Apontamentos Para a História de Barreirinhas ? Ma: Ao Zé Maria - da Casa da Farinha -, do Povoado de Tapuio

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APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DE BARREIRINHAS – MA:

ao Zé Maria - da Casa da Farinha -, do Povoado de Tapuio

 

Por

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Professor de Educação Física

Mestre em Ciência da Informação

CEFET-MA 

 

 

¨...Povo simples que acolhe no abraço e cativa que vem com amor...¨

 (hino de Barreirinhas)

INTRODUÇÃO

Em minha ultima viagem a Barreirinhas - Ma[1], acompanhando delegação dos Ministérios de Turismo e da Pesca (representando o MEC/CEFET-MA), juntamente com a missão espanhola da Agência de Cooperação Internacional, conheci o Zé Maria, da Casa da Farinha, do povoado de Tapuio. Em nossas conversas, sentimos falta de informações sobre Barreirinhas e sua história...

           Zé Maria: comecemos por “Tapuio”... Quando fui a Barreirinhas pela primeira vez[2], visitei o Tapuio. Perguntei ao guia (Louro) porque o povoado se chamava assim: “não sei”, foi a resposta... A mesma resposta dada pelo Edi Silveira (professor) e a Professora Eliane (diretora da Escola)[3]... Talvez porque tenha sido uma aldeia indígena? É o que afirma Maria das Graças Rocha:

“Outro indício de que o território de Barreirinhas era habitado por aborígenes quando a colonização portuguesa ali chegou, é a existência de povoado com o nome de Tapuio”. (p. 32)[4]

           Mas quem foram os tapuios? Lima (1998)[5] ensina que “tapuia” era a denominação genérica de uma das grandes divisões dos índios brasileiros: tupi-guarani e tapuia. Os tupis habitavam o litoral e os tapuias o interior.

Para Maranhão; Mendes Jr.; e Roncari:

“... os tapuias constituem um conjunto muito difícil de ser definido, em virtude das contradições entre os cronistas que a eles se referiram. Ao que tudo indica, tapuia era um termo utilizado pelos tupinambás para referir-se a índios pertencentes a um tronco lingüístico não-tupi, provavelmente do tronco macro-jê. O naturalista alemão von Martius (que esteve no Brasil no século XIX), autor do "Glossário das Línguas Brasileiras", afirmou que a palavra significava "inimigos". Outro cronista, Fernão Cardim, elaborou uma lista de setenta e seis tribos que seriam pertencentes ao grupo tapuia, mas que possuíam línguas, hábitos e costumes diferentes entre si. Desta maneira, torna-se impossível estabelecer detalhes maiores a respeito.
”Deixando de lado, por muito difícil, uma referência completa às pequenas tribos, são estes os principais grupos que contataram os portugueses, nos primeiros tempos após a sua chegada.

“No total, compunham uma população - na época da descoberta - de um milhão a um milhão e duzentas mil pessoas, hoje reduzida, diante da penetração da "civilização", a menos de cem mil.” .[6] (grifos nossos)

Muito embora os índios habitantes dos Lençóis fossem os Tremembés, a memória popular registra que outras tribos se localizavam no Preguiças. De acordo com Enéas Conceição[7] estes indígenas eram da nação Caeté, que teriam residido nos campos próximos à entrada do rio até o início do século passado e foram catequizados pelos capuchinhos.

           Maria das Graças Rocha considera plausível essa hipótese, por haver uma localidade ainda hoje denominada Caeté, como registro deste passado distante:

“Nesta localidade, costuma-se encontrar vestígios arqueológicos, como artefatos domésticos (pedaços de louça de porcelana e cerâmica), quando as dunas mudam de lugar. Este fato reforça a hipótese da existência desses índios e de catequizadores naquele lugar. Aliás, ainda levantando possibilidades, a invasão das ‘dunas vivas’, que se deslocam ao sabor dos ventos nessa região, pode ter contribuído para afastar os primitivos habitantes desse local”. (p. 32, citando Enéas Conceição)[8].

           Assim, como há uma localidade chamada Tapuio no Periá, conforme informa Röhrig Assunção (1988):

 

“Encontrou-se, nessa parte do Maranhão, somente duas aldeias com uma consciência de que descendem diretamente de povos indígenas: Periá (município de Humberto de Campos) e São Miguel (município de Rosário): ‘aqui era a aldeia dos índios Tiririca e Papacouro. Um pau cruzado era o meio do caminho. De lá era Miritiba que mandava (a família Mendes) e daqui para lá eram os índios. A princesa Isabel deu para N. Sa. da Conceição padroeira do Periá essa terra.

“’Eram duas aldeias vizinhas e unidas. Aqui o Periá e a Tapuia ali. Ai ainda chama o Tapuio, é mais pra baixo do rio’.” (Depoimento de Marcolino Alves da Costa, Periá – Humberto de Campos, a Röhrig Assunção, 1988, p. 129).

 

OS TREMEMBÉS 

“Cesar Marques, que cita Gonçalves Dias, explica que – "Taramembé quer dizer jorro, curso de água que abranda, ou que se espalha suavemente".

(In “PANORAMA HISTÓRICO DE TUTÓIA E ARAIOSES", de PAULO OLIVEIRA, São Luis, 1.987.)[9].

Vamos a outras explicações: os Tremembés. Servimo-nos de Oliveira (1987), em seu “Panorama histórico de Tutóia e Araioses” [10] quando trata dos “Índios Tremembés, seus usos e costumes”:

“Os ameríndios que habitavam no Maranhão, desde os tempos pré-históricos, classificavam-se em quatro principais grupos, a saber: Lácidos, Nordéstidas, Brasílidas e Mamelucos[11]. Os Nordéstidas se constituíram de duas únicas tribos: os Araioses e os Taramambeses (Taramenbeses ou Tremembés).

“Os Araioses habitavam no Delta do Parnaíba, enquanto os Taramenbeses conviviam no litoral maranhense, na área compreendida entre Turiaçu e Araioses. Sobre os Araioses pouca coisa se sabe, principalmente porque os esporádicos historiadores que abordam o tema reportam-se mais aos Tremembés do que àqueles”.

“O Padre Ivo D’Evreux deve ter sido o primeiro europeu a referir-se à nação Tremembé, pois não se conhece outro que o tenha precedido no assunto. O referido missionário capucinho, que acompanhou a expedição dos franceses, em 1.612, rumo ao Maranhão, quando aqui instalado e, registrando o mundo dos ameríndios aqui encontrado, fez referências a essa tribo, que dizia habitar além da Montanha Camossy, e nas planícies e areias da banda do rio Tury, não muito distante das Árvores Secas, das Areias Brancas, e da pequena Ilha de Santana’..." (Ivo d’Evreux, II Viagem ao Norte do Brasil", versão de C. Marques, Rio, 1.927).

