Análise Comparativa de Variáveis Dinâmicas da Marcha Entre Indivíduos Adultos Praticantes de Caminhada e Idosos.

Por: Roberta Pires.

56ª Reunião Anual da SBPC

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Introdução:

na literatura está bem definido que as capacidades físicas e motoras dos indivíduos podem ser alteradas tanto pelo exercício como pelo processo de envelhecimento. Se por um lado o treinamento objetiva a melhoria destas valências, o processo de envelhecimento, em condições de normalidade, tende a produzir perdas. Neste sentido torna-se importante investigar as características dinâmicas da marcha destas populações tendo em vista que muitas pessoas têm praticado a caminhada na busca de benefícios de ordem física, ou voltados à saúde, estética e lazer, bem como comparar as mesmas variáveis com a população idosa considerando as possíveis modificações anátomo-fisiológicas advindas com o passar dos anos aliadas aos hábitos sedentários que a maioria dos idosos adotam. Com base no exposto e atentando para possíveis diferenças, justifica-se a realização deste estudo com o objetivo geral de analisar as variáveis dinâmicas da marcha de dois grupos: indivíduos adultos praticantes de caminhada e idosos. Especificamente, identificar e comparar os valores das variáveis dinâmicas da marcha: primeiro pico de força (ppf), segundo pico de força (spf), força de suporte médio (fsm), taxa de aceitação do peso (tap) e taxa de retirada do peso (trp) entre esses dois grupos.

metodologia:

participaram, voluntariamente, do estudo descritivo diagnóstico 50 sujeitos de ambos os sexos, compreendendo dois grupos: 15 idosos com idade entre 64 e 83 anos e média de 63,33 (±25,3) anos e 35 adultos praticantes de caminhada com idade entre 18 e 37 anos e média de 24,14 (±4,5) anos. os dados foram coletados no laboratório de biomecânica do centro de educação física, fisioterapia e desportos da udesc. utilizou-se, como instrumento de coleta, uma esteira ergométrica kistler - 9810sl com duas plataformas de força de cristais piezoelétricos acopladas à sua base, que permitem registrar a força vertical de reação do solo. para a aquisição dos dados adotou-se os seguintes procedimentos: a) a pesagem dos sujeitos sobre a esteira para posterior normalização dos dados em função do peso corporal, b) período suficiente de adaptação ao equipamento e c) aquisição dos dados dinâmicos da marcha na velocidade de 4 km/h, com freqüência de amostragem de 600 hz e tempo de aquisição de 12s. os dados foram processados utilizando-se o software gaitway for windows® versão 1.08, e organizados em um banco de dados específico e tratados com estatística descritiva e inferencial (teste "t" de student) considerando p ≤ 0,05.

resultados:

na comparação das diferentes variáveis entre adultos praticantes de caminhada e idosos, houve diferença significativa apenas nas variáveis spf maior para os adultos com 1,06pc e 1,01pc para os idosos e p=0,01 e tap, maior para os idosos com 8,22pc/s enquanto os adultos apresentaram uma tap de 6,85pc/s, isso com um p=0,001. mesmo não sendo estatisticamente diferentes, constatou-se que (a) os idosos apresentam o ppf (1,07pc) superior ao ppf dos adultos (1,05pc), ambos próximos aos valores citados na literatura em torno de 1,1 pc; ); (b) houve inversão de valores entre ppf e spf, sendo o spf maior nos adultos enquanto que o ppf maior nos idosos; (c) a fsm dos adultos foi maior (0,82pc) que a dos idosos (0,79pc); (d) os valores de trp foram (5150,73n/s) para os idosos e (5301,97n/s) para os adultos, ambos inferiores aos da literatura aproximadamente (6000n/s). em síntese, os resultados obtidos indicam que os idosos por apresentarem aumento na tap e diminuição do spf em relação aos adultos praticantes de caminhada, em decorrência do processo de envelhecimento e da redução de atividades motoras, tenham reduzido a força propulsora dos músculos extensores dos membros inferiores combinado com encurtamento dos isquiotibiais.

conclusões:

concluiu-se que as diferenças em algumas variáveis dinâmicas da marcha entre os adultos praticantes de caminhada e os idosos, estejam possivelmente relacionadas à prática de exercícios físicos e às modificações no sistema ósteo-mio-articular como conseqüências do processo de envelhecimento. os adultos praticantes de caminhada apresentaram maior segundo pico de força, força de suporte médio e taxa de retirada do peso, características estas que podem ser atribuídas a maior capacidade motora desses indivíduos, principalmente quanto ao spf que é dependente desse grupo muscular propulsor. os idosos apresentaram maior primeiro pico de força e taxa de aceitação do peso, a primeira relacionada ao encurtamento dos isquiotibiais, enquanto que o aumento da tap aponta para dificuldades de equilíbrio e/ou controle motor durante o ato de caminhar.

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