Análise Comparativa das Emoções Vivenciadas Pelos Alunos com a Descrição Que Seus Professores Fazem das Mesmas

Por: e .

Revista Brasileira de Educação Física e Esporte - v.10 - n.1 - 1996

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RESUMO

Apesar da importância das emoções no processo de interação dos seres humanos, este aspecto é negligenciado pela literatura, inclusive aquela que trata do processo ensino-aprendizagem. Este trabalho tem por objetivo a identificação de discrepâncias entre as emoções vivenciadas por alunos(as) de 2o. grau em aulas de Educação Motora na escola e a visão dos professores sobre estas emoções, através de uma análise quantitativa. Para isto, foi utilizado o instrumento "Inventário de Emoções", que é composto de um elenco de emoções, avaliadas em sua freqüência de ocorrência. Os resultados ratificam aqueles encontrados por Winterstein (1995), em pesquisa realizada com outros sujeitos, onde foram verificadas discrepâncias entre a ocorrência e freqüência de emoções percebidas pelos professores e aquelas realmente vivenciadas pelos alunos.

INTRODUÇÃO

Emoções, sentimentos, afetos... são fenômenos com alguma característica comum mas que apresentam distinções entre si (Engelmann, 1978). Termos diferentes, muitas vezes usados, por autores diversos, para denotar o mesmo sentido. Sejam palavras sinônimas ou com significados diferenciados (Mandl & Euler, 1983), elas tem importância vital no comportamento humano. Emoções tem função regulativa na preparação, execução e avaliação de ações (Nitsch & Hackfort, 1981). Pelas dificuldades de sua investigação, e pela complexidade de seus processos de desenvolvimento, as emoções fixaram-se como fenômeno dos mais controvertidos. Esta complexidade não se limita ao âmbito teórico ou científico, mas se verifica amplamente no âmbito pessoal. Cada vez mais, nos defrontamos com indivíduos que encontram dificuldades em controlar as próprias emoções, ocasionando problemas nas interações pessoais, seja no trabalho, na escola ou no ambiente familiar. O principal problema é que este descontrole pode interferir nas relações sociais, alterando inclusive os processos emocionais de outros indivíduos (Engelkamp, 1983). Uma pessoa que demonstra medo excessivo diante de determinada situação, pode provocar a mesma emoção em outra pessoa que, se estivesse sozinha, talvez não tivesse a mesma reação. Pode-se ainda alterar o estado emocional de uma pessoa com um simples olhar, uma expressão mímica ou com uma frase (Brandstaetter, 1990). A aprendizagem, isto é, a modificação da estruturação do meio ambiente e do comportamento de um indivíduo, com o objetivo de melhorar o domínio deste meio ambiente, não é um processo somente cognitivo, mas também afetivo. Educador e educando constróem, em sua interação, um relacionamento emocional, cuja qualidade pode fomentar, mas também prejudicar, o aprendizado (Brocher citado por Andreas, 1975). Assim, é de se supor que determinadas ações dos indivíduos envolvidos no processo educativo - aqui com ênfase no professor e no aluno - levam ao desencadear de emoções que, muitas vezes, interferem negativamente nos processos motivacionais, nas relações interpessoais, no desenvolvimento da personalidade, etc., que por sua vez exercem forte influência na aprendizagem (Singer & Wessling-Lünnemann, 1993, p.140; Weber, 1975). Estas interferências podem também, por outro lado, ser positivas. A título de exemplo, Lembo afirma que "ouvir com atenção e simpatia é, talvez, a condição fundamental e mais necessária para possibilitar o desenvolvimento de um relacionamento franco e confiante e para permitir ao estudante alcançar níveis mais construtivos de comportamento" (1975, p.88). Aqui, portanto, a simpatia, enquanto emoção, exerce papel importante no processo de aprendizagem. Heckhausen (1989, p.16) afirma que, parte decisiva do processo de motivação depende das emoções que acompanham as avaliações dos resultados de uma ação. Na medida em que, uma intenção de ação foi realizada ou não, e a que causas se atribui esta realização ou não-realização, resultam emoções que são características para o respectivo sistema motivacional (Weiner, 1980, 1982, 1984, 1986, 1992). A teoria da atribuição1 oferece, neste sentido, bons indícios de que, se atribuições relativas a um evento determinam o surgimento de certas emoções, então deve ser possível avaliar uma atribuição, através da emoção manifestada por um indivíduo (Meyer, Schützwohl & Reisenzein, 1993). Sendo assim, um professor pode, através de uma emoção manifestada pelo aluno, verificar a que ele atribui êxitos e fracassos e, conseqüentemente, interferir no caso de atribuições inadequadas. A atribuição é um dos componentes importantes no processo de motivação (Meyer, 1973; Winterstein, 1992). É preciso identificar as emoções que aparecem com maior freqüência, durante o processo de aprendizagem, assim como as causas atribuídas a estas emoções, do ponto de vista dos alunos e dos professores. No presente trabalho são estudadas, especificamente em aulas de Educação Física, a manifestação e a atribuição de causas, de processos emocionais vivenciados por alunos, relatados por eles próprios e pelos professores.

