Ações Motoras de Crianças com Baixa Visão Durante o Brincar: Cubos com e Sem Estímulo Visual

Por: Beatriz Dittrich Schmitt.

67 páginas. 2014 24/02/2014

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Resumo

O brincar é uma atividade espontânea que ocorre desde as primeiras fases do desenvolvimento motor infantil. No que tange o brincar em crianças com baixa visão existem lacunas científicas, principalmente relacionadas às ações motoras realizadas durante o brincar com objetos. Nesse sentido, esse estudo desenvolveu dois artigos científicos relacionados a essa temática: o Artigo 1 permitiu identificar e descrever as ações motoras de crianças com baixa visão e visão normal aos três anos de idade, durante o brincar com cubos com estímulo visual (luminoso e alto contraste) e sem estímulo visual (transparente e preto); o Artigo 2 comparou a frequência das ações motoras entre crianças com baixa visão e visão normal nas mesmas condições de estimulação. Em ambos os artigos foram avaliadas seis crianças com baixa visão (43 meses; ±2) e sete crianças com visão normal (42,3 meses; ±2,9). Para a avaliação, foram utilizados quatro cubos, sendo dois deles com estímulo visual (luminoso e alto contraste) e dois sem estímulo visual (transparente e preto). As crianças foram avaliadas uma única vez e todas as avaliações foram filmadas. Cada cubo foi apresentado à criança por 1 minuto, com intervalo de 15 segundos entre eles. A criança foi posicionada sentada sobre um tatame com as pernas abduzidas, de modo que o cubo fosse colocado no tatame na sua frente. No Artigo 1 foram identificadas as seguintes ações motoras: alcance unimanual, alcance bimanual, alcance com os pés, deslizar as mãos/dedos, afastar o cubo, bater no cubo, bater com o cubo, girar, agitar, aproximar os olhos e jogar o cubo para cima. O grupo baixa visão apresentou maior variedade de ações motoras do que o grupo visão normal em todos os cubos. No cubo transparente e preto, o grupo baixa visão apresentou 11 ações motoras identificadas e o grupo com visão normal não realizou a ação de aproximar o cubo nos olhos e jogá-lo para cima. No Artigo 2, verificou-se que somente para o cubo de alto contraste, a frequência das ações motoras das crianças com baixa visão foi significativamente maior do que para as com visão normal (p=0,036), em especial na variável alcance bimanual (p=0,027) e girar o cubo (p=0,006). A quantidade de ações motoras não influenciou no brincar, pois as crianças fazem ajustes e adaptações de acordo com suas características orgânicas e interesses. Os resultados sugerem que as crianças com baixa visão não apresenta déficit significativo nas ações motoras ao manusear os objetos com e sem estímulo visual.
 

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