“A forma dicionarizada deste integrante do grupo nordéstida, define o Tremembé, como o indivíduo dos Tremembés. E, na sua sinonímia, surgem múltiplas denominações, entre: "Taramambezes", chamado por Berredo; "Tremembés", designado pelo padre Ivo; "Tramambés" e "Tremembés", por C. Marques; "Tramembés", "Traramembés" e "Terembés", citados por outros cronistas.

“Cesar Marques, que cita Gonçalves Dias, explica que – ‘Taramembé quer dizer jorro, curso de água que abranda, ou que se espalha suavemente’’.

“O cronista piauiense P. da Costa, sobre o assunto, diz-nos que esses índios eram tapuias do ramo Cariri, famosos por serem exímios nadadores e, por isso mesmo, classificados pela Provisão Régia de 24 de abril de 1.723, de "peixes racionais". Que eram assim consignados, por serem extraordinários na forma de nadar, pescar e mergulhar, adaptando-se ao reino marinho similares a autênticos peixes.

“A respeito dessa incrível habilidade de natação de tais silvícolas, o nosso César Marques, com mais propriedade, expõe-nos o porque dessa alcunha de ‘peixes racionais’ (Dicionário Histórico e Geográfico da Província do Maranhão, Rio, 1.970): ‘Eram esses índios, entre todos os outros, insignes nadadores, e tão ousados, que só com o auxílio de seus braços, e quando muito de um pequeno remo, atravessavam a nado muitas léguas de mar. E quando eram acometidos, para se livrarem do perigo, nadavam mergulhando por muitas horas sem virem ao lume da água. E quando faziam isto, armavam-se de simples paus aguçados e curvos e assim afrontavam tubarões, e lh’os introduziam pelas bocas quando aqueles monstros as abriam para devorá-los, conseguindo assim por este meio extraordinário matá-los e trazê-los à praia.’

“Os índios Tupis e seu oriundos, os Tupinambás, tremiam nas vertentes quando tinham a desdita de confrontar-se com os Tremembés, descendentes dos Tapuias, que era a designação dada pelos Tupis aos indígenas inimigos. Ou conforme relato de Odilon Nunes, historiador piauiense, "os tupis jamais se assenhorearam de seus penates que sempre defenderam com heroísmo e tenacidade" (Odilon Nunes, Pesquisas Históricas do Piauí, Teresina, vol I).

“Também, tinham razão os Tupis em temer os Tremembés, pois ‘eram os mais bem figurados, valentes e prestimosos que tinha esta Capitania, segundo o pensar do governador Gonçalo Pereira Lobato’, e citado por Marques; ou de conformidade com o padre Ivo, que argumentava: - ‘os Tremembés eram ferozes inimigos dos Tupinambás’; enquanto Carlos Lima discrimina-os de ‘ferozes, vingativos e traiçoeiros’ (Carlos de Lima, História do Maranhão, São Luís, 1.981).

“Por conseguinte, não eram tanto assim; pois, uma vez conquistada a amizade de tal gentio, este se tornava prestativo, camarada, dócil, ou, sintonizando opinião de Pereira Costa, eram ‘mansos e pacíficos, formosos e bravos’. Como quem quer dizer, ‘leão doméstico não é uma ex-fera". Mesmo, caso fossem indomáveis, como atesta Marques, jamais seriam catequizados pelos jesuítas, que os agrupou em aldeamento, similares aos Tupinambás, seus arquiinimigos.

“Referente aos seus costumes e usos, acrescentamos que, em tempo de guerra, tocavam sua trompas feitas de grosso madeiro, cavado no centro, com duas aberturas nas extremidades, semelhante a uma trompa. Esta informação vem através do padre Ivo d’Evreux, em sua citada obra, na qual acresce que tais ameríndios traziam seus machados de pedra sempre amolados, uma vez que tinham o hábito de os amolarem, em todas as noites de lua crescente; e diante de cujo ato as moças e os meninos índios, dançavam defronte das choupanas; pois acreditavam eles que, burilando suas armas sob aquele rito e superstição, jamais seriam derrotados.

“De destaque, ainda, quanto aos seus usos e costumes, antes de conhecerem a sistemática de aldeamento, esses ameríndios não possuíam casas fixas, a não ser choupanas rústicas e frágeis, erguidas aqui e acolá, ao longo de suas perambulanções pelo litoral maranhense. Não gostavam de plantar, pois sua vida nômade não permitia o trato com a lavoura, vivendo e convivendo, errantes, ao longo da costa litorânea e das planícies, preferencialmente, de onde, como enfatiza o padre Ivo, com um simples relance de vista alumbravam tudo o quanto estivesse ao alcance dos olhos. Também, para dormir, utilizavam como cama o próprio areial branco, geralmente esconso em local estratégico, bem protegidos e bem camuflados por entre os galhos das árvores; ou, como esclarece melhor o referido capucho: - ‘servem-se desses lugares de areias brancas, e de árvores secas para agarrar os Tupinambás, como ratoeiras para pilhar ratos.’

“Sobre a compleição física dos mesmos, o respeitável missionário enfoca, de forma quixotesca: ‘São todos robustos a ponto de segurarem pelo braço um de seus inimigos e atirarem ao chão, como se fosse um capão’.

“Incrivelmente, a essa robustez e força se associava o canibalismo por eles praticado. Aliás, também os Tupinambás, antes de catequizados, praticavam a antropofagia, comendo a carne de seus inimigos, não por fome, mas por vingança e honradez, através de um ato requintadamente nefando e perverso. Ao mesmo tempo em que os Tremembés, seus ferozes adversários, apesar de praticarem também o canibalismo, tinham hábitos diversos, quando da matança de seus inimigos, que era de fato destes nunca se serviram duas vezes da mesma arma que servira para abate do adversário. Quando guerreavam utilizavam sempre arma nova ou que nunca tivesse sido utilizada em matanças anterior. E diz o padre Ivo que, as armas já usadas eram deixadas exatamente no local onde caíra morto o inimigo

“Finalmente, para sintetizar este dantesco mundo dos Tremembés, tais se selvagens não conduziam consigo muita bagagem em suas andanças vagamundas, porquanto contentavam-se com seus arcos e flechas, machados, um pouco de cauim, algumas cabaças pra conduzir água e panelas para cozinhar a bóia.

“Pelos menos esses hábitos persistiram até conhecerem seus catequizadores, quando então houve uma performance quase total, posto que, das arriscadíssimas pescas dos tubarões, passaram, após o aldeamento e a civilização, para a pesca de tartarugas, da coleta de sarnambis, dos sururus e dos ovos das gaivotas que abundavam na Croa das Gaivotas, tarefas estas menos perigosas e mais condizentes com a aculturação cristã recebida, através dos jesuítas.”. (grifos nossos).