JUSTIFICATIVA

Se o tema "emoções" tem sido pouco investigado, no âmbito da pesquisa em Psicologia de maneira geral (Scherer, 1981), não é de se admirar que na área das Ciências da Educação permaneça a mesma situação. O professor, na preocupação cada vez maior de transmitir conteúdos e em meio a aspectos organizacionais, de rendimento e de avaliação, perde de vista os sentimentos, desejos e emoções de seus alunos (Cunha, 1986). Nas aulas de Educação Física, onde se imagina que as emoções possam vir à tona sem qualquer tipo de bloqueio2, a situação não é melhor. Os poucos trabalhos publicados na área concentram-se na emoção "medo" (Allmer, 1984), seja ela manifestada por parte do professor ou do aluno (Singer & Wessling-Lünnemann, 1993; Weidenmann, 1975, 1981). Guiada por uma tradição extremamente dualista, a Educação Física tem se preocupado com o aprimoramento físico do homem, aumentando o seu rendimento através da melhoria das capacidades e habilidades físicas, deixando de lado, quase que totalmente, os aspectos emocionais dos indivíduos envolvidos em sua prática (Moreira, 1991). Neste sentido procura-se, através do presente trabalho, resgatar a importância dos aspectos emocionais nas aulas de Educação Física, principalmente aqueles relacionados com a interação Professor-Aluno no processo Ensino-Aprendizagem. Um professor pode, através de suas ações, desencadear diferentes reações emocionais nos seus alunos, podendo ser positivas ou negativas e, até mesmo, influenciar as suas atitudes momentâneas. É possível ainda que determinadas ações venham modificar características de personalidade (como auto-estima, auto-valor, etc.) e de motivação (Winterstein, 1991). Segundo McClelland, Atkinsons, Clark & Lowell (1953), pioneiros no estudo da motivação, motivos possuem um forte componente emocional. A influência das estratégias didáticas do professor sobre as características e tendências motivacionais dos alunos, puderam ser comprovadas em alguns estudos, inclusive em aulas de Educação Física (veja entre outros Beier, 1980; Hecker, 1984; Kleine, 1980; Krug, Mrazek & Schmidt, 1980; Wessling-Lünnemann, 1983). No Brasil, Winterstein (1991) verificou melhorias no Motivo de Realização, em escolares de Campinas, após oito meses de aulas de Educação Física ministradas por professores orientados para este fim. Esta melhoria na motivação deveu-se principalmente ao desenvolvimento de um Nível de Aspiração adequado e na correção de atribuições incorretas, através de medidas didático-pedagógicas (Winterstein, 1992). Isto significa que objetivos são determinados de acordo com as capacidades do indivíduo e com possibilidades de se obter êxito, o que evita a vivência de emoções tais como medo, descontentamento, auto-valor negativo, etc. A identificação, por parte dos professores, dos tipos de emoções mais freqüentes, manifestadas nas situações de ensino, sejam elas desencadeadas por suas ações ou não, assim como o conhecimento de sua intensidade e conseqüências, podem colaborar de maneira significativa para seu aprimoramento profissional, aumentando as possibilidades de se relacionar afetivamente com seus alunos, de compreendê-los melhor e até de melhorar a sua eficiência e eficácia no ensino.

