A Política Nacional de Esporte e Lazer Após a Redemocratização: Reflexos na Sociedade

Por: Bruno Medeiros Roldão de Araújo.

59ª Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

Em nossa pesquisa, tratamos das políticas públicas de esporte e lazer no Brasil, suas origens e como estão sendo aplicadas atualmente no país, focando sua formulação e interferência no bem-estar das pessoas. Além das origens no processo histórico vemos os princípios teóricos necessários para sua formulação, e a importância da aplicação de um diagnóstico de necessidades no decorrer deste processo.

O objetivo geral foi: Debater o processo de aquisição do tempo livre e as ações públicas na sociedade brasileira, no período compreendido da redemocratização até os dias atuais, no que rege ao esporte e lazer; Já os específicos foram: Contextualizar historicamente as ações públicas inerentes ao esporte e lazer; Demonstrar a importância da administração na formulação destas políticas; Debater os princípios teóricos necessários para a formulação das mesmas; Relatar as atuais políticas citadas no Governo Federal; Analisar os níveis de bem-estar das classes populares. Nossa pesquisa enfoca o que aconteceu em nosso país, com relação a essas políticas públicas, depois do advento da redemocratização, sobretudo após a Constituição Federal de 1988, pois segundo Gnecco (2005), somente existe a política pública nacional quando o Estado Federal cria o órgão que fará implementar a mesma.

METODOLOGIA:
Utilizamos pesquisa descritiva de caráter exploratório, o universo escolhido para a realização da pesquisa foi constituído por cidadãos, sem distinção de sexo, que se beneficiam da área pública de lazer "Parque da Criança" em Campina Grande-PB. A amostra da pesquisa foi composta por 50 indivíduos e foi do tipo casual simples, baseada na acessibilidade, utilizamos como instrumento para as pesquisas de campo, dois questionários: o primeiro foi o questionário de avaliação "Critério de Classificação Econômica Brasil" (CCEB) da ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa), e o segundo instrumento foi "O Pentáculo do Bem-Estar: base conceitual para avaliação do estilo de vida de indivíduos ou grupos" (NAHAS, 2003). Consideramos em nossa pesquisa como membro da "Classe Popular", os classificados como inclusos nas classes econômicas C, D e E (71% da população brasileira), que apresentam renda média familiar inferior a R$ 927,00 (Dados do IBOPE, 2000). No tratamento e análise dos dados, criamos um banco de dados, onde os mesmos organizados foram tratados juntamente com um profissional de Estatística. A pesquisa baseou-se nas diretrizes éticas da pesquisa com seres humanos, seguindo as recomendações da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de saúde (BRASIL, 2003).

RESULTADOS:

No total da amostra, 30% apresentaram em nível de bem-estar considerado negativo, 44% nível de bem-estar regular e 26% nível positivo. Sobre as Classes Populares, a media dos resultados, nos apresentou o seguinte: 57,14% desta classe apresentaram um nível de bem-estar negativo, 33,33% apresentaram um nível regular e apenas 9,53% apresentaram um nível considerado positivo, resultado bem divergente se comparado aos obtidos com as "Classes Favorecidas" (os classificados como inclusos nas classes econômicas A1, A2, B1 e B2, que representam 29% da população brasileira e apresentam renda média familiar de até R$ 7.793,00, segundo dados com base no Levantamento Sócio Econômico do IBOPE, 2000), que apresentaram apenas 10,35% com nível de bem-estar negativo, 51,72% regular e 37,93% positivo.

CONCLUSÕES:

Analisando os resultados, podemos observar que embora muito se tenha avançado em relação ao tempo livre, muito ainda tem de ser feito, para que realmente as classes populares possam ter uma melhor qualidade de vida. Notamos que a classe popular apresenta índice de bem-estar negativo, mais de quatro vezes maior que o da classe favorecida, mediante estes resultados, demonstra-se, que a população das classes populares tem uma baixa qualidade de vida, possivelmente resultante dos obstáculos econômicos e sociais a ela impostos juntamente a um tempo livre que pode vir a se constituir em lazer bastante resumido. Aferimos também que as políticas públicas em esporte e lazer no Brasil redemocratizado, interferiram em muitas relações sociais, devido às várias mudanças governamentais e o enfoque dado ao esporte e lazer por cada governo. Observamos que embora o principal objetivo destas políticas seja o bem-estar da sociedade, muitas vezes elas não são efetivamente colocadas em prática. Portanto concluímos que através de um modelo administrativo eficiente (leia-se aqui políticas públicas realmente sociais), as diferentes maneiras de se utilizar os recursos físicos, humanos e materiais existentes, são melhores direcionadas para o fim de promover uma vida mais digna as classes populares.

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