A Perseveração do Gesto Motor em Crianças: Impacto de Restrições da Tarefa de Alcançar

Por: , Juliana Martins de Souza, Márcia Cozzani e Marina Cavicchia.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

O objetivo deste estudo foi verificar o impacto de restrições da tarefa no modelo experimental que resgata o paradigma "Erro A não B" originalmente proposto por Piaget. O erro e o alcançar correto emergem através de um acoplamento entre olhar, planejar, alcançar e relembrar em um contexto particular da tarefa. Assim, a tarefa A-não-B é parte de um processo dinâmico o qual envolve vários elementos. Um desses elementos é o atraso entre o final da apresentação do estímulo à criança (i.e., mostrar um brinquedo) até a permissão de alcançar o brinquedo. Uma questão que surge é qual a importância das restrições da tarefa, em particular da manipulação do atraso na perseveração do gesto motor? Participaram deste estudo sete crianças com desenvolvimento normal e idade média de 2,3 anos de idade. A tarefa consistiu em procurar um brinquedo (i.e., uma pecinha de madeira na cor vermelha) dentro de uma caixa de madeira cheia de areia. O objeto foi agitado para chamar a atenção da criança e, em seguida, foi enterrado na caixa de areia em um de dois lados (i.e., lado A e lado B). Foram realizadas seis tentativas no lado A e, em seguida duas tentativas no lado B. As crianças realizaram esta tarefa em duas sessões com intervalo de uma semana entre uma e outra sessão. Na primeira sessão o atraso entre a apresentação do estímulo e a busca pelo objeto nas tentativas do lado B foi de 3 segundos. Na segunda, 10 segundos. Na posição A, o atraso foi sempre de 3 segundos. As variáveis analisadas foram: a média do índice máximo de memória cumulativa de alcances em A e em B e a posição do alcance na caixa de areia. Foi possível observar que, na primeira sessão de coleta, onde o atraso nas tentativas em B foi de 3 segundos, a memória cumulativa de alcances em A é crescente até a sexta tentativa em A (i.e., A6). A partir de A6 ela se mantém inalterada, ou seja, as crianças alcançaram em B nas tentativas B1 e B2, portanto, não perseveraram. Na segunda sessão de coleta, quando o atraso nas tentativas em B foi de 10 segundos o comportamento das crianças foi diferente. A memória cumulativa de alcances em A continua crescente mesmo em B1 e B2, o que demonstra que houveram alcances em A quando o objeto foi escondido na localização B. Estes resultados confirmam a idéia de que,quanto maior o atraso entre a resposta e a apresentação do estímulo, menor a ativaçãodo plano de ação. Neste caso, a perseveração aparece decorrente da ativação do plano de ação. Apoio financeiro: CAPES.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/66_Anais_p303.pdf

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