Análise Cinemática da Marcha de Indivíduos com Osteoartrose do Joelho

Por: Diego Murilo dos Santos.

2010

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.Resumo

Com este estudo descritivo objetivou-se avaliar as características cinemáticas da marcha de indivíduos com osteoartrose de joelhos. Especificamente: analisar as características clínicas desses indivíduos; caracterizar as variáveis cinemáticas da marcha em velocidade habitual; verificar e comparar variáveis cinemáticas da marcha entre diferentes velocidades. Participaram 18 indivíduos (14 mulheres e 4 homens) com média de idade 66 ± 7,6 anos. Após a aprovação do Comitê de Ética em pesquisas com seres humanos da UDESC, todos os sujeitos foram informados sobre os objetivos do estudo e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. As coletas de dados foram realizadas no laboratório de Biomecânica do CEFID/UDESC e utilizou-se como instrumentos uma ficha cadastral, questionário WOMAC, balança, estadiômetro, fita métrica, câmera fotográfica digital com tripé, sistema de fotocélulas com cronômetro, esteira ergométrica e uma câmera do sistema PeakMotus. Como procedimento de coletas inicialmente aplicou-se o questionário WOMAC e depois foram adquiridos os dados antropométricos. Na seqüência foram realizadas as demarcação dos eixos articulares com os marcadores refletivos e a tomada das fotos para aquisições das amplitudes de movimentos passivas e ativas. Por fim, foram realizadas as aquisições dos dados cinemáticos da marcha primeiramente em piso fixo na velocidade habitual e rápida, onde as velocidades foram medidas através de fotocélulas que estavam conectadas a um cronômetro, e após período de familiarização dos sujeitos na esteira, em velocidade controlada (2km/h). As filmagens da marcha foram bidimensionais, adquiridas através da câmera do sistema Peak Motus a uma freqüência de 60 Hz, previamente calibrada. As imagens foram editadas e os marcadores reflexivos digitalizados através do software Ariel Performance Analysis System - APAS 1.4 ® para obtenção dos ângulos articulares do quadril, joelho e tornozelo e das variáveis espaço temporais. Os dados cinemáticos foram filtrados com Butterworth 4ª ordem e passa baixa com freqüência de corte de 6Hz. Utilizou-se estatística descritiva para caracterização das variáveis clínicas e das variáveis cinemáticas na velocidade habitual e para a comparação entre as velocidades aplicou-se ANOVA medidas repetidas; para verificar entre quais velocidades houve diferenças, aplicou-se o Post hoc de Bonferroni. Adotou-se p≤0,05. Os resultados indicaram que os sujeitos apresentaram níveis elevados de índice de massa corporal, apresentando graus variados de osteoartrose de joelhos. Os indivíduos relataram queixa moderada de dor e rigidez no joelho, e que acarretam em dificuldade no desempenho das funções diárias. Observou-se que a osteoartrose de joelho pode desencadear redução do comprimento de passada, tempo de balanço, amplitudes de movimento de quadril e joelho e da extensão de quadril e aumento do tempo de apoio, flexão de joelho no contato inicial e diminuição das amplitudes de movimento de quadril e joelho e a diminuição da extensão de quadril. O aumento na velocidade provocou diminuição da máxima plantiflexão de tornozelo, amplitude de movimento do tornozelo, máxima flexão de joelhos e diminuição da máxima dorsiflexão. Nas variáveis angulares tornozelo no contato inicial, joelho no contato inicial, máxima extensão de joelhos e amplitude de movimento de joelhos, ocorreram compensações pela diferença do piso fixo e móvel. Contudo, as características clínicas e demográficas dos sujeitos demonstraram uma predisposição da amostra estudada a uma progressão da doença e podem indicar perda da capacidade funcional. Os indivíduos com osteoartrose de joelhos apresentaram características cinemáticas de marcha diferentes de sujeitos sem osteoartrose citados na literatura e tanto variáveis espaço temporais quanto variáveis angulares sofreram modificações em função do acréscimo de velocidade.

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