OBJETIVOS

  • Avaliar, através da manifestação de alunos, quais emoções ocorrem durante as aulas de Educação Física na escola e com que freqüência.
  • Avaliar, através da opinião de professores, quais emoções eles acreditam ocorrer com seus alunos durante as aulas de Educação Física.
  • Verificar se há discrepância entre a avaliação que professores fazem das emoções vivenciadas por seus alunos e as emoções realmente vivenciadas pelos mesmos, tanto na sua qualidade quanto na sua freqüência.

METODOLOGIA

Este trabalho se caracteriza por uma investigação exploratória analisada através de métodos quantitativos.

AMOSTRA

Participaram da Pesquisa um total de 58 sujeitos, sendo 40 alunos da 2a. série do 2o. grau de escolas estaduais da cidade de São Paulo e 18 professores de Educação Física, neste primeiro momento não foi levado em consideração o sexo e a idade dos participantes. Optou-se neste estudo pela participação de aluno(a)s de 2o. grau face à complexidade e a dificuldade da expressão verbal de emoções por parte de alunos do 1o. grau.

INSTRUMENTO DE PESQUISA

Para se verificar as concordâncias e divergências com que professores e alunos de Educação Física avaliam a manifestação e freqüência de emoções vivenciadas pelos próprios alunos foi desenvolvido um instrumento de pesquisa (o intrumento está reproduzido na TABELA 1, no original as caselas com a porcentagem estão em branco) que visa dar aos pesquisados uma relação de emoções baseada na lista de emoções de Mayring (1992). Este instrumento procura verificar, respectivamente, na opinião de professores e de alunos, quais são as emoções vivenciadas pelos alunos durante as aulas e qual é a freqüência destas emoções. Ele é composto de uma lista de 22 emoções, havendo ainda a possibilidade de serem incluídas, por parte do indivíduo pesquisado, outras emoções não mencionadas. Para cada emoção escolhida deverá ser atribuído o grau de incidência desta emoção em uma escala bipolar que inclui as possibilidades "nunca", "às vezes", "com freqüência" e "com muita freqüência" e "sempre". Antes de se aplicar o teste são dadas intruções padronizadas aos respondentes. Embora haja evidências de validade do instrumento utilizado o mesmo ainda se encontra em processo de validação.

COLETA DOS DADOS

Os questionários foram aplicados a alunos e seus respectivos professores bem como a outros professores que participavam de cursos de aperfeiçoamento.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO

A comparação entre os resultados do instrumento, respondidos por professores e alunos, foi submetido ao teste "U" de Mann-Whitney, considerando-se um nível de significância de 0,05%.

RESULTADOS

Quanto às respostas apresentadas pelos alunos no questionário de múltipla escolha (TABELA 1) pode-se verificar que as emoções mais mencionadas como nunca ocorrentes nas aulas de Educação Física são Nojo, Desprezo, Medo, Ódio, Ciúme, Inveja, Depressão, Culpa e Ócio. Todas elas podem ser entendidas como emoções "negativas" (Schlattmann & Hackfort, 1991). As emoções apontadas pelos alunos como sempre ocorrentes foram Simpatia, Esperança, Alegria, Satisfação e Felicidade, todas elas "positivas". Com as emoções que se manifestam às vezes, há também uma crescente freqüência de emoções "negativas", como Desprezo, Aborrecimento, Tristeza e Vergonha.

TABELA 1 - Quadro de ocorrência de emoções apontadas por alunos e suas respectivas freqüências (n = 40).  

Emoção nunca às vezes com freq. c/muita freq. sempre
Amor 28% 52% 10% 8% 2%
Simpatia 9% 22% 38% 8% 23%
Orgulho 27% 42% 8% 5% 18%
Esperança 13% 32% 13% 8% 34%
Surpresa 28% 39% 15% 13% 5%
Nojo 69% 23% 3% 5% -
Desprezo 54% 43% - 3% -
Aborrecimento 15% 60% 15% 5% 5%
Medo 57% 40% 3% -
Ódio 57% 30% 8% 5% -
Ciúme 69% 23% 3% 5%
Inveja 88% 12% - - -
Prazer 3% 32% 20% 15% 30%
Alegria - 15% 18% 25% 43%
Satisfação 8% 15% 15% 20% 42%
Alívio  15% 44% 15% 3% 23%
Felicidade 3% 15% 20% 20% 43%
Depressão 60% 35% 5% - -
Tristeza 40% 60% - - -
Vergonha 33% 59% 5% 3% -
Culpa 51% 43% 3% 5% -
Ócio 72% 18% 5% 3% 3%