          

Para Lima e Aroso (1989)[12], os Tremembés são descendentes da corrente migratória dos Nordéstidas, que aqui chegaram por volta de 5.000 a 4.000 anos a.C. e empurraram os Jês (da corrente dos Lácidas – 7.000 a 5.000 a.C.) para o interior. Dividia-se em dois grupos, Tremembés (marítimos) e Muras (fluviais). Sua expansão deu-se no Nordeste brasileiro, permanecendo no litoral, nunca se internando pelo interior, limitando-se às praias e estuários dos rios e igarapés; não foram grandes expansionistas, indo do Pará ao cabo de São Roque. Comprimidos pelos Tupis-Guaranis, na época do contato, se reduziam às praias do Maranhão e parte do Ceará. Seu habitat era o delta do Parnaíba (Tutóia) e baia de Turiaçú. Ao listarem os ameríndios maranhenses, em sua antiguidade da localização (p. 101), consta:

  • Tamembés – P319
  • Taramembeses – C614
  • Taramembeses – C317, 614, 622
  • Teremembés – C317, 614, 622, D178

 

onde: C – César Marques, 1870; D – D’Evreux, 1612; P – Paula Ribeiro, 1819.

Quanto à sinomínia:

  • Teremembés – Taramembeses, Tremembés, tremens, Aiaiás, Anapurus, Caicaises, Cuajás, Guajajaras, Manjes, Guajajaras, Gojajaras, Manajós, Manxós, Mirins, Perejás, Periás, Preás, Perianos, Tabajaras, (p. 103)

Esses Autores, aos estudarem as correntes migratórias do Maranhão, informam, ainda, que os nordéstidas maranhense eram representados por um único povo: os Tremembés (Taramembé, Tremembé), que ocupava inicialmente a costa maranhense, antes da chegada dos Brasílidas. Com a invasão dos Tupis-Guaranis, perderam a ilha de São Luís e seus arredores. Sua área preferida era o Delta do Parnaíba e a Baía de Turiaçú. Foram os fundadores de Turiaçú e Tutóia.

São originários da III Corrente de Canals-Pompeu Sobrinho, que os denominou de “nordéstidos”, embora Estevão Pinto os tenha agrupado entre os “Cariris”; os Tremembés seriam cariris maranhenses.

Quanto a sua cultura, descreve-os Lima e Aroso, que viviam no litoral, onde eram grandes pescadores; quase não praticavam a agricultura; eram exímios nadadores, capazes de nadar longas distâncias e mergulhar por tempo longo; usavam canoas, barcos de couro e jangadas; eram nômades e, como tal, carregavam pouca coisa consigo, em suas freqüentes andanças pelas praias sem fim. Por isso, as casas eram mais paraventos, construídos no meio da praia para permitir, inclusive, boa visibilidade dos inimigos. Não possuíam rede, dormiam no chão, sobre a areia do próprio piso da casa. Possuíam, contudo, cerâmica.[13] 

Eram muito aguerridos e temidos pelos Tupinambás, seus velhos inimigos. Praticavam o canibalismo, pois comiam indiferentemente, inimigos e náufragos portugueses, o que lhes custou sérias e fatais represálias.

Muitas foram às guerras contra os Tremembés. Resistiram à invasão dos Tupinambás; dos franceses, aliados a estes. Dos portugueses...

O Gov. Inácio Coelho passou grande vexame numa de suas viagens pelo interior. Numa parada em Turiaçú, como era costume, os Tremembés tentaram cortar as amarras do navio do Governador, com o fim de levá-lo a deriva, aprisionar e comer os prisioneiros e ficar com seus pertences. Retornando a São Luís, mandou uma expedição contra esses índios, sob o comando de Vidal Maciel Parente, em 1679. Essa expedição foi composta de 30 canoas e um barco grande, 140 soldados e 470 índios. Surpreendidos, foram dizimados; dos 300 índios encontrados, apenas 37 se salvaram...[14]

Os Tremembés de Tutóia foram poupados – possivelmente porque prevenidos. Informam Lima e Aroso que sua presença posterior é atestada pelo Governador Lobato e Sousa, que os considerava prestimosos. Melo e Povoas em viagem pelo Maranhão, quase cem anos depois (1767), observou-lhes as condições sócio-econômicas.

E quanto aos Caetés, diz a lenda que

“a região dos Lençóis Maranhense era habitada pelos índios caetés, que um dia acordaram com a aldeia soterrada pela areia.[15].

Informa Alves Júnior[16] que o nome Caeté significa “gente da floresta” e foram aqueles que devoraram o primeiro bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha quando o azarado naufragou na costa do nordeste, em 16 de julho de 1556; vagavam por Alagoas. Já Maranhão, Mendes Jr. e Roncari[17] ensinam que quando os portugueses chegaram ao Brasil, entraram em contato com diversas tribos localizadas no litoral:

 

“Um dos grupos mais importantes foi o dos tupinambás, um dos grandes inimigos da colonização portuguesa. Espalhados por uma parte da costa brasileira, eram encontrados sobretudo na Bahia e no Rio de Janeiro, migrando, mais tarde, para o Maranhão, o Pará e a ilha de Tupinambaranas (Amazonas). Povo extremamente belicoso, a guerra desempenhava papel destacado na sua economia, como fator de ‘conservação e aumento dos recursos naturais sujeitos ao domínio tribal .’
”Desta forma entraram em conflito com os goitacases, os tupiniquins, os carajás, os caetés, os botocudos, os tupinas, os diversos grupos dos tapuias e, após o início da colonização efetiva do Brasil pelos portugueses (1530), moveram guerra contra estes, sendo expulsos ou aniquilados...”
. (grifos nossos).

          

Os índios Tupis que povoaram o Maranhão e o Pará procediam provavelmente da Bahia e Pernambuco em ondas migratórios sucessivas depois de 1562, primeiro caminhando para o interior e depois tomando a direção norte, detendo-se na foz do Amazonas. Por terem contato com os portugueses, adquiriram um conhecimento íntimo de seu processo de colonização. Daí, quando da chegada dos franceses ao Maranhão[18], encontrarem certa resistência na aldeia de Eussauap (hoje, Vila Velha de Vinhais) por parte de um velho de mais de 180 anos e que tinha por nome Mamboré-Uaçu e que havia assistido ao estabelecimento dos portugueses em Pernambuco.

Dessas migrações, participaram principalmente os índios Caetés e Tupinambás. No Maranhão e no Pará continuaram em grande parte solidários. Com exceção dos que povoaram a região da serra de  Ibiapaba, os demais se conservaram aliados e amigos. Contudo, “não se pode dizer o mesmo quanto à ligação destes grupos locais com os Caetés”[19].

