Análise Cinemática do Salto Horizontal de Crianças

Por: Roberta Castilhos Detânico.

2008

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Resumo

O objetivo deste estudo descritivo exploratório foi avaliar as características cinemáticas do salto horizontal de crianças em diferentes estágios de desenvolvimento motor. Especificamente: verificar o estágio de desenvolvimento motor das crianças por segmento corporal e nas diferentes fases do salto horizontal; identificar e comparar os ângulos inter segmentares do salto horizontal de crianças entre diferentes estágios; verificar a contribuição dos parâmetros angulares no desempenho do salto horizontal nos diferentes estágios. Participaram 90 crianças da Grande Florianópolis-SC, ambos os sexos, idade entre 5 e 13 anos (8,52±2,36 anos), cujos pais consentiram a participação na pesquisa, mediante apresentação da autorização e termo de consentimento preenchidos e assinados. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UDESC. Utilizou-se como instrumentos uma câmera de vídeo e a matriz de análise qualitativa do salto horizontal de Gallahue. Selecionouse as variáveis: ângulo de joelho, ângulo de quadril, ângulo de tronco e ângulo de membro superiores nas fases de propulsão, de vôo e de aterrissagem do salto horizontal e distância alcançada. Após devidamente autorizadas as crianças foram encaminhadas ao Laboratório de Biomecânica da UDESC. As crianças passaram por um período de familiarização com o ambiente e equipamentos. Após o preenchimento da ficha de identificação e a demarcação dos pontos anatômicos foi realizada a aquisição dos dados antropométricos e cinemáticos, esses a uma freqüência de 60 Hz. Previamente à coleta fez-se a demonstração da tarefa através de um vídeo e em seguida as crianças executaram 3 saltos horizontais válidos. Os dados cinemáticos foram filtrados com Butterworth 4ª ordem, passa baixa com freqüência de corte variando entre 6 e 10 Hz. A análise dos dados constituiu-se de uma parte qualitativa e uma quantitativa: a primeira composta pela classificação dos segmentos corporais em estágios inicial, elementar e maduro; a segunda, a captura dos ângulos, ambas em instantes específicos das fases de propulsão, vôo e aterrissagem do salto, conforme sistemática de Estrázulas (2006), baseada na matriz analítica de Gallahue. Utilizou-se a estatística descritiva: distribuição de freqüências, média, desvio padrão, coeficiente de variação, mínimo e máximo, limites inferior e superior do intervalo de 95% de confiança para a média e gráficos Box-plot. Para comparação entre as médias dos três estágios aplicou-se a ANOVA One way e para verificar entre quais estágios estas diferenças se encontravam, o post hoc de Scheffé; para verificar a contribuição dos parâmetros angulares na performance do salto, a Regressão Linear Múltipla - Stepwise. Adotou-se p 0,05. Na comparação dos ângulos segmentares encontraram-se diferenças estatisticamente significativas entre todos os estágios em todas as fases do salto. Conclui-se que os segmentos corporais apresentaram diferentes tempos de maturação, tendo os membros inferiores maturação mais tardia. Os ângulos de joelho, quadril, tronco e membros superiores mostraram-se bons indicadores do estágio de desenvolvimento motor. Apenas o ângulo de membro superior na fase de vôo apresentou contribuição significativa para o desempenho do salto, que pode ser decorrente da grande importância da utilização dos braços na execução do salto horizontal.

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