A Mediação Pedagógica do Professor na Brincadeira da Criança com Autismo

Por: Flaviane Lopes Siqueira Salles.

111 páginas. 2018 27/03/2018

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Resumo

O estudo objetiva compreender as formas de mediação pedagógica desenvolvidas pelo professor para melhor enfrentar os desafios de incluir, orientar e regular a participação da criança com autismo em atividades lúdicas no contexto de uma brinquedoteca universitária. Em frente a esse desafio, foi realizado um estudo de caso em uma brinquedoteca universitária e em outros espaços lúdicos utilizados como extensão dela, tendo como sujeitos uma professora/brinquedista e uma das crianças com diagnóstico de autismo para observação, acompanhamento, análise e discussão da ação mediadora do professor/brinquedista com ela. A perspectiva histórico-cultural constituiu a base teórica e metodológica deste estudo, compartilhando do referencial teórico de Vigotski (1983, 1997) e de outros autores que consideram o desenvolvimento dos sujeitos a partir das relações e interações que lhe são possibilitadas nos processos mediados. Para coleta de dados, foram utilizados o diário de campo, videogravação e entrevista semiestruturada com os pais e/ou responsáveis. Os dados foram analisados por meio do uso de duas técnicas: a análise de conteúdo e a análise microgenética. Os resultados indicam a relevância da identificação ao longo do processo de ensino e de aprendizagem, de dois movimentos realizados pela ação mediadora da professora com a criança que demarcaram saltos qualitativos importantes nessa relação, a saber: a) movimento de adaptação: compreendendo os modos de ser e estar da criança com autismo; b) movimento de aproximação: ampliando a participação da criança com autismo no contexto da brincadeira. As mediações pedagógicas desenvolvidas pela professora orientaram as ações da criança com autismo para o que lhe era possível em determinadas situações, respeitando suas particularidades. No movimento de adaptação, em linhas gerais, configuraram ações educativas importantes: o acompanhamento individualizado pela professora/brinquedista, acolhendo e se colocando como referência no processo de ensino e de aprendizagem da criança com autismo no percurso do trabalho com a turma; a utilização de um plano de ensino individualizado (PEI); o respeito à individualidade e às características da criança; o trabalho coletivo e colaborativo; a participação e envolvimento da família; e a descoberta e atuação em áreas de interesse da criança com autismo. Já no movimento de aproximação, em linhas gerais, configuraram ações educativas importantes: o processo de sensibilização das crianças do Centro de Educação Infantil para a questão da diferença/diversidade, por meio da arte de contar histórias, utilizando contos da literatura infantil; a organização de díades — encontros em pequenos grupos — e a ampliação das experiências da criança quanto à brincadeira, ao meio físico e social e na relação com o outro, por meio de movimentos que variavam do individual para o coletivo e do coletivo para o individual. Por fim, nossas reflexões apontam que, pela sensibilidade de ressignificar tempos/espaços em função das singularidades de cada criança e no trabalho colaborativo, a mediação pedagógica pode favorecer o desenvolvimento da criança com autismo, permitindo a ela ampliar sua relação com o meio.

Endereço: http://www.educacaofisica.ufes.br/pt-br/pos-graduacao/PPGEF/detalhes-da-tese?id=11943

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