A Presença das Mulheres Tenistas no Jornal o Estado de São Paulo (1950-1960)

Por: Giovanna Garcia Ticianelli e .

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

Essa pesquisa tem como objetivo demonstrar a presença de mulheres tenistas entre 1950 e 1960 no jornal “O Estado de São Paulo”, a partir da referência da jogadora Maria Esther Bueno. Esta foi escolhida, pois venceu os maiores torneios de tênis do mundo na época em que jogou. O recorte entre 1950 e 1960 foi determinado por compreender os anos iniciais de participação de Esther Bueno nos campeonatos nacionais. A partir das notícias desses torneios, foi possível perceber a presença de mais jogadoras brasileiras – como Cecy Carvalho, Ingrid Metzner e Maria Helena Amorim - e o destaque que elas possuíam nas reportagens. Demonstrando a inserção de algumas mulheres no ambiente esportivo competitivo no Brasil e o destaque que elas possuíam em um jornal de grande circulação. Manchetes como “partida prometedora”, “uma das melhores do certame”, “uma excelente exibição”, “grandes figuras do tênis brasileiro” e “não somente do nosso, mas também do tênis sul-americano” eram divulgadas para referir-se às tenistas brasileiras. “Dos encontros de hoje o mais importante será travado entre Maria  Esther Bueno e Ingrid Metzner”[3], foi uma das manchetes que representou, mesmo em um ambiente predominantemente masculino, a importância que era dada às partidas entre elas. Esses comentários presentes nos jornais demonstraram que os jogos femininos possuíam destaque nos campeonatos e nas reportagens, não havendo supremacia das partidas masculinas, e que havia incentivo para que as tenistas brasileiras alavancassem suas carreiras. A partir disso, é possível perceber que, nesse período, as mulheres já estavam mais inseridas no esporte, do que no começo do século XX (Mathias e Rubio, 2010). Entre 1944 e 1950, Moraes e Silva & Fontoura (2011) demonstraram, através dos artigos da Revista Brasileira de Educação Física, a inserção das mulheres nos esportes de maneira regulada. Essa inserção demonstrava a modernização do país, porém possuía orientações médicas com o objetivo de “não prejudicar ou desviá-la do seu “inato” papel feminino, bem como não virilizá-la em demasia. Mantendo, assim, intacta a matriz heterossexual” (Moraes e Silva & Fontoura, p. 273, 2011). Os jornais trabalhados nessa pesquisa mostram que alguns anos depois, no tênis, essa competição já existia e era permitida. Uma vez que eram divulgadas as partidas a partir dos elementos técnicos e táticos dos jogos, a rivalidade entre as tenistas e o reconhecimento das que se consagravam campeãs. Além de serem competições institucionalizadas pelas federações dos estados brasileiros, por mais que advenham de práticas concentradas nos clubes, havia uma oficialização das disputas.

Referências

MATHIAS, M. B; RUBIO, K. As práticas corporais femininas em clubes paulistas do início do século XX. Rev. Bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v. 24, n. 2, p. 277-86, abr./jun. 2010.

MORAES E SILVA, M; FONTOURA, M. P. Educação do corpo feminino: um estudo na Revista Brasileira de Educação Física (1944-1950). Rev. Bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 263-75, abr./jun. 2011.

Fonte de financiamento: Esse trabalho faz parte de uma pesquisa de mestrado em andamento com financiamento da FAPESP.

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