A Natação, o Cego e o Deficiente Visual: a Inclusão e Suas Implicações no Desporto de Rendimento

Por: Luiz Marcelo Ribeiro da Luz.

III Congresso de Ciência do Desporto

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Introdução: Estudar o desporto de rendimento de pessoas com cegueira deficiência visual, baseado na perspectiva de uma sociedade inclusiva, pode parecer contraditório, se avaliado de forma superficial. No entanto, estes dois universos – inclusão e desporto – estão intimamente interligados e isso é evidenciado quando retiramos o olhar daquele que está no lugar mais alto do podium e, de forma efêmera, recebe os louros por sua itória e eficiência, e abrimos a lente (e também nossas mentes) para focarmos todos os sujeitos e as interfaces que propiciam um dos maiores espetáculos da modernidade que  o desporto de competição ou rendimento. Ao longo deste trabalho, refletimos sobre o papel da inclusão no desenvolvimento do desporto de rendimento para pessoas cegas e com deficiência visual, mas, também, compreendemos e identificamos os significados na escolha desses atores, quando da sua participação em eventos esportivos regulares e segregados. Buscamos, ainda, relacionar tal opção ou posição à realidade das leis e olíticas que fomentam, organizam e propiciam a prática esportiva a esta parcela da população.

Objetivo: O presente estudo investiga a modalidade de desporto de rendimento natação para atletas cegos e deficientes visuais, verificando as implicações e inovações que o processo inclusivo oferece ao rendimento desses atletas em competições de nível nacional e internacional.

Metodologia: A natureza de nosso estudo é qualitativa/quantitativa e analisa, através dos dados coletados, como se entende, se organiza e se desenvolve o desporto de cegos e deficientes visuais na prática da natação. Foram selecionados para compreender essa realidade quatro grandes competições, sendo duas de âmbito regional, uma nacional e uma internacional. As entrevistas foram registradas através de gravação em fita cassete e os dados foram transcritos e categorizados posteriormente. As entrevistas realizadas com os atletas de língua estrangeira foram realizadas por tradutores/ou pessoas com fluência no respectivo idioma, e depois transcritas para a língua portuguesa. Os entrevistados foram divididos em quatro grandes categorias: atletas cegos e deficientes visuais; técnicos de atletas cegos e deficientes visuais; técnicos de atletas com visão; dirigentes esportivos do desporto para pessoas com deficiência.

Resultado: A investigação mostrou que o treinamento em situação de inclusão favorece o rendimento desses atletas. Paralelamente constatamos que os dirigentes, em geral, demonstram ainda resistência quanto à unificação desse esporte; os técnicos se dividem com relação à mesma questão e os atletas sofrem a pressão da política segregadora vigente no desporto adaptado. 

Conclusão: Concluímos que há uma real contribuição da inclusão no desporto de rendimento de pessoas com cegueira e deficiência visual, que praticam a natação competitiva e que as implicações advindas desta relação são positivas tanto no âmbito esportivo, mas, sobretudo, no social, tendo em vista que esta é tendência atual na sociedade e nas políticas públicas.

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