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No dia 07 de abril de 2011 foram instituídas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, as Academias da Saúde. É mais um passo na direção certa. Aliás, é fundamental reconhecer o excelente trabalho feito pelo Ministério da Saúde nos últimos anos no que se refere à promoção da saúde. O Ministério atualmente honra seu nome, de promotor da saúde, em detrimento dos longos anos nos quais o nome adequado seria Ministério da Doença. Felizmente os tempos mudaram. Vivemos hoje num país em que mais de 1200 cidades recebem verbas do governo federal para desenvolvimento de estratégias de promoção da atividade física. A concretização das Academias da Saúde é importante por vários motivos. Em primeiro lugar, a criação das estruturas físicas - pólos promoverá a revitalização de espaços públicos das cidades. Em segundo lugar, as parcerias entre o poder público federal e municipal, necessárias para a implantação das Academias de Saúde, poderá estimular um diáologo necessário entre as diferentes esferas de governo. Em terceiro lugar, a construção de alguns pólos de atividade física certamente resultará no apelo popular pela construção de mais pó- los. Enfim, há muito a ganhar.
No entanto, não podemos negar os desafios que nos esperam. A construção de pólos de atividade física gerará gastos com manutenção dos mesmos. É preciso pensar nisso desde o princípio. A diversidade cultural e climática do país impede que um único modelo de oferta de atividade física seja adotado nos pólos espalhados pelo Brasil. A criatividade, desde que regida por princípios científicos consolidados, será fundamnetal. Mais importante ainda, a ocupação dos cargos nos pólos precisa ser feita por profissionais qualificados. Sobre isso, é lamentável a pouca prioridade dada a promoção da saúde nos cursos de formação inicial na área da saúde.
Pergunte a um estudante de medicina como tratar um paciente com diabetes descompensada e é muito provável que você receba uma resposta correta ou algo muito próximo disso. Agora pergunte ao mesmo estudante como reduzir a incidência de diabetes no nível populacional. Silêncio. Faça o mesmo com um acadêmico de nutrição. Peça a ele para montar uma dieta para um paciente obeso. Dieta em mãos. Depois peça para ele montar um plano para prevenção da obesidade no estado onde ele vive. Silêncio. Repita o exercício para um profissional de educação física. Primeiro a prescrição de um programa de exercícios para um paciente cardiopata. Feito. Depois a montagem de uma estratégia para tornar a população brasileira mais ativa. Silêncio. A formação inicial na área da saúde deve ser rediscutida com urgência. Somente assim poderemos preencher os inúmeros espaços de trabalho proporcionados pelo Sistema Único de Saúde.

Endereço: http://www.sbafs.org.br/_artigos/438.pdf

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