Para os professores (TABELA 2), apesar das emoções que eles acreditam nunca ocorrerem com seus alunos também serem "negativas", elas são em menor número: Nojo, Ódio, Depressão e Ócio. Na opção às vezes cresce, também, a freqüência de emoções negativas, tais como Aborrecimento, Medo, Tristeza e Vergonha. As maiores freqüências na opção sempre foram todas positivas, são elas Esperança, Prazer, Alegria e Satisfação.

TABELA 2 - Quadro de ocorrência de emoções apontadas por professores como manifestadas por seus alunos suas respectivas freqüências (n = 18).  

  Emoção nunca às vezes com freq. c/muita freq. sempre
Amor 6% 32% 17% 28% 17%
Simpatia - 45% 44% 11%
Orgulho 11% 17% 49% 17% 6%
Esperança 11% 33% 22% 6% 28%
Surpresa 6% 22% 60% 6% 6%
Nojo 44% 56% - - -
Desprezo 39% 44% 17% - -
Aborrecimento - 77% 11% 6% 6%
Medo 6% 50% 22% 11% 11%
Ódio 44% 44% 6% 6% -
Ciúme 11% 34% 33% 22% -
Inveja 17% 38% 28% 17% -
Prazer - - 11% 50% 39%
Alegria - - 28% 39% 33%
Satisfação - - 33% 56% 11%
Alívio  17% 44% 16% 17% 6%
Felicidade 6% - 44% 22% 28%
Depressão 44% 50% 6% - -
Tristeza 6% 83% 11% - -
Vergonha 17% 44% 28% 11% -
Culpa 33% 50% 17% - -
Ócio 39% 49% 6% 6% -

Comparando as respostas do teste de múltipla escolha, entre professores e alunos, pode-se verificar diferenças estatisticamente significantes em algumas emoções (TABELA 3).

Todas as diferenças apontam para uma média maior por parte dos professores, o que significa que estas emoções, na opinião dos professores, ocorrem com maior freqüência com seus alunos, do que os próprios acreditam que ocorra.

TABELA 3 - Quadro de emoções com diferenças estatisticamente significantes (p < 0,05) entre a freqüência apontada por professores e alunos.  

  Média dos Pontos  
  Professor Aluno z p
Amor 39,54 24,94 -3,26 0,001
Surpresa 36,50 26,35 -2,20 0,02
Medo 43,31 23,29 -4,53 0,000
Ciúme 42,83 23,50 -4,39 0,000
Inveja 44,78 22,63 -5,48 0,000
Prazer 37,22 26,02 -2,42 0,01
Tristeza 37,72 25,80 -3,03 0,002
Vergonha 36,64 26,29 -2,40 0,01
Ócio 35,78 26,76 -2,13 0,03
Tensão 37,47 25,91 -2,56 0,01
Solidão 36,17 26,50 -2,30 0,02

O quadro apresenta maior discrepância com emoções "negativas" (Medo, Ciúme, Inveja, Tristeza, Vergonha, Ócio, Tensão e Solidão), embora apareçam também o Amor e o Prazer com um índice menor. Verificou-se que tanto os professores, como os alunos, manifestam como sempre, emoções positivas, sendo que a Alegria aparece como a emoção mais citada por ambos. Pode-se dizer que as oportunidades dos alunos expressarem esta emoção é amplamente oferecida em aulas de Educação Física, justificando esta opção. Em pesquisa realizada por Picollo & Winterstein (1995) os alunos deixam claro que a aula de Educação Física é um momento de distração, de diversão, chegando a denominá-la de "relaxamento de aulas maçantes".

