Análise da Formação Inicial e dos Campos de Atuação dos Egressos de Um Curso de Educação Física – Licenciatura

Por: Daiani Clesnei Rosa e Derli Juliano Neuenfeldt.

XVIII Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e V Conice - CONBRACE

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Resumo

Um curso de graduação é uma formação inicial. Para atender a complexidade da prática pedagógica, Borges (1998) destaca as seguintes questões referentes à formação de professores: “Como deve ser a formação? O que é fundamental para a prática docente? Quais saberes são relevantes para dar uma base, ainda que inicial, ao professor?” (BORGES, 1998, p. 21).
Neste trabalho pretende-se abordar a questão da formação inicial do profissional em Educação Física - Licenciatura, tendo como partida os seguintes questionamentos: Quais são os principais campos de atuação dos egressos? Quais os pontos fortes do currículo que cursaram? Quais as dificuldades que os egressos têm encontrado no exercício da profissão?
Para tanto, a presente pesquisa tem como objetivo geral identificar e analisar os principais campos de atuação dos egressos de um Curso de Graduação em Educação Física – Licenciatura e se eles estão necessitando aprofundar conhecimentos adquiridos na graduação.
Este estudo justifica-se pela necessidade de conhecer o processo formativo que se dá na formação inicial. A partir disso, acredita-se ser possível analisar a repercussão do Projeto Pedagógico do Curso em relação à formação dos egressos de Educação Física - Licenciatura buscando elementos que possibilitem pensar a formação continuada.
METODOLOGIA DA PESQUISA
Esta pesquisa caracteriza-se como descritiva. A população do estudo é representada por 252 egressos de um curso de graduação em Educação Física – Licenciatura do RS/BRA, formados no período de 2005 a 2012. A amostra foi constituída de 44 egressos que representam 17,5% da população. Ela foi constituída de forma não aleatória, sendo composta por adesão voluntária e individual.
Para o desenvolvimento deste estudo foram coletadas informações mediante o uso de um questionário. A entrega e coleta dos questionários e do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aos respondentes se deu de duas formas: a) o pesquisador entregou pessoalmente ao egresso; b) via acadêmicos do curso de Educação Física ou outra pessoa que tivesse contato direto com algum participante da pesquisa.
As informações obtidas foram tabuladas fazendo-se a contagem das freqüências nas categorias estabelecidas, apresentadas em forma de freqüência percentil em relação aos indicadores que mais se destacaram. Além disso, foi realizada a triangulação das informações (TRIVIÑOS, 1987) com o referencial teórico. Cabe destacar que o nome dos egressos que participaram da pesquisa não foram divulgados, garantindo-se o anonimato.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Constatou-se que 84,10% dos egressos encontram-se em exercício profissional na área da Educação Física e que 15,90% não atuam na área. Predomina entre os participantes da pesquisa a possibilidade de atuação plena (88,64%), ou seja, na área escolar e não escolar. Evidenciou-se que 59,45% atuam apenas na área não escolar, 27,03% apenas na área escolar, 10,82% em ambas áreas e 2,7% na área não escolar e Ensino Superior.
Em relação aos níveis de ensino da área escolar tem-se: 42,11% na Educação Infantil, 36,84% no Ensino Fundamental e 15,79% no Ensino Médio. O estudo mostra a Educação Infantil como um campo promissor para a atuação dos licenciados em Educação Física. De acordo com Cavalaro e Muller (2009), a Educação Infantil é campo de atuação da Pedagogia e um dos entraves para a atuação de outro profissional, especialista, está relacionado à unidocência. Contudo, essas autoras defendem um trabalho integrado, no qual ocorra um planejamento coletivo entre o pedagogo e o professor de Educação Física.
Dos profissionais que exercem a profissão na área não escolar 46,51% atuam na orientação e prescrição de exercícios físicos; 20,93% na gestão do esporte e lazer, na área pública ou privada; 13,96% como docentes em escolinhas esportivas, técnicos ou árbitros; 9,3% em projetos sociais; 4,65% em grupos de terceira idade. Ainda, cabe destacar que, apesar de modesta (4,65%) já é perceptível a presença de profissionais de Educação Física atuando em equipes multidisciplinares da área da saúde.
Em relação aos pontos fortes do currículo os egressos apontaram que ele é muito bom no que se refere à formação de professor para a atuação no contexto escolar (21,82%). Destacaram as relações da teoria com a prática, principalmente a importância dos estágios e das práticas de ensino desenvolvidas nas disciplinas (23,64%), que tiveram conhecimentos diversificados (25,45%), possibilidade de atuação plena (14,54%), incentivo à busca de conhecimentos (5,45%) e contribuições para a formação pessoal (5,45%). Para Caparroz e Bracht (2007), um aspecto importante na formação do professor diz respeito a ele perceber-se e constituir-se como autor de sua prática pedagógica, imbuído de autonomia que deve ser construída e conquistada na sua competência didático-pedagógica para desenvolver sua prática pedagógica na complexa trama do cotidiano escolar.
Em relação as principais dificuldades no exercício da profissão, na área não escolar foi apontada a necessidade de mais conhecimentos na área biomédica e na prescrição de exercícios físicos (52,63%), assim como na área de gestão (26,32%). Outro aspecto diz respeio à falta de valorização profissional e financeira (15,79%). Já na atuação na escola foram mencionadas como dificuldades: a atuação na Educação Infantil (15,38%), a relação professor-aluno (15,38%), a resistência dos alunos ao novo (11,54%), a desvalorização e o desconhecimento do papel da Educação Física na escola (11,54%). A questão da falta de reconhecimento da Educação Física no contexto escolar é um aspecto que permeia o discurso dos professores, contudo também está presente, no contexto não escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que o principal campo de atuação dos egressos do curso de Educação Física – Licenciatura, deste estudo, é a área não escolar (70,27%). Em relação à formação os egressos mencionam que o currículo é muito bom no que se refere à formação de professor para a atuação no contexto escolar, destacam as relações da teoria com a prática, que tiveram conhecimentos diversificados, a possibilidade de atuação plena, incentivo à busca de conhecimentos e contribuições para a formação pessoal. Contudo, também se percebe que, ao mesmo tempo em que se valoriza a possibilidade de atuação plena se critica o fato de estarem percebendo a necessidade de mais conhecimentos nas áreas biomédicas e relacionados à prescrição de exercícios físicos, conhecimentos estes, hoje, contemplados no curso de Educação Física – Bacharelado. Na área escolar as maiores dificuldades estão relacionadas à atuação na Educação Infantil, na relação professor-aluno e na resistência ao novo. Em ambas as áreas é apontada, por parcela dos egressos, a necessidade de maior valorização do profissional de Educação Física.

Endereço: http://cbce.tempsite.ws/congressos/index.php/conbrace2013/5conice/paper/view/4877

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