Vamos ver o que dizem Lima e Aroso (1989) sobre os Caetés. Primeiro, pertenciam ao grupo dos Brasílidas, os mais recentes a se instalarem por essas bandas, por volta de 3.000 a 2.000 anos, vindos da região cisandina da bacia amazônica. Grandes imigrantes atravessaram os Andes e pelos afluentes noroestes do Amazonas chegaram a sua região setentrional (p. 27). Faziam repetidas migrações pelo litoral brasileiro, ocupando-o quase todo, na época do contato. Tiveram de empurrar os Lácidas e os Nordéstidas, ocupando os melhores lugares.

Quando à sua cultura, descendentes de grandes navegadores protomalaios, facilmente se adaptaram à navegação fluvial, pelo uso de canoas (ubá). Eram agricultores mais evoluídos, cultivando a mandioca, o milho, alimentos básicos de sua alimentação. Ceramistas exímios foram responsáveis pela melhor cerâmica pré-histórica do Brasil. Os Tupis-Guaranis foram seus descendentes, dentre outras nações, que por sua vez deixaram outros inúmeros povos, como os do nordeste brasileiro: Tabajara (na Ibiapaba e no litoral de Pernambuco e Paraíba) os Tupinambás (litoral da Bahia e  Maranhão), Caeté (litoral de Pernambuco e Alagoas)(p. 29).

Bem, Zé Maria, Tremembés ou Caetés? Qual deles constituiu a aldeia onde hoje se localiza Tapuio? Ao que parece, seriam Tremembés, pois estes eram tapuios – inimigos – dos Caetés...

Ou seriam outros? Pois Röhrig Assunção (1988)[20], em “A guerra dos Bem-te-vis”, ao tratar do “tapuia” ao caboclo” (p. 126) afirma que os franceses e portugueses, quando começaram as suas incursões pelo litoral maranhense, depararam sobretudo com os índios Tupinambás que viviam, sedentários, em aldeias bastante populosas antes dos grandes extermínios promovidos por Bento Maciel e os irmãos Albuquerque: 

“Com o início da colonização, os portugueses vão distinguindo entre os indígenas da civilização tupi e os demais, chamados ‘Tapuias’ e que eram, em geral, da família Ge.

“O Maranhão oriental... era povoado no litoral pelos Teremembés; os Araioses e Anapurus no Parnaíba; os Aracarés no Preguiça; Os Barbados, Gamelas e Tupinambás no Itapecuru e adjacências e os uruatis, Guanarés e Caicases mais na região do Munin”. (p. 126-127)(grifos meus).

Sabemos que muita cacaria (restos de cerâmica), pontas de flechas, é encontrada nessa região. Que tal juntar esses achados para se verificar a quem pertenciam? Aos Tremembés ou aos Caetés?  Ou aos Aracarés?  Mesmo porque seria interessante ter esses achados arqueológicos na Casa de Farinha, constituindo um museu local... vamos trabalhar nisso?

ESSE NOME BARREIRINHAS...

          

Sobre Barreirinhas, porque tem esse nome, a mesma resposta do guia: não sabia, mas ouvira falar que recebera esse nome por causa de umas barreiras de barro... Parece-nos que o nome ¨Barreirinhas¨ surgiu em função da “existência de muitas barreiras e ladeiras de areia existentes na região”[21].

“A sucessão de barreiras que avançam do litoral para o interior em forma de dunas (de base argilosa) deu origem ao nome Barreirinhas. Para fazer jus ao nome cedido pela natureza, a sede do município situa-se ao pé de barreiras, cujo ponto mais alto é o denominado Morro da Ladeira, o qual tendo perdido sua cobertura vegetal sobre a ação devastadora dos ventos e ameaça invadir a entrada principal da cidade”. (Rocha, 1997, p. 13)[22]

          

Tomando por base Feitosa [23], a área em que Barreirinhas está situada constitui-se de terreno baixo e arenoso seguido de relevos moderados ao longo do litoral, compostos de sedimentos que integram a bacia de Barreirinhas[24]. Nela registram-se planícies e falésias de base argilo-arenosa a qual tem sido relacionada à formação de barreiras ou dunas vivas, que se deslocam constantemente pela ação dos ventos alísios, formando os Lençóis Maranhense[25]. O movimento das dunas nessa região constrói elevações que atingem até cinco (05) metros de altura. Esse fenômeno acontece sempre que as elevações sem cobertura vegetal que, avançando para o interior, vão sendo fixadas pela vegetação. Seguindo a orla marítima, encontra-se a embocadura do Preguiças e a Ponta do Mangue. Destacam-se ainda as ilhas fluviais das Flores e a do Arroz.

E de acordo com o IBGE[26], no município predominam solos de origem marinha pouco desenvolvidos, de baixa capacidade de retenção de umidade, formados pela ação dos ventos e com muito baixa fertilidade natural (quartzosas) associados a solos medianamente profundos formado pela mistura de partículas finas e concreções, bem drenadas, porosas e apresentando baixa fertilidade (solos concrecionários lateríticos). Ocorrem associados a esses dois tipos já descritos, ou em associações distintas: solos alagados e salinos pouco desenvolvidos, que aparecem normalmente no litoral e próximo às desembocaduras dos rios sob influência das marés; solos medianamente profundos; encharcados no período das chuvas , secos e duros na época da estiagem (solos indiscriminados de mangues + solonchak solonetzico (p. 5).  

           Complicado? Mas explica a origem do nome “Barreirinhas” dado à cidade, e por extensão ao Município, e os “Lençóis Maranhense”. Vamos a outra explicação, que você me pediu...

... E ESSE NOME MARANHÃO[27]

Mas de onde vem esse nome “Maranhão”? recorramos ao Padre Antônio Vieira, que em seu sermão da Quinta dominga da Quaresma, do ano de 1654; servindo-se de uma fábula, afirma que:

“ ... caindo um dia o diabo do céu, se fizera no ar em pedaços. E cada pedaço caiu em uma terra, onde ficaram reinando os vícios correspondentes ao membro que lhe coube: na Alemanha, caiu o ventre, daí serem os alemães dados à gula; na França, caíram os pés, por isso os franceses são inquietos, andejos e dançarinos; na Holanda e em Argel, caíram os braços com as mãos e unhas, daí serem corsários; na Espanha, caiu a cabeça, daí serem os espanhóis fumosos, altivos e arrogantes.

“Da cabeça, coube a língua a Portugal, e os vícios da língua eram tantos, que já deles se fizera um grande e copioso abecedário. O que suposto, se as letras deste abecedário se houvessem de repartir pelas várias províncias de Portugal, não há dúvidas que o M pertenceria de direito à nossa parte, porque M Maranhão, M murmurar, M motejar, M maldizer, M malsinar, M mexericar, e sobretudo M mentir; mentir com as palavras, mentir com as obras, mentir com os pensamentos. Que de todos e por todos os modos se mentia. Que novelas e novelos eram as duas moedas correntes da terra, só com esta diferença, que as novelas armavam-se sobre nada, e os novelos armavam-se sobre muito, para que tudo fosse moeda falsa. Que no Maranhão até o sol era mentiroso, porque amanhecendo muito claro, e prometendo um formoso dia, de repente e dentro de uma hora se toldava o céu de nuvens, e começava a chover como no mais entranhado inverno. E daí, já não era para admirar que mentissem os habitantes como o céu que sobre eles influía”. (Lisboa, 1991)

Origem e significação do nome dado a terra

Simão Estácio da Silveira, em sua “Relação Sumária das Cousas do Maranhão”, escrito em 1624, afirma que a "... terra tomou esse nome de Maranhão do capitão que descobriu seu nascimento no Peru”. (Seu, do rio e não da terra, conforme Barbosa de Godois in História do Maranhão (1904) e Berredo in Anais Históricos)[28].

