Alterações Promovidas Pelo Treinamento Físico no Edema Pulmonar e Perda de Massa Muscular em Ratos Portadores de Tumor Walker-256

Por: Aida Mehanna, Eleonora Elísia Abra Blanco, Igor Fernando Scanfelli da Silva, Marli Cardoso Martins Pinge, Rosiane Batista Mastelari, Rubens Cecchini e Samantha Bagolan de Abreu.

Semina: Ciências Biológicas e da Saúde - v.29 - n.2 - 2008

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Resumo

O tumor Walker-256 é um carcinoma de crescimento rápido e tem sido estudado sob vários aspectos metabólicos, associados ou não, à caquexia. Foi observado, em nosso laboratório, que em animais portadores de tumor Walker-256 após morte espontânea (geralmente em torno do décimo quinto dia) apresentavam edema pulmonar significativo com presença de líquido na cavidade pleural. Alguns trabalhos têm sugerido que o treinamento físico melhora a sobrevida de animais com tumor e minimiza os efeitos da caquexia. O objetivo de nosso trabalho foi o de avaliar o índice de edema pulmonar e massa muscular esquelética e cardíaca, além da sobrevida de ratos portadores de tumor Walker-256 submetidos previamente a treinamento físico por natação (N). Para este estudo, foram usados ratos Wistar machos (200 a 220g), submetidos ao treinamento físico por natação (1 hora; 5 dias/semana, 4 semanas). Um dia após o treinamento, ratos sedentários (C) ou treinados (N) foram submetidos à inoculação no flanco direito de 8 x 107 células de tumor de Walker 256 (T). Imediatamente após a morte espontânea desses animais, foram avaliados o índice de edema pulmonar (IEP), a massa muscular esquelética (gastrocnêmio e soleus) e cardíaca. O edema pulmonar foi avaliado pelo índice calculado pela relação entre os pesos pulmonar e corporal de cada animal, e multiplicada por 100 (PP/PC x 100) (LEE et al., 2001). O índice de massa muscular (IMM) foi calculado de forma similar. Em animais normais, o IEP é igual a 0,53±0,02 (n=20). Em ratos portadores de tumor após a morte espontânea apresentaram IEP significativamente maior (2,62±0,31, n=18). Após o treinamento físico em animais sem tumor, o IEP foi de 0,55±0,03 (n=5). Já em animais portadores de tumor previamente treinados obteve-se um índice de edema inferior ao grupo controle com tumor (1,46±0,16, n=5; p<0,05). Em relação à massa muscular, verificou-se, como esperado, uma diminuição no índice de massa muscular do gastrocnêmio no grupo controle com tumor, quando comparado ao grupo sem tumor (C=0,53± 0,01 ; CT=0,38± 0,02). O mesmo ocorreu para o músculo soléus (C=0,11±0,01; CT=0,08± 0,01). O treinamento físico não modificou o IMM de todos os músculos avaliados quando comparados ao controle sem tumor. No entanto, no rato treinado com tumor, o IMM do músculo gastrocnêmio foi maior quando comparado ao grupo controle com tumor (CT=0,38±0,02; NT=0,46±0,02, p<0,05). Em relação ao músculo cardíaco, o treinamento físico não alterou o índice de massa cardíaca, mas a presença de tumor promoveu em ambos os grupos (C e N) uma hipertrofia.Os nossos resultados mostram que o edema pulmonar está presente em animais portadores de tumor Walker 256 e que o treinamento físico parece atenuar o índice de edema nesses animais. O treinamento físico por si não modificou o IMM dos músculos avaliados, no entanto, a perda de massa pelo tumor no músculo gastrocnêmio foi menor no grupo treinado, e isso sugeriu que o exercício físico atenue a proteólise comumente observada em estados de caquexia e câncer.

Endereço: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/3464

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