Acões Motrizes e Representações Sociais no Jogo do Laço no Vale do Itabapoana

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1999 22/10/1999

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Resumo

Investigou-se ações motrizes e significados da prática esportiva do laço do boi, jogo rural próprio do Noroeste fluminense e Sul capixaba, cujo objetivo é laçar-se, à cavalo, um bovino em fuga numa pista de aproximadamente 100 metros de comprimento. Mais especificamente, foram analisadas a natureza do jogo e a configuração da festa vinculada ao mesmo enquanto vivências de lazer indicadoras do modo de vida local. Para tanto, fez-se uso de pesquisa qualitativa, na linha da observação participante, com a combinação de pesquisa bibliográfica, entrevista semiestruturada, registro fotográfico, filmagem e observação direta com anotações em diário de campo. O trabalho empírico ocorreu em toda região, considerando para análise 13 entrevistados escolhidos de forma não probabilistica e intencional mais os registros de 14 festas de laço nos municípios de Apiacá-ES, Bom Jesus do Norte-ES e Bom Jesus do Itabapoana-RJ. A lógica interna na qual o laço do boi se orienta está relacionada a diversos fatores endógenos e exógenos, sendo variáveis principais na produção e consumo do jogo: a relação com o animal pautada pela moral da lide pecuária; a interdependência entre as esferas do trabalho e do lazer corporificadas na ação motriz de laçar; a importância do habitus rural para o sucesso na formação do praticante; a configuração do alvo (chifre ou orelha) alterando a tática motora de jogo; o sistema de pontuação e as regras baseados na técnica pecuária; a conjuração entre estética e ética na condução da arbitragem; a relação entre a participação individual durante a perseguição e a partilha coletiva dos resultados da mesma; a natureza das relações entre os praticantes marcada pela falta de confronto direto; a oposição ao bovino e a colaboração simbiótica com o eqüino; a natureza do contato entre homem e bezerro mediada pelo cavalo e pela corda; os fatores intervenientes ao desempenho relacionados à capacidade de domínio sobre os animais e sobre o nível pessoal de tensão; o espaço estandardizado e o curto tempo para reação e execução da laçada; o aspecto simbólico das dimensões do terreno do jogo; as mudanças de trajetória dentro da pista guiadas pela direção do animal perseguido; a noção de. tarar a corda (dar-lhe velocidade) vinculada ao ritmo do movimento humano; as táticas ordinárias criadas para facilitar a participação no jogo; a necessidade de competências culturais para transitar do jogo à festa; as barreiras para a vivência desse jogo esportivo relacionadas a gênero, faixa etária e origem laboral; as diferentes motivações para participação nesse evento forçando a distensão das ofertas de diversão; a configuração fluida e pendular entre a formalidade e racionalização do esporte profissional e o amadorismo e baixa organização do jogo e, por fim, o comportamento da tradição e localismo presentes no jogo quando em comunicação com transformações na noção de ruralidade e expansão de outras formas de rodeio. Compreendendo o laço de boi e a festa do laço a partir desses traços organizadores, analisou-se as táticas e capacidades requeridas na vivência dessas atividades, refletindo como a vivência delas enquanto lazer e campo de ação motriz reelabora-se sem escapar do fulcro básico de sua existência, o modo de vida extraído do labor rural 

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000199972&opt=1

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