Marañon era o nome do atual rio das Amazonas, daí que o nome foi herdado de um companheiro de Gonçalo Pizarro. A família de nome Marañon já era conhecida em Espanha desde o século XII, e em Navarra existe uma localidade com esse nome.

Com o topônimo Maranha, que significa matagal, há no Minho uma localidade com esse nome; Maranhão, ainda, é o nome de uma antiga aldeia alentejana, do Conselho de Aviz; é variação de Marachão - dique, recife; e aumentativo de Maranha, como dito acima, matagal; como também pode vir de Mara Ion, como os tupinambás designavam o grande rio da terra; ou do diálogo entre dois espanhóis: um pergunta, referindo ao Amazonas - Mar ? e o outro responde: Non.

Na língua nativa, Maranhay, corruptela de maramonhangá (brigar) e anham (correr), pororoca; ou Maranhay, de maran (desproposidatamente), nhãn (correr) e y (água), também significando pororoca; corruptela de Paraná (marana) de onde maranãguaras por paranaguaras para os habitantes da ilha; ou de Marauanás - indígenas encontrados por Pinzón - marauanataba, traduzida pelos espanhóis como marañon; ou ainda, Mair-Anhangá = alma ou espírito de Mair, da tradição andina e sua corruptela tupi marã-n-aã; Mara-munhã, que significa fazer-se barulhento ou impetuoso (de novo, pororoca); ou ainda Mbará-nhã - o mar corrente, o grande caudal que simula um mar a correr (uma vez mais, pororoca). (Tavares, 1727; Silveira, 1976; Berredo,  1988; Meireles, 1980).

A Fundação do Maranhão

           Credita-se a Cristóvão Colombo a descoberta da América, em 12 de outubro de 1492 e a Pedro Álvares Cabral o “achamento” do Brasil em 21 de abril de 1500. Mas quem “descobriu” o Maranhão ?

  • Diogo de Teive, em 1452 ?
  • Gonçalo Fernandes Távire e João Vogado, em 1453 ?
  • João Coelho, se verdadeira sua viagem, em 1493 ?

           Com certeza, sabe-se que os espanhóis chegaram antes que os portuguêses, pois

  • Alonso de Ojeda, com Juan de Las Casas e Américo Vespúcio estiveram por aqui em 1497;  ou com
  • Juan de Vergara e Garcia de Ocampo, em 1499;
  • Vicente Pinzón visitou o Maranhão em Janeiro de 1500 – e vendo-se aquém da Linha de Tordesinhas, portanto em terras portuguesas, retorna; e
  • Diogo De Lepe também visita-nos em Março de 1500.

 

Em qualquer hipótese, o Maranhão já era conhecido antes do pretendido descobrimento casual do Brasil por Pedro Álvares Cabral, em 1500. Mas o Maranhão passou todo o século XVI praticamente fora da história política de Portugal. (Meireles, 1980; 2001)[29].

           A Ilha do Maranhão – Upaon-Açú – é invadida pelos franceses em 1612, que aí tentam fundar uma colônia – La France Equinoxiale. Em 1615, os franceses são expulsos e a região é incorporada aos domínios lusitanos durante a  união das Coroas Ibéricas – 1580/1640.

           Essa reconquista das terras do norte do Brasil é o ponto de partida para o avanço do sistema colonial português. A colonização foi iniciada por ilhéus açorianos chegados em duas levas, nos anos de 1620 e 1621, dando a São Luís uma feição de burgo, transformando o simples posto militar avançado em uma povoação de colonos a que se precisaria dar uma administração civil.

           A imensa extensão territorial e o isolamento daquelas áreas levaram a coroa a separá-la da administração central do Brasil – Bahia era a sede do Governo Geral -  criando o Estado Colonial do Maranhão, tendo como sede a vila de São Luís, cuja jurisdição estendia-se às terras atualmente ocupadas pelos estados do Amazonas, Pará, Maranhão, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Piauí, Ceará, Mato Grosso e  Tocantins.

           Constituía-se de duas Capitanias Gerais – Maranhão e Grão-Pará, as quais tinham sob sua tutela onze capitanias subalternas: a Capitania Geral do Maranhão compreendia as capitanias do Ceará, do Itapecurú, do Icatú, do Mearim, todas as quatro da Coroa, e mais as de Tapuitapera, de Caeté e de Vigia, estas três de donatários. A Capitania Geral do Grão-Pará estendia sua jurisdição às capitanias secundárias do Gurupá (da Coroa) e às de Joanes, de Cametá e do Cabo do Norte, estas de donatários.

           Essa divisão administrativa perduraria até 1652, quando pela Carta Régia de 25 de fevereiro de 1652 foi extinto o Estado do Maranhão, agora sob a denominação de Maranhão e Grão-Pará; em 1651 o Pará passou a ser cabeça do Estado, denominando-se do Grão-Pará e Maranhão. A Carta Régia de 6 de agosto de 1653 repartiu-o em quatro capitanias – São José do Piauí; Maranhão; Grão-Pará; e São José do Rio Negro – todas sujeitas a um governador e capitão-general, e tinha como sede a cidade de Belém.

           Em 1772, a região recebeu nova organização administrativa, repartindo-se em dois estados: o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, e o Estado do Maranhão e Piauí. Até 1811, o Piauí ficou subordinado ao Maranhão.

           Com a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, e a conseqüente elevação da colônia lusa da América à condição de Reino Unido ao de Portugal e Algarves, em 1815, o Maranhão passou a ser uma Província, subordinada ao Rio de Janeiro. Dessa maneira, alcançaria a Independência. (Cavalcanti Filho, 1990)[30].

Colonização do Maranhão

           Inicia-se com Martin Afonso de Sousa, que mandou um de seus navios descobrir as terras do Norte. Diogo Leite saiu de Pernambuco e chegou até o Rio Gurupi.

