A Morte da Alegria do Povo

Por: José Sergio Leite Lopes e Sylvain Maresca.

Revista Brasileira de Ciências Sociais - v.7 - n.20 - 1992

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Resumo

Etnografia de um funeral

Nas vésperas de sua morte, Garrincha residia em uma casa alugada havia cinco anos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na Rua dosEstampadores, situada na antiga vila operária da Companhia Progresso Industrial, a fábrica têxtil de Bangu. 

O fato de tratar-se de uma vila operária têxtil passou despercebido pela imprensa, que noticiou fartamente os acontecimentos de certa forma bizarros que se seguiram à morte daquele ex-jogador de futebol. Como por acaso, esse bairro assemelha-se bastante ao lugar mesmo onde ele nasceu e viveu até os seus anos de glória esportiva: a vila operária de Pau Grande, pertencente à fábrica de tecidos América Fabril e situada em uma localidade rural nas cercanias da cidade do Rio de Janeiro. Na impossibilidade em que estava Garrincha de voltar a seu bairro natal, o subúrbio de Bangu apresentava provavelmente características familiares suficientes para se constituir em um refúgio durante os anos de declínio do ex-jogador. A morte acabaria por levá-lo de volta a Pau Grande. Este aparente acaso chama, de fato, a atenção para o peso decisivo exercido pelas relações incrustadas em configurações sociais - como certas vilas operárias - sobre toda a vida de Garrincha, como veremos no decorrer deste trabalho. 

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