Análises de Variáveis Cinemáticas das Fases do Ataque do Voleibol em Situação de Lactacidemia

Por: Angelo Pascale.

1994 21/10/1994

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Resumo

O objetivo deste estudo foi determinar se as variáveis cinemáticas de membros inferiores no salto vertical do movimento de ataque no voleibol sofriam modificações após uma série de ataques sucessivos. Foi feita ainda uma descrição destas variáveis no início e ao final da série de ataques

Foram selecionados 12 atletas de voleibol da equipe masculina universitária da UFRJ, com média de idade de 23,3 anos. Cada atleta executou em uma área pré-determinada o maior número de ataques possível no menor espaço de tempo, com a maior potência possível. Todos os saltos foram filmados em vídeo. O lactato plasmático foi dosado após o aquecimento e nos minutos 1,3, 5 e 10 da recuperação.

As variáveis amplitude articular, ângulo, velocidade angular e aceleração angular de quadril, joelho, tornozelo, pé, perna, coxa e tronco foram calculadas por cinematografia com a digitalização de marcas refletoras nas articulações. Foi usado o software BIOMEC para entrada de dados e cálculos das variáveis. Os dados foram filtrados com auxílio de um filtro digital Butterworth de 12 Hz.

Como resultado, uma elevada variação dos valores de lactato antes e após o esforço não se mostrou significativamente correlacionada com o intervalo entre cada ataque (0,26)., assim como desta variável com o tempo total dos ataques (0,41). Esse tempo total mostrou se correlacionado positivamente (0,57, p<0,05) com o tempo para cada ataque. Os valores máximos de lactato plamático pós esforço chegaram a 9,22 mmol/l, e a variação média 6,87 mmol/l.

A análise das variáveis cinemáticas mostrou os seguintes resultados: a) redução dos ângulos de coxa (Cx) e aumento de quadril (Qd) na fase de aterrisagem (AT), redução de Qd na fase de impulsão (IM), e aumento de Jô, pé e perna (Pn) e redução de Cx na fase de Vôo (VO); b) aumento de amplitude articular de tornozelo (Tn) nas fases de aproximação (AP) e AT; aumento de Pn e tronco (Tr) na fase de Im, e redução de Jô, pé, Pn, Cx e Tr na fase de VO; c) aumento da velocidade angular de Tn e redução de Jô, pé, Pn, Cx e Tr no VO; d) redução da aceleração angular de Cx e Tr na fase de VO. As demais variáveis nas diversas fases não mostraram alterações significativas. As médias foram comparadas pelo teste t de Student para amostras dependentes.

Concluiu-se que a série de ataques de voleibol foi capaz de submeter os atletas a um estado de lactacidemia semelhantes àquele encontrado após testes máximos em ergômetros. A variação da lactacidemia não foi proporcional à intensidade das ações desenvolvidas. As mudanças no padrão cinemático de membros inferiores na fase de vôo pode prejudicar o equilíbrio do corpo e a eficiência do salto, pela mudança na conservação do momento angular. A posição adotada pelos segmentos demonstram uma projeção à frente, permitindo supor um deslocamento do Centro de Gravidade. Na fase de aproximação, a única alteração constatada não permitiu evidenciar efeitos.Nas demais fases, os dados isolados não permitiram uma avaliação conclusiva. É provável que a lactacidemia apresentada, semelhante àquela do estado de fadiga metabólica, tenha relação com modificações na cinética da contração muscular e conseqüentemente nos padrões de movimento.

Endereço: http://www.dme.ufrj.br/~posgrad/mestrado/PG092-1994.html

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