DISCUSSÃO

A predominância de manifestação de emoções positivas em relação às negativas nas aulas de Educação Física, revelada pelos alunos, aponta que, apesar das constantes críticas que se faz a esta disciplina no 2o. grau, o clima emocional, e conseqüentemente o motivacional (Weiner, 1980, 1986) é bom. Não se deve, no entanto, desprezar a hipótese de que os alunos tenham apontado com maior freqüência emoções positivas com o intuito de agradar os professores, embora sua participação tenha sido anônima e não se tenha estabelecido o vínculo professor-aluno. É possível ainda que eles tenham tido receio de expressar suas emoções negativas, ou mesmo que as lembranças das emoções positivas sejam mais fortes do que as negativas. Existe uma relativa coincidência entre as emoções apontadas com as freqüências nunca e sempre, nas respostas de alunos e professores, o que pode revelar uma certa empatia entre os sentimentos vivenciados pelos alunos e os percebidos pelos professores. As diferenças, estatisticamente significantes, entre a freqüência média total da manifestação das emoções de professores e alunos, trazem alguns pontos importantes para reflexão. Os professores acreditam que os alunos vivenciam com maior freqüência emoções negativas do que os alunos revelam vivenciar. Isto pode acarretar uma distorção na avaliação das atribuições dos alunos e, conseqüentemente, erros no planejamento de procedimentos de ensino (Wessling-Lünnemann, 1983; Winterstein, 1991, 1992, 1995). O professor que percebe em seus alunos uma predominância de emoções negativas em relação às positivas deve, provavelmente, ser influenciado, por esta percepção, no seu planejamento de ensino, na realização de suas aulas, assim como em sua própria motivação (Winterstein, 1994). Vale a pena lembrar aqui os experimentos realizados já na década de 60, onde professores se deixavam influenciar pela imagem que outras pessoas lhes passavam sobre alunos para quem iriam dar aulas (camaleão em sala de aula). O professor que percebe em seus alunos, por exemplo, maior freqüência de tristeza, do que os próprios alunos dizem vivenciar, pode ter suas ações influenciadas por esta percepção equivocada. O professor pode, ainda, atribuir esta tristeza, que na realidade é menos freqüente e intensa do que ele imagina, à sua incompetência no trato com os alunos, o que pode levar a uma interação conflituosa entre professor e alunos. Interpretações como estas podem acontecer, com mais freqüência, em aulas de Educação Física, pois muitas vezes, as dificuldades de execução que um aluno pode ter, em relação às propostas de atividades dadas, podem se transformar em falta de motivação na sua participação. Esta atitude pode levar o professor a definir sua aula como não motivadora e, em função disto, alterar seus propósitos. Sabemos que os trabalhos desenvolvidos nesta área podem promover maior interação entre professor e aluno, em função das oportunidades que o aluno tem de se expressar corporalmente. Engelmann (1978), cita em seus estudos que muitos pensadores concordam que as expressões corporais são manifestos das emoções vividas. A partir destas verificações, salientamos a importância de um professor de Educação Física conseguir perceber as emoções expressadas por seus alunos em atividades desenvolvidas.

CONCLUSÕES

Podem ser indicados como conclusões no presente estudo os seguintes aspectos:

  • Tanto do ponto de vista dos alunos, quanto dos professores, emoções positivas estão mais presentes, nas aulas de Educação Física, do que emoções negativas.
  • Percebe-se uma discrepância entre as emoções vivenciadas por alunos e a avaliação que os professores fazem das mesmas.
  • Esta discrepância mostra que professores julgam que os alunos vivenciam com maior freqüência emoções negativas do que os alunos revelam realmente vivenciar.

Em função destas conclusões recomenda-se:

  • Deve-se alertar os professores, tanto em sua formação profissional quanto em seu aperfeiçoamento e qualificação, para a importância e necessidade de uma avaliação adequada das manifestações emocionais do aluno.
  • Existe a necessidade de se aprofundar no assunto, realizando outras investigações na área. Sugere-se, por exemplo, verificar a que os professores atribuem a manifestação das emoções que eles detectam em seus alunos.

NOTAS

  1. A teoria da atribuição se ocupa com as explicações causais subjetivas que os indivíduos buscam dar aos eventos realizados por eles. Face a complexidade desta teoria torna-se impossível um aprofundamento do assunto no presente trabalho, recomenda-se, portanto, a leitura de alguns textos que tratam do assunto. Veja: Weiner 1980, 1982, 1984, 1986, 1992.
  2. São expressões frequentes no senso comum: "é nas quadras esportivas que se revela o verdadeiro caráter" ou "certas modalidades esportivas servem para descarregar as emoções", etc.

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