos, examina-se o que dizem, como dizem, quando, por meio de quem e por que, além dos silêncios e retraimentos desses sujeitos na interação com os ouvintes. A fala e a leitura labial, a comunicação mediante a língua de sinais e o bimodalismo, o valor atribuído pelos sujeitos, familiares e professores às diferentes formas discursivas, e o trato dos sujeitos surdos com as regras do discurso são objeto de estudo. As situações discursivas que se estabelecem entre surdos e ouvintes, por sua vez, também são analisadas nesta dissertação. Atitudes como o escrúpulo, o acobertamento das dificuldades discursivas, e outras são motivo de investigação. Intensamente marcado pelo estigma, pelo preconceito e pelas formações imaginárias, como também ocorre no campo da leitura e da escrita, o jogo de imagens – o que os surdos pensam dos ouvintes, o que estes pensam dos surdos, e o que ambos pensam que cada um deles pensa – também é analisado neste trabalho. A idéia de surdez como chaga ou segredo a ser encoberto permeia as interações discursivas, tal como também ocorre no campo da leitura e da escrita. As atitudes decorrentes dessa forma de pensar também são analisadas: a desconfiança, a simulação, a identificação com o ouvinte-opressor e outras.

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