A Mulher e a Atividade Desportiva: Preconceitos e Estereótipos

Por: Tânia M. C. Azevedo.

I Congresso internacional de Educação Física de Países de Língua Portuguesa

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Resumo

0 estudo objetivou identificar e questionar preconceitos e estereótipos relativos à mulher nos âmbitos da Educação Física escolar e dos desportos. Usou-se uma das técnicas de análise de conteúdo (BARDIN, 1977) para se estudar textos referentes à mulher em periódicos especializados em Educação Física, publicados entre 1932 e 1987. Foram analisadas as seguintes publicações: Revista Brasileira de Educação Física e Desportos (MEC); Revista Artus (UGF); Arquivos da Escola Nacional de Educação Física e Desportos (UFRJ); Boletim Técnico Informativo (MEC); Boletim de Educação Física; Revista Brasileira de Ciências do Esporte (CBCE); Medicina do Esporte; Revista da Escola de Educação Física do Exército; Educação Physica e Comunidade Esportiva (MEC). Três aspectos, geraram as categorias e as subcategorias para análise e orientaram a revisão bibliográfica do referencial teórico sobre a mulher e a atividade física e desportiva: BIOLÓGICO (força muscular; potência aeróbica; flexibilidade; menstruação; acidentes e lesões), SOCIOLÓGICO (aspectos sociológicos da participação da mulher em atividades físicas e desportivas), PSICOLÓGICO (aspectos psicológicos da participação da mulher em atividades físicas e desportivas). De uma maneira geral pode-se comprovar a existência de preconceitos e estereótipos no âmbito desportivo, como reflexo de concepções sexistas mais gerais em relação à mulher. O mito da feminilidade (destacando beleza, fragilidade física e concepção da maternidade como dever) mostrou servir de base para o cerceamento das práticas físicas/desportivas da mulher. Embora não encontrando apoio em bases biológicas, os textos defenderam restrições ao desenvolvimento da força pelo sexo feminino. Entretanto já na década de 30, uns poucos autores (tanto homens como mulheres) já questionavam essa posição.Considerou-se que o cerceamento ao desenvolvimento da força vem constituindo um fator de manutenção do estado de dominação da mulher pelo homem. Foi possível constatar que os valores sociais tem agido de forma tão constante e insidiosa que a própria mulher passa a desconhecer suas potencialidades físicas, ou a rejeitá-las psicologicamente, contribuindo ela mesma para perpetuar a situação. O estudo mostrou ainda que a proibição da participação da mulher em alguns desportos, ou em algumas provas desportivas, é injustificável, só se mantendo devido a existência de preconceitos perpetuados pela própria literatura especializada. Pode-se concluir que a maioria das concepções sobre a mulher encontradas nos textos contrariam as bases teóricas dos diversos aspectos tratados, constituindo-se preconceitos e estereótipos restritores da participação da mulher nos âmbitos da Educação Física escolar e dos desportos. Considerou-se extremamente grave que a literatura especializada, produzida pelos próprios profissionais de Educação Física há mais de 50 anos continue perpetuando tais estereótipos e preconceitos.
* Apoio financeiro - CAPES

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