A Memória da Educação Física em Petrolina-pe a Partir da Trajetória de Vida e Profissional do Professor Otacílio de Souza Lima

Por: Alvaro Rego Millen Neto e José Márcio Gondim de Vasconcelos Filho.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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Resumo


INTRODUÇÃO
As trajetórias daqueles que se propuseram à desafiadora tarefa de desbravar o campo profissional da educação física no sertão pernambucano, inaugurando ou formalizando o seu ensino em escolas e clubes, oferece uma via acesso à história dessa profissão. Em Petrolina-PE, na transição entre os anos de 1960 e 1970, foi significativa a atuação de professores de educação física provenientes dos quartéis da Polícia Militar da cidade de Juazeiro-BA. O governo de Pernambuco, após proceder a contratação desses militares, ofertava um curso de capacitação durante 30 dias e dava por iniciada a trajetória profissional desses professores. Uma vez instalados na rotina da profissão, esses professores elegeram, informalmente, dentre as suas primeiras gerações de alunos, monitores de ensino. Esses monitores, que tiveram sua primeira formação profissional nas próprias escolas em que estudavam, a partir dos saberes experenciais do cotidiano (TARDIF, 2014), possivelmente constituíram a primeira geração civil de professores especialistas em educação física de Petrolina. Neste estudo, propusemos-nos a coletar informações sobre a vida de um desses primeiros professores civis. Temos como objetivo estudar a vida, a trajetória profissional e os caminhos de formação do professor Otacílio de Souza Lima.

2 METODOLOGIA 
A história de vida, a história oral e os estudos sobre memória constituíram o aporte metodológico para a pesquisa. A história de vida é o retrato de uma pessoa cuja trajetória é significativa para a compreensão de eventos, períodos e de práticas culturais e históricas. Tais trajetórias são registradas e analisadas em um esforço para compreender interações entre percursos individuais e processos coletivos (MEIHY, 2005). A história oral, por sua vez, constitui uma abordagem metodológica na qual o envolvimento do pesquisador com o objeto de estudo é peculiar. Na medida em que são privilegiadas fontes de relatos orais, essa metodologia vai lidar com as subjetividades presentes nas memórias dos colaboradores (DEMARTINI; LANG; CAMPOS, 1998). A este respeito nos apoiamos em Pollak (1992) e consideramos a memória a partir dos sentimentos de identidade que dão sentido aos lugares sociais historicamente ocupados pelos indivíduos em suas coletividades. 
Para a coleta de dados foram realizadas entrevistas com o professor Otacílio e com outros colaboradores que participaram, em alguma medida, de sua trajetória. Como forma de articular a memória enlaçada através das entrevistas com outras fontes historiográficas, também foram utilizados documentos históricos sob a forma de registros, tais como fotografias, jornais e documentos ligados à sua atuação profissional. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Vale do São Francisco.

3 DESCRIÇÕES, INTERPRETAÇÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise das falas dos entrevistados reforça a ideia de que a inserção na área de educação física se dava através de indicações que levavam em conta, principalmente, o contato prévio com as modalidades esportivas. Tais indicações possuíam também um viés político no sentido de atender ao desejo das direções das escolas, que viam no esporte uma maneira de fortalecer a instituição. Até o início da década de 1970 a área ainda não era vista como profissão. O desenvolvimento dos trabalhos se dava a partir das experiências prévias do próprio professor e estava vinculado aos seus esforços individuais no sentido de aprender na prática.
A inauguração do Centro de Educação Física, em setembro de 1971, fortalece a área, sobretudo com relação à estrutura física voltada para as atividades da rede pública de ensino e à chegada de pessoas para trabalharem de forma específica com as necessidades desse campo de atuação. 

4 REFERÊNCIAS
DEMARTINI, Z. B.; LANG A. B.; CAMPOS, M. C. História oral e pesquisa sociológica: a experiência do CERU. São Paulo: Humanitas, 1998.

MEIHY, J. C. Manual de história oral. São Paulo: Loyola, 2005.

POLLAK, M. Memória e Identidade Social. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 05, n. 10, p.200-212, 1992.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 17º ed. Petrópolis, RJ: Editora vozes, 2014.

Endereço: http://congressos.cbce.org.br/

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