           Com a divisão do Brasil em Capitanias, a do Maranhão foi dada a João de Barros, mas não chegou a ser instalada. Se associando a Aires da Cunha, naufragou no Boqueirão. Os sobreviventes teriam fundado a Vila de Nossa Senhora de Nazaré, em 1534. Essa Vila teria sido instalada na Ilha Grande, alguns a dão como na Ilha do Medo e outros, em terras continentais – Alcântara. O certo, é que muito ano depois se descobriu uma tribo de índios denominada de Barbados Rouxés, que se diziam descendentes dos “perós” – portugueses. Eram de pele clara, olhos pouco amendoados, cabelos claros, e cultivavam barba, como os perós, e cominam pão de milho zaburro, como os perós... Não se davam com as demais, de quem se mantinham permanentemente em guerra, aguardando a volta – socorro ? -  dos seus pais... 

           Abandonada por João de Barros, a Capitania do Maranhão foi dada a Luís de Melo e Silva, que organiza duas expedições ao Maranhão, naufragando  na segunda, no Boqueirão.

           Os portugueses abandonam a idéia de conquista do Maranhão por mar. Tentam chegar, então, por terra: Pedro Coelho de Sousa sai da Paraíba e não consegue passar do Ceará, pois os índios não deixam. Os Padres Francisco Pinto e Luís Figueira também não conseguem passar do Ceará.

Franceses no Maranhão

           Os Portugueses abandonam a conquista do Norte, dadas as dificuldades de se entrar no Golfão maranhense - transpor o Boqueirão. Piratas estrangeiros começam a se estabelecer aqui, vivendo em boa paz com os índios

           Desde 1594 os Franceses organizam expedições com o objetivo de se estabelecerem no Maranhão. Jacques Riffault estabelece uma Feitoria e ao retornar à França, deixa alguns tripulantes, dentre eles, Charles Des Vaux. Este, após nove anos de espera, consegue retornar a França, relatando as riquezas da terra e, em 1604, conduz Daniel De LaTouche para fazer um reconhecimento e comprovar a veracidade das informações.

           Com a morte do Soberano - Henrique IV - a organização de uma armada de conquista é adiada até 1611, já no reinado de Luís XIII. Em 1612, Daniel De La Touche, Senhor de La Ravardiére; o Barão De Rassily e o Barão De Sancy aportam à Ilha Grande, fundando uma colônia, a qual deram o nome de França Equinocial.

           Organizam a defesa da Ilha, com a construção de um Forte - de São Luís - em homenagem a Luís XIII e um ancoradouro - Porto de Santa Maria -, em homenagem a Rainha-Mãe - Maria de Medicis. A 8 de setembro de 1612, tem lugar a implantação da cruz na Ilha do Maranhão.

           Fundada a França Equinocial, a 8 de setembro de 1612, saíram a visitar a Ilha os lugares-tenentes de Daniel de La Touche,  De Rasilly, o Barão de Sancy e os padres D' Abbeville e Arséne de Paris acompanhados  de um antigo morador de Upaon-Açú, de nome David Migan.

           D' Abbeville (1975) descreve as aldeias do Maranhão como tendo até quatro cabanas, medindo de 26 a 30 pés de largura por 200 a 500 pés de comprimento, segundo o número de pessoas que nelas habitavam. Algumas aldeias possuíam de 200 a 300 habitantes, outras de 500 a 600, e às vezes mais. As casas eram dispostas em forma de quadrado, havendo uma praça grande e bonita ao centro. (História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas,  p. 114)[31].

           O Padre Claude D’Abbeville foi quem primeiro escreveu sobre o Maranhão e seus habitantes. Pela sua descrição, observa-se que a aldeia de índios localizada no hoje Vinhais foi o primeiro núcleo residencial dos brancos que se estabeleceram no Maranhão. No Forte - a hoje cidade de São Luís - ficava apenas uma guarnição de oito soldados, a vigiar. Os demais, habitavam as aldeias então existentes. A primeira a ser ocupada foi Eussauap (hoje, Vila Velha dos Vinhaes).

           Das 27 aldeias existentes na Ilha, 14 tinham apenas um Principal; 10 possuíam dois; uma possuía três. Eussauap possuía quatro - "... é uma das maiores aldeias da ilha e nela existem quatro principais: Tatu-Açu; Cora-Uaçu ou Sola-Uaçu, às vezes também Maari-Uaçu; Taiaçu e Tapire-Evire". A aldeia principal da ilha contava com cinco principais.

A Ilha Rebelde

           É em Eussauap que os franceses encontram uma certa resistência, por parte de um velho de mais de 180 anos e que tinha por nome Mamboré-Uaçu e que havia assistido ao estabelecimento dos portugueses em Pernambuco. Afirmava que, como os perós, os franceses chegavam para comerciar, não passando mais do que quatro a seis luas, tempo suficiente para reunir as drogas que traficavam. Tomavam suas filhas para mulher e isto muito os alegrava. Mais tarde afirmavam que havia necessidade de construção de fortes, para defesa sua e dos índios, e então chegavam os Paí - padres - plantando cruzes, instruindo os índios e os batizando. Exigem que as índias sejam batizadas, para só então as tomarem como esposas. Aí, dizem precisar de escravos para os servirem. E tomam os índios como seus escravos. Convencido o velho guerreiro que os franceses eram diferentes dos perós, prosseguem De Rasilly, o Sr. de Sancy e D' Abbeville a sua visitação.

A COLONIZAÇÃO DAS “PERGUIÇAS”

                                                  “rio Preguiças pela lentidão de suas águas”.

          

Os Portugueses deram início à colonização efetiva do território maranhense. Duas frentes se destacam: a primeira, partindo do litoral – da Ilha – estendendo-se para o interior através dos rios Munin, Itapecuru, Pindaré e Mearim – Frente Litorânea; a segunda, vinda do Piauí, como expansão das frentes pernambucana e baiana – Frente do Interior. (Cabral, 1992)[32].

           Para Rocha[33], o devassamento da região de Barreirinhas se deu pelas duas Frentes – do Litoral, como extensão da colonização de Tutóia; e do Interior, a partir da corrente pecuária que ultrapassou o Piauí, na altura de Campo Maior, atravessou o Parnaíba para a região de São Bernardo e Brejo, e de lá chegou à região de Barreirinhas.

           A primeira frente – do Litoral – chegou com a ação missionária dos jesuítas, que atravessaram o Parnaíba pela primeira vez em 1656, quando fizeram também o primeiro contato com os Tremembés[34].

A redução dos Tremembés foi trabalho dos jesuítas. Começou nas “primeiras tentativas da Restauração maranhense contra os intrusos franceses”, conforma informam Lima e Aroso (1989, p. 45), e pode ser dividida em duas fases – luta armada contra os potiguares, numa fracassada expedição de Pero Coelho de Sousa, iniciada pelos padres Francisco Pinto e Benedito Amodei na parte mais setentrional da Serra Grande (Ibiapaba); após conseguida a pacificação desses índios potiguares, partiram para a dos Tremembés do Ceará e do Maranhão.

