A Prática do Turfe na Cidade de Recife na Metade do Século Xix e Início do Seculo Xx.

Por: Carla Cristina Santos Ferreira e Paulo Fernandes de Oliveira.

IX Congresso Brasileiro de História do Esporte, Lazer e Educação Física CHELEF

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Resumo

Da segunda metade do séc. XIX até o início do século XX é possível perceber uma certa mudança na sociedade recifense no que tange ao comportamento dos indivíduos que a compunham. Buscavam atividades onde pudessem expressar os seus sentimentos, mas dentro de moldes que inibissem a violência. E viam no esporte um meio bastante eficaz de elevar suas emoções dentro de um controle exigido pela moral e bom costume da época. Dentre esses esportes cabe destacar aqui o Turfe que exercia grande fascínio para as elites que detinham o direito de assisti-lo. Já no ano de 1859 foi realizada uma corrida de cavalos em homenagem ao Imperador D. Pedro II, que na ocasião visitava a cidade de Recife. Corrida esta realizada no Prado do Piranga no dia 22 de dezembro às 16:30h. A sociedade recifense ao comparecer às corridas realizadas protagonizava uma espécie de ritual, simbolizando a confirmação de sua posição social e status de elite, comparecendo vestidos a rigor: os homens trajando casaca e chapéu e as mulheres trajando vestidos longos, luvas, chapéu e jóias como símbolo de ostentação, luxo e poder. O Jóquei Clube de Pernambuco se podia comparar a uma passarela por onde a nata da mais alta classe da sociedade recifense desfila para prestigiar o grande evento desportivo da época. Este fato mostra que o Turfe é a prática desportiva mais antiga em nosso Estado. Isso ocorre pelo fato de neste período a cidade de Recife está passando por transformações, que teve em parte influência da capital do Império-Rio de Janeiro. Nesta época havia uma mudança no estilo de vida dos recifenses, buscando uma vida mais saudável através das atividades desportivas que tinham como objetivo o extravasamento das emoções mais íntimas dos indivíduos, mas dentro de um controle e normas que a regulassem. Em seu início essas atividades eram voltadas para as elites dominantes da época, que detinham o poder e os meios pelos quais podiam-se executá-las, pois além de deterem o dinheiro para financia-lo ainda dominavam as normas e regras que norteavam as práticas desportivas deixando os outros indivíduos da sociedade à margem dessas atividades, com o tempo foram sendo popularizadas. Esse monopólio era regido por alguns poucos indivíduos que faziam parte das mais altas classes da sociedade recifense da época. Essas práticas indicam uma tendência para uma posterior vivência por outros segmentos da sociedade possibilitando assim a difusão dessas atividades por outras localidades e conseqüentemente a sua popularização.

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