Amplitude de Movimento de Flexão do Quadril e da Coluna Vertebral e Sua Relação com a Postura em Pé e Sentada

Por: Laura Eichenberg Surita.

56ª Reunião Anual da SBPC

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Introdução:

a flexibilidade é uma das qualidades físicas determinantes da aptidão física e é principalmente influenciada pela idade e sexo (norkin & white, 1997). A literatura apresenta que as meninas são mais flexíveis que os meninos (alter, 1999, gaya, 2002), entretanto, os estudos geralmente utilizam testes que avaliam a flexibilidade geral da criança. Um estudo preliminar (surita & souza, 2002) que avaliou a flexibilidade da coluna vertebral mostrou que os meninos de 7 a 8 anos possuíam médias maiores que as meninas.

Durante o período da infância e adolescência, ocorrem alterações significativas na flexibilidade. Os ossos crescem mais rapidamente que o alongamento da musculatura e encurtamentos musculares podem ser provocados. De acordo com souza (1996), esses encurtamentos podem ocasionar desvios posturais.

A literatura que fala sobre flexibilidade e postura corporal (struyf, 1995; duffour, 1989), mostra que é importante preservar a amplitude das articulações do quadril e da coluna vertebral, para a manutenção da postura e realização das atividades diárias. Como a criança é mais flexível que o adulto, a formação de más atitudes posturais como a sua correção, ficam facilitadas nesta fase.

Diante disso, resolveu-se realizar um estudo descritivo que objetiva apresentar a amplitude articular de flexão do quadril e da coluna vertebral de crianças de 7 a 14 anos, considerando a idade e o sexo e verificar a relação entre estas amplitudes e a postura corporal nas posições em pé e sentada.

Metodologia:

depois do contato com a direção da escola estadual otávio de souza, em porto alegre e a sua autorização para realização da pesquisa, encaminhou-se um termo de consentimento informado para os pais das crianças selecionadas. Após o consentimento, iniciou-se a coleta de dados. Inicialmente, foi mensurada, na própria escola, a amplitude de flexão do quadril através da goniometria (norkin & white, 1997) e a amplitude de flexão da coluna vertebral através do teste de schober (duffour, 1989). Em seguida, as crianças foram levadas até o laboratório de pesquisa do exercício da escola de educação física da universidade federal do rio grande do sul, onde foram fotografadas em trajes de banho, nas posturas em pé e sentada. Na postura em pé, as crianças foram posicionadas diante de um posturógrafo e fotografadas de perfil. Na postura sentada, foram realizadas duas fotografias: na primeira foi solicitado apenas para a criança sentar no banco, e na segunda a criança foi orientada a sentar sobre os ísquios.

A amostra desse estudo foi composta por 100 escolares de ambos os sexos, divididos em quatro grupos: 7 a 8 anos, 9 a 10 anos, 11 a 12 anos e 13 a 14 anos.

O tratamento estatístico foi realizado através do pacote estatístico spss 8.0 for windows. Para a comparação entre os sexos foi utilizado o teste t de student para variáveis independentes. Para a comparação entre as faixas etárias foi utilizado anova one way (teste post-hoc bonferroni). O nível de significância adotado foi p<0,05.

Resultados:

a análise estatística mostrou que, comparando as crianças por faixa etária, na flexão do quadril, não houve diferença significativa entre o grupo de 9 a 10 anos e o de 11 a 12 anos, assim como entre o grupo de 11 a 12 anos e o de 13 a 14 anos. Na flexão da coluna vertebral, não houve diferença significativa apenas entre o grupo de 7 a 8 anos e o de 9 a 10 anos na flexão da coluna total e não houve diferença significativa entre todas as faixas etárias na flexão da coluna lombar.

Comparando meninos e meninas, houve diferença significativa na flexão do quadril e na flexão da coluna lombar entre as crianças de 11 a 12 anos e entre as de 13 a 14 anos. Em relação à flexão da coluna vertebral não houve diferença significativa entre meninos e meninas em todas as faixas etárias.

Comparando as fotografias na postura em pé, podemos perceber que há uma prevalência, principalmente nos mais jovens, de possuir anteversão do quadril, hiperlordose lombar e protusão abdominal. Todas estas, características da faixa etária, não sendo desvios estruturais.

Analisando as fotografias na postura sentada, a maioria das crianças apresentou cifose dorsal associada à retroversão do quadril, mas a maioria delas conseguiu sentar sobre os ísquios quando orientadas para o mesmo.

Dessa forma, é importante considerar que as crianças apresentaram posturas funcionais (flexíveis) características da faixa etária, o que justifica, em alguma medida, a não interferência das mesmas na sua flexibilidade.

pesquisa relacionando-as com a maturação sexual, prática de atividade física e atividades realizadas no tempo livre, uma vez que as crianças estão mais inativas atualmente.

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