A Presença (ou Ausência) da Temática Circense nos PCNse na BNCC para a Disciplina Curricular de Educação Física

Por: Gilson Santos Rodrigues, , e .

IV Seminario Internacional de Circo - Inovação e Criatividade

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Resumo

Por meio de textos que tratam da história do Circo é possível perceber que a arte circense foi por muito tempo representada como uma forma de entretenimento desprovida de qualquer caráter educativo, baseada em equivocados valores, capaz de fomentar um uso desregrado do corpo e de suas forças, incapaz de contribuir com a formação de uma identidade nacional, e, ademais, caracterizada como fenômeno cheio de segredos, mistérios e fantasias (SOARES, 2013). Atualmente, na segunda década do século XXI, esse cenário mudou, e vivemos outra condição em que o potencial educativo do Circo representa uma possibilidade pedagógica para a instituição escolar, como citam Bortoleto e Machado (2003) e Bortoleto, Ontañón e Silva (2016). Dentre várias gretas no ensino escolar básico há a possibilidade de tematização da arte circense na disciplina curricular de Educação Física, como citam Bortoleto e Silva (2017), entre outros. Todavia, questiona-se: “qual espaço da temática circense nas políticas e propostas curriculares para a Educação Física?” O objetivo desta pesquisa é “analisar a presença (ou ausência) da temática circense nos Sumário 72 Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Física”. Para tanto, realizou-se pesquisa bibliográfica analisando os referidos documentos para o Ensino Fundamental (1º a 9º ano). Em primeiro lugar, buscou-se pelos termos: “circo”, “arte circense” e “circense”, em seguida, foram feitas leituras no intuito de encontrar referências ao fenômeno circense e/ou representações do Circo e, por fim, averiguaram-se possíveis aberturas para a temática circense nos PCNs (1997; 1998) e na BNCC (2017), semelhante ao estudo realizado por Duprat (2007). Os resultados apontaram que em ambos os documentos há a ausência dos termos “circo”, “arte circense” e “circense”. Com a leitura dos PCNs (1997; 1998), constatou-se que a temática circense e/ou elementos atrelados ao imaginário circense não são aludidas no referido documento. De modo sintético, a ausência da temática circense é mais evidente quando o documento cita “[o]s Conteúdos de Educação Física no Ensino Fundamental” que são organizados em três blocos: “Esportes, jogos, lutas e ginásticas”, “Atividades rítmicas e expressivas” e “Conhecimentos sobre o corpo”, porém não há menções ao Circo. No caso da BNCC, a leitura indicou que na “unidade temática: Ginásticas”, precisamente no “objeto de conhecimento” Ginástica Geral, há uma menção a aparelhos e práticas que podem ser relacionadas ao Circo. O documento menciona o “trapézio” e o “malabarismo” como conhecimentos pertinentes à prática da Ginástica Geral. Porém, vale ressaltar que tais referências podem ser associadas à arte circense, mas não o são necessariamente. De resto, a análise mostrou que a temática do Circo está ausente nos referidos documentos, porém a exegese tanto dos PCNs quanto da BNCC permite abrir gretas para a proposição desta temática de ensino, como é possível constatar na Proposta Curricular do Estado do Paraná (2008) e no Programa Segundo Tempo (DUPRAT; ONTAÑÓN; BORTOLETO, 2014). Em suma, as análises dos documentos indicaram que a temática circense representa uma possibilidade pedagógica não mencionada, isto é, há aberturas para o tema do Circo, todavia, a falta de referências e menções nesses documentos pode sugerir uma presença fortuita ou, ainda, uma condição alternativa. Deste ponto de vista, é urgente e necessário que o potencial educativo da arte circense passe a ser reconhecido nas políticas e propostas curriculares da Educação Física como um assunto pertinente para essa disciplina curricular. Depreende-se que os resultados apresentados ainda são incipientes e, por certo, é preciso realizar mais pesquisas sobre a presença (ou ausência) e as possibilidades para a temática circense nas políticas e propostas curriculares estaduais e municipais para a área da Educação Física.

REFERÊNCIAS

BORTOLETO, M.A.C.; MACHADO, G.A. Reflexões sobre o Circo e a Educação Física. Corpoconsciência (São Paulo), Santo André – SP, v. 2, n. 12, p. 36-69, 2003. BORTOLETO, M.A.C.; ONTAÑÓN, T.B.; SILVA, E. Circo: Horizontes educativos. - Campinas, SP: Autores Associados, 2016.

BORTOLETO, M.A.C.; SILVA, E. Circo: Educando entre as gretas. Rascunhos– Caminhos da Pesquisa em Artes Cênicas, v.4, n.2, 2017.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. – Brasília: MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. – Brasília: MEC/SEF, 1998.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. 

DUPRAT, R.M. Atividades circenses: possibilidades e perspectivas para a educação fisica escolar. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação Física, Campinas, SP, 2007.

DUPRAT, R.M.; ONTAÑÓN, T.B.; BORTOLETO, M.A.C. Atividades Circenses. In: GONZÁLEZ, F.J.; DARIDO, S.C.; DE OLIVEIRA, A.A.B. (Org.). Ginástica, dança e atividades circenses. Maringá: Editora Da Universidade Estadual De Maringá – EDUEM, v. 3, p.119-57, 2014.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação do Paraná – Departamento de Educação Básica. Diretrizes Curriculares da Educação Básica – Educação Física. 2008. Disponível em: < http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/diretrizes/ dce_edf.pdf > Acesso em: 04 de ago. 2017.

SOARES, C.L Imagens da educação no corpo: estudo a partir da ginástica francesa no século XIX. - 4.ed. - Campinas, SP: Autores Associados, 2013. 

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