Aqueles aborígenes, tidos como tapuias e muito selvagens, embaraçavam a passagem para o Maranhão, de vez que ocupavam todo o litoral, por onde pretendiam passar os missionários, que preferiam viajar a pé, próximo ao litoral, à medida que iam conquistando almas” (Lima e Aroso, 1989, p. 45; grifos nossos).

 

  • em 1655, o Governador Vidal de Negreiros considerava necessária a construção de uma fortaleza na barra de Camocim, a fim de neutralizar a ação dos Tremembés, do litoral, e dos Tabajaras (serra);
  • em 1658, o Governador Freire de Andrade tentou restaurar o Forte do Periá, em defesa contra os Tremembés
  • em 1675, os Tremembés foram finalmente reduzidos, pelo padre Pedro Pedrosa, sempre com a finalidade de facilitar o caminho para o Maranhão e Grão Pará;
  • em 1679, como vimos, Vidal Maciel Parente ainda fazia terrível excursão contra eles. Nesse ano, estavam tamém aldeados em Turiaçú, em outra missão jesuítica. Por esse tempo, ocupavam o litoral noroste, desde Caeté.
  • Em 1722, os Tremembés são finalmente reduzidos, pelo padre João Tavares.

Os Teremembés dominavam vastas regiões do norte maranhense – região dos Lençóis e Delta do Parnaíba -; o governo manda uma expedição, em 1679, sob o comando de Vital Maciel Parente; encontrando um troço de índios, estes são dizimados – mais de 300. Somente em 1722, se efetuaria a redução desses índios, por obra do Pe. João Tavares, cognominado Apóstolo dos Teremembés. O próprio padre descreve os costumes daqueles índios marítimos, definindo-os como “peixes racionais”.

Informamos[35] que o Padre jesuíta João Tavares[36] é considerado o fundador da cidade de Tutóia - Ma; era natural do Rio de Janeiro, onde teria nascido a 24 de setembro de 1679. Viera para o Maranhão como mestre de Filosofia e Teologia, tendo ensinado também Gramática. Foi Vice-Reitor do Colégio. Cumprida sua missão, deram-lhe opção de voltar ao Rio de Janeiro, não a aceitando, por amor aos Teremembés. Faleceu em São Luís, em 11 de julho de 1743 – (ou 44, segundo Ramos, 2001)[37].

Em 1724, o missionário pediu, e obteve, duas léguas de terra e a ilha dos Cajueiros. Teve problemas com fazendeiros – três irmãos e um primo, que a invadiram, para criação de gado – e, não conseguindo resolvê-lo com o Governador – que também tinha interesses na região, retirando índios para seu serviço -, recorreu a El-Rei, que deu ganho de causa ao missionário e exigiu que se cumprissem as condições do aldeamento: servir aos brancos nas pastagens de gado vacum e cavalar e garantir para a Coroa a vigilância daquela faixa marítima. O padre comprou os gados introduzidos irregularmente aos fazendeiros.

A missão chamou-se Nossa Senhora da Conceição. Em 1730, contava com 233 índios ainda pagãos, que aprendiam a doutrina.

João Tavares situou a aldeia nas praias dos Lençóis, onde faz barra principal um dos braços do Parnaíba, chamado Santa Rosa e também Canal de Tutóia. 

César Marques (1970)[38], no verbete Tutóia, de seu Dicionário ..., informa serem os índios Trememés (sic), os mais bem figurados, valentes e prestimosos que tinha a Capitania, segundo o pensar do Governador Gonçalo Pereira Lobato e Sousa – 1753/1761. Esses índios tinham, em 1727, no tempo do Governador e Capitão-General João da Maia da Gama – 1722/1728 -, duas datas de seis léguas de terra, as quais foram medidas e demarcadas à custa dos mesmos índios. Prossegue:      

“Pouco tempo era passado quando das bandas da Parnaíba vieram uns homens que foram situando aí fazendas de gado vacum e cavalar, e sucitando-se questões entre eles, os índios os expeliram, e um jesuíta, que lá vivia em muita intimidade, com o fim de terminar tais pendências, comprou aos seus legítimos donos o gado existente, e de então por diante ficaram os padres da Companhia possuindo como suas as terras destes índios.” (p. 622) (grifos meus).

César Marques não traz João Tavares como o fundador de Tutóia, nem o identifica como o jesuíta que vivia entre os Teremembés - embora fosse conhecido como o Apóstolo desses índios -, o mesmo ocorrendo com Cardoso (2001)[39],  que apresenta a descrição dos 217 municípios maranhenses. Às páginas 572-581 traz a descrição de Tutóia, basicamente transcrevendo do que consta no Dicionário de César Marques, não fazendo referência, também, a João Tavares...

           No que se refere a segunda frente – a do Interior -, Rocha (1997) acompanha a hipótese de Simonsen (1996)[40] de que seria derivada da expansão da pecuária que veio do Piauí e atravessou o Parnaíba.

           Ambas as frentes foram seguidas pela pecuária. As fazendas levaram a instalação de povoados, fixando a conquista do território e expulsando definitivamente os índios.           

           Para Cardoso[41], admite-se como origem de Barreirinhas um povoado à beira do rio Mocambo, onde o Governo Imperial, em 1849, mandou construir uma ponte: era o entroncamento dos caminhos vindos da comarca de Campo Maior-PI à do Brejo-MA e desta à de Icatu-MA, através do mencionado rio Mocambo (p. 73):

“A fertilidade da pastagem para as criações, bem proporcionais à lavoura motivou a ponte atendendo aos viajantes do  julgado São Bernardo da Parnaíba à então freguesia de São José do Periá (1835), Miritiba – atual Humberto de Campos – ensejando afluência de pessoas e povoados. A fertilidade do Preguiças, navegável e cheio de afluentes (rio Preguiças pela lentidão de suas águas), com povoamento quer atraiu a então freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Barreirinhas, com os seguintes povoados: Santo Antônio, Barreira Velha, São Domingos, Alto Bonito, Santa Rosa e Morro Alto. Tudo em torno do rio, com destaque para o de Santo Antônio pela fazenda de criação de gado, engenho de açúcar, rapaduras e  aguardente, propriedade da Companhia de Jesus”. (p. 73).

 

           Ainda seguindo Röhrig Assunção (1988, p. 127), os Jesuítas tiveram a sua fazenda de Santo Inácio, no Preguiça (hoje no lugar chamado Santo Antônio, município de Barreirinhas) outra no Alegre (hoje município de Primeira Cruz). Tiveram fazendas também em Tutóia, em Araioses e as três fazendas de gado Santo Agostinho, Bacuri e Sambaíba na Lagoa do Santo Agostinho (hoje Lagoa do Bacuri/município de Magalhães de Almeida).

           A Fazenda de Santo Antônio, dos Inacianos, é considerada um dos embriões da ocupação da área onde se originou o município de Barreirinhas. Estava situada na margem esquerda do rio Preguiça, a poucos quilômetros da atual sede, em terras da antiga fazenda Santo Inácio, também de propriedade da Companhia de Jesus.

