Acesso dos Idosos Ao Lazer Digital

Por: Ana Carolina Pigato, Larissa Rodrigues e Letícia Franzen.

Congresso Mundial de Lazer 2018

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Resumo

Esta pesquisa centra suas discussões sobre o acesso dos idosos ao lazer digital, buscando contribuir para a discussão e reconhecimento das questões de acesso e inclusão, de maneira que os idosos possam fruir lazer sem restrições. Este resumo, que apresenta dados preliminares de uma pesquisa em andamento, busca analisar como o lazer digital está presente na vida do idoso e qual a relação dele com as novas tecnologias. De acordo o Estatuto do Idoso (2013), idoso é a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. De acordo com o Art. 20 desse Estatuto, é assegurado ao idoso o direito ao lazer. Essa prática proporciona uma vida mais saudável física, psicológica e socialmente, pois momentos de lazer geram divertimento, bem-estar e sociabilidade e reduzem o risco de doenças, como a depressão. O lazer, para Dumazedier (2014), possui a função de descanso, divertimento e desenvolvimento. Já o lazer digital configura-se como uma atividade de entretenimento realizada através da internet. Para Trew e Malle (2004), essa tipologia pode ser classificada como ativa, uma vez que o internauta interage com o equipamento, o sistema operacional e com outros usuários, ou passiva, quando o contato é mínimo. Esta investigação caracteriza-se por ser de caráter qualitativo, com pesquisa exploratória e revisão bibliográfica. Realizaram-se entrevistas, com perguntas semiestruturadas, com os idosos frequentadores das atividades promovidas pelo Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) de um município do Rio Grande do Sul, Brasil. Neste estudo, sete respondentes aceitaram participar, mulheres, com média de idade de 66,7 anos e aposentadas. Os resultados preliminares demonstraram que a maior parte das entrevistadas possui um aparelho celular antigo que não tem acesso à internet, e apontam, como motivo principal para a aquisição do aparelho, ligações para familiares. Apenas uma, das sete entrevistadas, afirma possuir computador em casa, fazer uso de redes sociais e pesquisas em sites sobre artesanatos. Essas ações podem ser consideradas lazer digital, uma vez que proporcionam descanso, divertimento, desenvolvimento e entretenimento. As demais entrevistadas não mantêm contato com esse equipamento em suas residências ou no CRAS, que embora promova ações ligadas ao lazer, por não dispor de internet para a comunidade, acaba não desenvolvendo o lazer digital. Apesar disso, seis idosas manifestaram anseio por aulas de informática, indicando que existem dificuldades no manuseio desses equipamentos digitais, mas ainda assim predomina a vontade de ter maior contato com esse espaço virtual. Ao fim, pode-se inferir, preliminarmente, que o acesso ao lazer digital é limitado, quase inexistente. Pode-se depreender que existem barreiras socioeconômicas, visto que as idosas que fazem parte do grupo do CRAS são provenientes de uma camada social menos favorecida e que necessita de maior suporte assistencial. O fato de o CRAS ainda não proporcionar condições de acesso à internet dificulta ainda mais o acesso autônomo para essas idosas. De forma geral, ainda existe preconceito social, ao considerá-las velhas demais para lidar com novas tecnologias. Esses são comportamentos que precisam ser repensados. O envelhecimento da população brasileira e o avanço tecnológico são fenômenos que necessitam ser considerados. 

Endereço: http://cev.org.br/arquivo/biblioteca/4049540.pdf

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