A Mulher no Xadrez: Fatores Discriminatórios e Necessidade de Renovação

Por: Danielle Ferreira Auriemo Christofoletti, , e Sandro Carnicelli Filho.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

Este estudo, de natureza qualitativa, objetivou identificar a inserção feminina na
prática da modalidade xadrez, investigando a possibilidade de detecção de fatores
discriminatórios. A pesquisa exploratória foi desenvolvida por meio de um
questionário, aplicado via Internet, para 20 membros de um clube de xadrez on line,
com o auxilio de um software disponibilizado no site do Internet Xadrez Clube,
adultos, de ambos os sexos. Os dados, analisados descritivamente, por análise de
conteúdo temático indicam que, dos 6000 associados, apenas 300 são mulheres,
retratando a minoria de mulheres enxadreistas envolvidas com este clube. Quando
questionados sobre os valores de preconceito que o xadrez pode conotar, 56% dos
entrevistados negaram e 44% afirmam que sim, visto que, por muito tempo, este foi
considerado um jogo para nobres, do qual mulheres, pobres e negros eram excluídos.
Com relação às diferenças de capacidades intelectuais, 83% dos entrevistados alegam
não existir, apontando, apenas, diferentes formas de raciocínio, os outros 17% dizem
que há, justificando que o homem tem maior visão de campo. Acerca da possibilidade
de percepção de preconceito em relação à participação feminina nesta modalidade,
constatou-se que, apenas 33% dos pesquisados responderam negativamente e 67%
da amostra alegam existir, justificando pelos fatores intervenientes do processo
histórico-educativo, que encaminhou a mulher ao papel de coadjuvante, bem como,
a atitude dos homens, ao subestimar a inteligência feminina durante e fora da partida
de xadrez. Quando indagados sobre as possíveis justificativas do baixo número de
adesão feminina a este esporte, tem-se que, para 39% dos entrevistados, o
envolvimento em afazeres domésticos é um fator limitante de participação. Para
22%, a justificativa centra-se em, ainda, associar esta modalidade ao universo
masculino. Outros 17%, relatam que ocorre interesse por outras atividades e, na
mesma porcentagem, tem-se que ocorre a falta de incentivo da família e da escola.
Finalizando esta questão, 5% dos participantes relatam que a baixa aderência feminina
à prática desta modalidade está associada à desistência, devido às dificuldades que o
jogo propicia. Os resultados do estudo revelam a associação de diversos fatores
culturais potencializando a propensão à discriminação feminina e inibindo a
participação de interessadas na prática do xadrez, apontando este como um campo
promissor e carente de estudos mais aprofundados sobre a temática.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/62_Anais_p235.pdf

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