A Reabertura de Academias, Clínicas, Clubes é Viável Neste Momento da Pandemia?

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Painelcev: O Que Dizem os Professores/Pesquisadores Sobre a Reabertura das Academias em Tempos de Pandemia?

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Vários profissionais de Educação Física (gestores e professores) estão se perguntando neste momento (agosto de 2020) se é viável abrir academias, clínicas e clubes que envolvam a prática exercícios físicos. Aliás, em vários locais do Brasil isto já aconteceu!

Esta questão é complexa e envolve inúmeros fatores a serem considerados. De certa forma, acho didático dividir em 3 pontos:

1) O porquê da reabertura

2) Como realizar a reabertura 

3) Para quem realizar a reabertura

No ponto 1, obviamente, todos sabem que a prática de exercícios físicos quando bem orientada promove uma série de benefícios para este período que estamos vivendo, tais como manutenção do tecido muscular, aporte de oxigênio aos órgãos, redução de quadros álgicos (dor) e a própria saúde mental, que envolve desde sintomas cognitivos a melhoria da qualidade do sono. Para este momento de Pandemia, estes benefícios são cruciais como intervenção primária ao contágio da COVID 19. Estas premissas seriam um belo ponto para reabertura destes locais, haja vista (posicionamento pessoal agora), maior “oferta de locais para práticas de exercícios”.

Eu particularmente considero a prescrição on line e bem acompanhada pelas tecnologias de comunicação como um facilitador deste processo, e compactuo com alguns autores europeus no sentido de que o profissional pode fazer a diferença em termos destes benefícios, e seria prudente não nos atermos apenas aos locais de prática neste momento. Mas também reflito que estes locais permitem maior utilização de equipamentos e opções de variação da intervenção. Uma outra justificativa é a questão econômica. Várias pessoas na Educação Física estão sem trabalhar, assim como em outras áreas. 

O ponto 2 na minha opinião pessoal é o cerne da discussão atual. Estudo recente com 3764 pessoas sobre a reabertura de academias no continente Europeu mostra que a presença nestes locais não foi fator significante para aumento de contágio da COVID 19 (quem quiser o estudo na íntegra – solicite por mensagem no instagram @tiagovolpibraz). Logicamente, o estudo foi feito em locais com protocolo estabelecido para evitar o contágio, tais como distanciamento social (1m para treinamentos no chão e 2m metros para prescrições de alta intensidade), intensificação da higiene das mãos e das superfícies, equipamentos definidos por praticante e fornecimento de desinfetantes para limpeza após uso, controle de aglomerações em volta dos locais, vestiários abertos mas com banheiros e chuveiros fechados. Eu acho claramente viável estas diretrizes. E acredito ser inaceitável algum estabelecimento ou profissional não seguir estes cuidados à risca, portanto, analise você profissional se consegue sustentar estes cuidados!

No ponto 3, meu posicionamento é que grupos de risco não devem voltar para estes locais que irão envolver aglomeração (mesmo com redução de participação no local – 20 a 40% - dependendo das fases e diretrizes municipais-estaduais), sobretudo idosos com distúrbios (neurais, musculares, metabólicos, cardiovasculares, imunológicos) de saúde! Atualmente eu trabalho com este grupo (coordeno um programa que envolve prescrição de exercícios para ~250 pessoas – 85% idosos em uma secretaria de SAÚDE). Tenho realizado atendimentos on line e agendamentos físicos-individuais “home care” com minha equipe (por vezes o tele atendimento). Quando presente fisicamente, a prioridade são os cuidados necessários (uso de máscara, álcool em gel em equipamentos e locais de contato, troca de vestimentas, contato com poucos profissionais, entre outros).

Além disto, monitoramos diariamente sintomas e surgimento de casos de COVID próximas a pessoa (uso aplicativos de variabilidade da frequência cardíaca e escalas psicométricas de recuperação, dor, sono e sintomas – custo financeiro baixo, além do contato telefônico). Em síntese neste ponto 3, não gostaria de trazer para minha carreira e dos profissionais que trabalham comigo o peso de infectar um aluno/cliente/paciente com a COVID-19. Em suma e como conclusão à este ponto de vista, considero que o lado humano e a ética profissional devem nortear este processo de tomada de decisão sobre a reabertura dos locais de prática de exercício, sobretudo considerando o porquê, o como e para quem realizar esta ação.

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