A Revista Manchete Esportiva e as Práticas Corporais e Esportivas Femininas no Brasil da Década de 1950: Visibilidades e Ocultamentos

Por: Altair Bonini.

XXIX Simpósio Nacional de História

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Resumo

Os meios de comunicação, se por um lado, dão visibilidade para as atletas mulheres, por outro reforçam estereótipos e modelos de mulheres vinculadas às ideias de modernidade, disciplina, civilidade, saúde, beleza entre outras. Na década de 1950, no Brasil, a beleza e a sensualidade das mulheres esportistas eram exploradas por meio das técnicas do fotojornalismo, que tornava os eventos, principalmente os “Jogos da Primavera”, em grandes espetáculos. A partir de reportagens publicadas na revista Manchete Esportiva, realizadas com mulheres esportistas no ano de 1956, objetivamos refletir sobre o papel da imprensa esportiva relacionado à construção de gênero. Bem como, buscaremos destacar a participação feminina nos esportes, mesmo em um período, em que existiam leis que as interditavam a várias práticas corporais, pois visavam estabelecer este campo como pertencente exclusivamente aos homens. Muitas mulheres se dedicavam a vários esportes, se destacavam em nível nacional e internacional em diversos campeonatos e competições e aproveitavam estes momentos para expressar novas formas de pensar e questionar as regras normativas de gênero e a moral social da época. As reportagens apresentavam um padrão de escrita, falavam sobre as modalidades esportivas praticadas pelas atletas, os eventos que haviam participado ou que iriam ocorrer, seus prêmios e suas vitórias. Também, era perguntado para a atleta sobre seus hábitos, gostos culturais, suas perspectivas sobre futuro, estudos e profissão. Dimensões diferenciadas eram dadas para as reportagens com atletas masculinos, no qual eram sempre enaltecidas as figuras do ídolo e do herói com grandes habilidades. No caso das mulheres, as reportagens destacavam mais a beleza e a feminilidade. Contudo, em pequenos depoimentos podemos ver como relações de gênero eram construídas de formas desiguais, pois aos homens não recaia qualquer preocupação em casar “cedo”, que teriam que abandonar seu lazer ou deixar de realizar suas praticas esportivas após o matrimônio. Destacamos que apesar da revista Manchete esportista realizar reportagens com os moldes citados. As falas das mulheres, mesmo reduzidas em pequenas crônicas, expressavam pensamentos de liberdade e autonomia em relação aos pais e aos maridos. Eles nos mostram a tentativa de educar os corpos e pensamentos das mulheres, por meio de normas e discursos, que para muitas já estavam ultrapassados.

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