A Representação da Mulher na Gestão e no Cargo de Técnica Esportiva: o Caso do Futebol Feminino

Por: Emerson Liomar Micaliski, e Marina Aggio.

IV Seminário Internacional de Gestão e Políticas Públicas para o Esporte do Projeto Inteligência Esportiva - SIPPEIE

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Resumo


Introdução e objetivo(s): Em todos os âmbitos do nosso cotidiano presenciamos discussões referentes às questões de gênero, o que compreende também o campo esportivo. Silva e Fontoura (2011) apontam que as mulheres sofreram com proibições quanto à participação em modalidades esportivas durante anos sob a alegação de que eram frágeis, de que deveriam ter cuidados quanto as suas condições maternas, de que poderiam passar por uma masculinização de seus corpos ou serem contestadas quanto sua orientação sexual. Ainda que tenha ocorrido o rompimento de diversas barreiras quanto a tais questões, há estudos que demonstram que a participação da mulher no cenário esportivo ainda não é completamente aceita e sofre preconceitos (KNIJNIK, 2003; DEVIDE, 2005). A partir destes pressupostos, este trabalho tem por objetivo levantar dados para discutir e interpretar as dificuldades que ainda devem ser superadas por mulheres quanto a sua participação e representatividade no universo futebolístico, especificamente no futebol feminino, no que se refere aos cargos de gestão e técnica esportiva. Para alcançar tal escopo, foram estabelecidos como objetivos específicos: levantar o número de mulheres com atribuição de cargos na gestão ou como técnicas esportivas dos dez primeiros times de futebol feminino da série “A” no ranking do ano de 2018 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), analisar e interpretar os dados coletados. Métodos: O estudo tem caráter quantitativo e qualitativo e foi utilizada a análise de documentos, como livros e artigos referentes à temática, registros jornalísticos e publicações em websites oficiais de clubes, federações e confederações esportivas. A lista dos dez primeiros times de futebol feminino da série “A” no ranking do ano de 2018 da CBF utilizada na pesquisa é disponibilizada pelo site da própria Confederação. A partir desta lista, realizou-se um levantamento e análise referente ao quantitativo de mulheres que atuam na gestão dos dez clubes selecionados, levando em consideração as funções exercidas no futebol como: coordenadora técnica, supervisora de futebol e, ainda, o cargo de técnica esportiva. Resultados e Discussão: O ranking nacional dos times de futebol feminino da série “A” organizado pela CBF considera a pontuação das disputas e conquistas de campeonatos estaduais e nacionais das equipes. Em ordem classificatória, nas dez primeiras colocações do ranking de 2018 aparecem as equipes do São José Esporte Clube - SP, seguido por Associação Acadêmica e Desportiva Vitória das Tabocas - PE, São Francisco do Conde Esporte Clube - BA, Foz Cataratas Futebol Clube - PR, Associação Ferroviária de Esportes - SP, Rio Preto Esporte Clube - SP, Esporte Clube Iranduba - AM, Clube de Regatas do Flamengo - RJ, Sociedade Esportiva Kindermann - SC e a equipe do Santos Futebol Clube - SP. De todas estas equipes, sete mulheres trabalham diretamente nas funções elencadas para o presente estudo. São elas: Renata Love, coordenadora técnica da equipe do São José Esporte Clube e ex-jogadora de futebol; Ana Lorena Marche, coordenadora técnica da equipe da Associação Ferroviária de Esportes, possui graduação em bacharelado em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, mestrado e doutorado em Ciência do Desporto pela Universidade Estadual de Campinas; Tatiele Silveira, técnica da equipe Associação Ferroviária de Esportes e ex-técnica da equipe do Sport Club Internacional – RS; Nuéli Silveira, supervisora de futebol da Associação Ferroviária de Esportes e ex-jogadora; Bia Santos, supervisora de futebol da equipe do Esporte Clube Iranduba e ex-jogadora de futebol; Emily Lima, técnica da equipe do Santos Futebol Clube, ex-jogadora de futebol, foi técnica da equipe do Juventus Futebol Clube, da equipe do São José Esporte Clube e da Seleção Brasileira de futebol feminino; e Aline Xavier, supervisora de futebol do Santos Futebol Clube e ex-jogadora do mesmo clube. Os resultados apresentados mostraram que apenas sete mulheres estão nas funções de gestão das dez primeiras equipes do ranking do futebol feminino da série “A” da CBF, sendo que cinco delas trabalham em duas equipes, ou seja, das dez primeiras equipes do ranking, apenas quatro têm mulheres nas funções elencadas para a realização da presente pesquisa. Além disso, apenas duas das mulheres analisadas são técnicas esportivas, cargo que é ocupado por profissionais homens em todas as demais equipes. Considerações Finais: Algumas dificuldades que se apresentaram durante o estudo foram os problemas com a escassez, clareza e regularidade de divulgação de dados e informações necessárias ao estudo nas websites dos clubes pesquisados. Com base nos dados obtidos, pode-se considerar que ainda há barreiras que limitam a participação das mulheres em cargos de gestão e técnica esportiva no âmbito do futebol feminino brasileiro, pois, das dez primeiras equipes do ranking da série “A” da CBF, apenas quatro equipes têm mulheres nas funções elencadas para o estudo. Mesmo com a inserção ou ampliação de possibilidades que as mulheres tiveram no mercado de trabalho, quando se trata da sua presença na gestão do futebol, a realidade é outra, o que torna esse esporte gerenciado predominantemente por homens.
 

Endereço: http://cev.org.br/biblioteca/a-ideologia-partidaria-e-a-formulacao-da-politica-publica-de-esporte-nos-municipios-do-estado-da-bahia/

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