Análise dos Esforços de Alta Intensidade de Jogadores de Futebol Profissional

Por: Ana Lorena Marche.

2010 13/10/2010

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Resumo

O objetivo deste trabalho foi caracterizar os esforços de alta intensidade realizados por jogadores de futebol durante jogos oficiais. Para isso foram gravadas nove partidas da primeira divisão do campeonato brasileiro de 2001 a 2008, por quatro câmeras digitais, com uma frequência de aquisição de 7.5 e 30 Hz, posicionadas em um local elevado do estádio. A trajetória dos jogadores durante a partida inteira foi obtida através do software Dvideo, que permite a medição semi-automática da posição dos jogadores. Em seguida, realizou-se a reconstrução 2D dos dados e, de posse das coordenadas bidimensionais de todos os jogadores em campo durante todos os jogos, os quais foram suavizados através do filtro digital Butterworth de 3ª ordem, em uma freqüência de corte de 0,4 Hz, disponível no software Matlab®. Neste estudo foram analisados 107 jogadores que atuaram durante a partida inteira, excluindo-se os goleiros. Os jogadores foram divididos em cinco posições: zagueiros (n=27), laterais (n=25), volantes (n=18), meias (n=17), atacantes (n=20). As curvas de velocidade foram obtidas através da derivação numérica dos dados suavizados das trajetórias. No presente estudo, os esforços de alta intensidade (EAI) foram definidos contendo duas fases. O início da fase 1 foi definida como sendo o primeiro valor de mínimo local antes de um valor acima de 6,4 m/s e o final como sendo o instante que a velocidade ultrapassa de 6,4 m/s. O início da fase 2 foi definida como sendo o instante que a velocidade ultrapassa de 6,4 m/s e o final como sendo o instante que a velocidade diminui de 6,4 m/s. Os resultados encontrados foram: número total de EAIs de cada jogador (32 ± 12), distância percorrida nos EAIs na fase 1 e 2 (8 ± 5m, 12 ± 9m respectivamente), tempo de duração dos EAIs na fase 1 e 2 (2 ± 1s, 1,6 ± 1s, respectivamente), velocidade inicial (2 ± 1,5m/s), velocidade máxima (7 ± 1 m/s), tempo entre cada EAIs (158 ± 176s) e porcentagem do tempo andando depois do EAI (44 ± 17%). Comparando entre primeiro e segundo tempo, o número de EAIs realizados pelos jogadores mostrou uma queda significativa do primeiro para o segundo tempo. Já para o tempo entre cada EAI e a porcentagem do tempo andando ocorreu um aumento significativo do primeiro para o segundo tempo. Na comparação entre as posições, os resultados encontrados mostraram que os laterais percorrem uma maior distância e tiveram um tempo maior de EAI durante a fase 2 do que zagueiros e atacantes. Os laterais, atacantes e meias tiveram um tempo entre cada EAI menor em relação aos zagueiros e volantes. Já na porcentagem do tempo andando depois dos EAI os zagueiros e atacantes passam mais tempo andando em relação aos laterais, volantes e meias. O tempo entre cada EAI e a porcentagem do tempo andando depois dos EAIs no final do primeiro tempo e no final do segundo tempo tem diferenças significativas com os primeiros 15 minutos do primeiro e segundo tempo. Podemos concluir que ao incorporar a fase de aceleração, houve uma melhor caracterização dos esforços de alta intensidade dos jogadores de futebol, pois desta maneira os preparadores físicos tem informações sobre o esforço exigido durante uma corrida de alta intensidade.

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000782524&opt=1

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