A Regra é Clara? Reflexão Sobre a Trajetória Profissional de árbitros de Futebol Negros

Por: João Cauê Benedeti Morales.

31ª Reunião Brasileira de Antropologia

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Resumo

O presente trabalho, em elaboração, tem como tema a participação de pessoas negras no trabalho da arbitragem de futebol. O ofício de árbitro, é um dos poucos em nível analítico dentro deste esporte nos quais profissionais negros e negras transitam com certa desinibição. Durante o jogo, os árbitros de futebol são as autoridades a serem respeitadas pelos jogadores e comissões técnicas presentes no evento. Se do ponto de vista do andamento do jogo esse poder incorporado pela figura da arbitragem é quase inquestionável, do ponto de vista do espetáculo, toda essa capacidade descamba para a vilania, pois é esta mesma figura e a sua suposta falta de bom senso em interpretar a regra que se torna um bode expiatório para torcedores, técnicos, dirigentes e imprensa justificarem o insucesso das equipes. A partir de uma concepção das lógicas do futebol (TOLEDO, 2000), configura-se uma posição ambígua deste profissional. Assim, o objetivo almejado é abordar as trajetórias profissionais de árbitros de futebol negros e negras no Rio Grande do Sul, na expectativa de compreender como diante desta ambiguidade, os profissionais da arbitragem lidam com o racismo em um ofício no qual, têm-se por hipótese, que a pecha da falta de inteligência para analisar (pensar) o jogo e suas decorrências recaia mais fortemente sobre profissionais negros(as). A perspectiva metodológica pretendida é a da história de vida de alguns desses trabalhadores, bem como a observação de cursos de qualificação. Desde um aporte dos estudos pós-coloniais (CÉSAIRE, 1978; FANON, 2008; MBEMBE, 2018), busca-se versar sobre os apagamentos e efeitos perversos produzidos por certas concepções do conhecimento e problematizar a legitimidade de determinados sujeitos/corpos nos momentos de pôr em voga tais concepções.
 

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