Análise do Jogo de Goalball: Modelação e Interpretação dos Padrões de Jogo da Paralimpíada de Pequim 2008

Por: Márcio Pereira Morato.

2012 20/04/2012

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Resumo

Este estudo teve como objetivo interpretar os padrões e possíveis irregularidades no jogo de goalball, sinalizando diferenças no rendimento competitivo das equipes. Utilizamos a análise de jogo por meio de categorias descritoras dos princípios ofensivos (controle da bola, preparação do ataque e efetivação do arremesso) e defensivos (balanço defensivo, leitura da trajetória e interceptação do arremesso) do ciclo auto-organizacional dos sistemas-equipe. Foram registradas 3125 sequências de jogo, pela observação dos vídeos de dez partidas masculinas e dez femininas dos Jogos Paralímpicos de Pequim 2008. O instrumento ad hoc utilizado foi elaborado, testado e validado, segundo critérios de fidedignidade e objetividade, com recurso ao CEO e índice Kappa de Cohen. A análise de dados comportou a estatística descritiva e a estatística inferencial por meio do Coeficiente de Dispersão (CoDi), para analisar se existia diferença significativa entre variáveis e grupos de rendimento. Os resultados decorrentes da amostra estudada, evidenciaram a prevalência do sistema defensivo sobre o ofensivo, sendo ainda mais marcante no feminino, com apenas 2,8% de chances de marcar gol, contra 5,2% no masculino. No pênalti essas chances aumentam para 56% no masculino e 54% no feminino. No feminino as melhores equipes cometeram menos pênalti e converteram mais gols de jogo e de pênalti. No masculino o pênalti não influenciou o resultado das partidas, mas as equipes medalhistas aproveitaram melhor suas cobranças. O esquema tático mais utilizado no masculino foi o triângulo avançado e no feminino o básico. O central foi o mais exigido defensivamente nos triângulos e menos na escada. No ataque os alas atuam mais nos triângulos e na escada ocorreu uma divisão igualitária. As situações que mais precederam os arremessos foram a defesa e o bloqueio fora. Mas foi mais proveitoso atacar após tempo técnico e bola fora no masculino; defesa de pênalti e infração no feminino. Pedir tempo antes das cobranças de penalidade não foi interessante. O ataque regular foi o mais verificado, mas a flutuação no feminino e o quiet please no masculino foram as estratégias mais eficazes. Nas penalidades a jogada ensaiada foi melhor. O giro no masculino e o frontal no feminino foram as técnicas mais utilizadas. O frontal foi o mais eficaz nos pênaltis do masculino e o entre pernas no feminino. A bola com efeito foi a menos utilizada e mais eficaz no feminino. No masculino somente nas penalidades a bola lisa foi melhor. A reação coerente, o segmento corporal central e a defesa sem rebote foram as estratégias defensivas prevalecentes e auspiciosas, explicando a soberania defensiva. Não entrar em contato com a bola e ocasionar rebote para trás diminuíram a eficácia defensiva, assim como a defesa com o braço no feminino. As origens laterais e os setores centrais foram os de maior incidência. Os homens aproveitaram melhor o pênalti arremessando do centro e as mulheres da direita. O melhor trajeto de bola no masculino foi o1-d5 e no feminino o3-d6. Nos pênaltis o3-d6 no masculino e o6-d5 no feminino. 

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000852326&opt=1

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