Alguns Sentidos da Aventura, Orientação e Mobilidade Corporal de Pessoas Cegas em águas Abertas

Por: Regina Marques Nunes Rosa.

2006 26/01/2006

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Resumo

Estudo qualitativo e exploratório com oito cegos do Instituto Benjamin Constant, em travessias em águas abertas, empregando entrevistas semi-estruturadas e Alegoria dos Animais, permitindo formular sonhos projetivos dos ideais de pulsões. Visa compreender alguns sentidos dessa aventura, orientação e mobilidade corporal, explicitando o mundo das significações que constituem o Imaginário Social desses nadadores, destacando alguns elementos simbólicos expressos nos discursos. Cegos praticantes de esportes exercitam, além da atividade física, o direito de ir e vir com independência e autonomia. É no exercício dessa prática que com liberdade, ousam e desafiam suas condições de deficientes. Ver o mar em toda sua extensão nos leva a viagens fantasiosas, imaginativas. Quando a imagem é construída se dá subjetivamente por indícios de percepção, palavras, linguagem e, não só, pelos órgãos da visão. Ainda que o corpo não veja essa realidade, poderá senti-la. A aventura desses atletas no mar é representada por suas sensações e imagens construídas e impregnada de sentidos. Vários discursos estão presentes no universo dos deficientes, fornecendo pistas para compreensão desse imaginário social. Desvendá-los traz novas discussões e olhares. Renascer heroicamente das águas do mar, buscando forças para o dia a dia é superação, conquista que parecem conseguir para, numa perspectiva inclusiva, encarar a discriminação social. Ao interpretar os resultados detectamos três animais. Ligado à trilogia dos elementos terra-água-lua, o cachorro tem função de psicopompo, clarividência, guia, feiticeiro, vidente. Os golfinhos simbolizam regenerescência, adivinhação, sabedoria, prudência, deslocamento, senhor da navegação. O vôo da ave estabelece relações entre céu e terra, libertação, presságio, mensagem do céu, leveza. A aventura de nadar em águas abertas permitiu-nos compreender esse imaginário, onde água é vida, se descobrindo nas trevas, regenerando-se. Movem-se por símbolos de vidência, força interior, superação, conquista. Esses nadadores buscam nesta aventura o direito de igualdade, normalidade e de oportunidade. A maior doação que esses nadadores Deficientes Visuais dão para a sociedade é de favorecer algumas reflexões sobre as diferenças e a inclusão. 

Endereço: https://www.dropbox.com/s/dni506fc0vnyu2z/UGF.00301.pdf

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