“... seus donos eram portugueses que ali estabeleceram um engenho movido à força hidráulica, para produzir açúcar e aguardente, utilizando o trabalho escravo. A produção seria vendida para a capital da província do Maranhão e para outras províncias, sendo transportada por embarcações a vapor que ancoravam no porto da própria fazenda.

“A memória oral registrou que sua proprietária, Dona Ana, senhora de escravos, tratava seus cativos com crueldade”. (Pereira, 1977, citado por Rocha, 1997, p. 33)[42].

Coelho Neto (1985) [43] informa que em 1816 foi cedida uma sesmaria a Sotero Antonio Reis, às margens do Rio Preguiças.

           Outra fazenda é a Santa Cruz - situada a seis quilômetros da sede do Município. Antiga Fazenda dos Macacos, que pertenceu à família Carvalho, foi adquirida por Manoel Carlos Godinho, filho de portugueses. Este trabalhava em São Luís, na farmácia da família Machado, quando o patrão morreu. Casou-se com a viúva e mudou-se para Barreirinhas, adquirindo a fazenda dos Carvalhos. Construiu um casarão, ao lado do qual fincou uma cruz de madeira, renomeando a propriedade de “Fazenda Santa Cruz”, em 1843 (Rocha, 1997, p. 33).

           Continuemos com Cardoso (2001), ao se referir a “lugares, pastagens e trajetos”, pela época de formação do povoado: (p. 73-74):

“À margem da estrada vinda do julgado de São Bernardo da Parnaíba à freguesia de São José do Periá, os lugares: Vertente, Buriti Amarelo e Santo Amaro. No caminho Brejo via Icatu encontravam-se Campineirase Butirizinho, hoje pertencente a Urbano Santos. E mais os lugares Casso, Santa Cruz, São José, Olho d’Água, Morro Branco, Onça, Surrão e Bom Jesus, que em 1860 já eram sedes de quarteirão pertencentes à freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Barreirinhas, de ótimas águas, pastagens para criações e mato para a lavoura.”

 

           A freguesia foi criada pela Lei Provincial no. 48, de 18 de junho de 1858, com território desmembrado de Tutóia, Brejo, Miritiba (hoje, Humberto de Campos) e São Bernardo, e instituída canonicamente em 1º. de  outubro do mesmo ano, segundo César Marques; para Rocha, seria 1º. de dezembro, tendo sido seu primeiro vigário o Pe. José pacífico Serra, nomeado em dezembro de 1861[44].

“LEI NO. 48 DE 18 DE JUNHO DE 1858

“João Pedro Dias Vieira, vice-presidente da província do Maranhão, faço saber a todos os habitantes que a Assembléia Legislativa provincial decretou e eu sancionei a lei seguinte:

“Art. 1º. Fica creado na Comarca do Brejo, no lugar Barreirinhas nas Preguiças, uma freguesia com a vocação de Nossa Senhora da Conceição.

“Art. 2º. A freguesia começará da Lagoa Grande próximo à barra do Preguiças no litoral, e dahi partirá em linha recta à foz do rio Lago, e por este acima até as suas cabeceiras no Guarumã, e dahi pela estrada que guia do Santa Rosa a São Bernardo até o rio Vertente inclusive, deste ponto a mesma linha ira ao Facão do Capitão Raimundo de Caldas Ferreira exclusive, donde partirá às  cabeceiras do Surrão e deste lugar no antigo sítio do major Antonio Pereira na margem direita do rio Mocambo e por este acima até a barra do riacho Morros de Joaquim Alves da Fonseca inclusive. Da casa deste seguirá  a mencionada linha recta pela estrada ds Barrocas, que vão as cabeceiras do Espigão, e por este abaixo até as extremas da fazenda Cajuieiro do Salgado inclusive com Santo Amaro, e dali ao litoral na baixa cruz.” (in Rocha, 1997, anexo).

De acordo com Marques – em seu Dicionário..., de 1870:

“... Tem esta freguesia de norte a sul quatorze léguas de extensão, e, de leste a oeste, vinte e duas provavelmente.

“Esta assenta à margem do rio Preguiças, em terreno fertilíssimo, regado por um rio importante, por vários riachos e regatos, e alguns lagos, dando assim sinais evidentes de ser lugar muito apropriado para a agricultura, principalmente estando longe da capital apenas 48 horas de viagem.

“Este lugar é abundante de peixe, e seus campos são ótimos para a criação de gado vacum, e plantação de cana – de- açúcar.

“É o 3º. Distrito de paz, pertencente à Tutóia e está dividido em 14 quarteirões.

“Distingue-se o quarteirão das Barreirinhas por ser a sede da freguesia e a residência do pároco e das autoridades; o de Santo Antonio por ser nele situada a fazenda, tão falada, de S. Inácio, pertencente a Companhia de Jesus; o de Alto-Bonito, pelos grandes riachos – Estiva, Riachão, Bacuri, Tiririca, São Roque, Mirim, Prata e Palmeiras, os quais desembocam no rio Preguiças, facilitando assim o embarque em pequenas canoas, de arroz, milho e farinha de mandioca, gêneros  estes que dali são exportados.

“Neste caso também estão o quarteirão de S. José, pelos riachos Palmeiras, Tamburi, Riachinho, Taboca, Riacho do meio, etc. e de Buriti Amarelo, pelos riachos Murim, Santa Cruz, Cocal e outros; o da Onça, pelos riachos Onça, Tabatinga e Barra; o do Bom Jesus, `margem do riacho do mesmo nome, importante pela sua população, uberdade e extensão do terreno e gênio laborioso dos seus habitantes. Todos esses lugares são apropriados para colocação de engenho destinados ao fabrico de açúcar e aguardente.

“O quarteirão do Cassó é importante por ter em seu centro uma lagoa que fornece peixe para toda a sua população  que não é pequena: o do Morro Branco, pela abundância de árvores de construção, que aí é ótimo ramo de negócios; o de Santo Amaro em sua máxima parte situado na costa do mar, bem como o de Buritizinho e do Surrão, pelos seus campos e chapadas tão boas para a criação de gado vacum e cavalar, muar e lanígero, sendo notável que todos estes estirões tenham margens frescas e apropriadas para a plantação de cana e do arroz.

“Existem no centro boas matas próprias para a plantação do milho, mandioca, algodão e outros gêneros.

“Fabricam-se açúcar e aguardente, cultivam-se arroz, milho e mandioca, e existem alguns criadores de gado vacum e cavalar.

“Faz-se alguma navegação para a capital desta Província e para a vila da Parnaíba por meio de canoas grandes.

“Tem uma cadeira pública de primeiras letras para meninos, outra particular e uma de ensino da língua francesa eGeografia também particular.” (p. 108).

           Em 1860, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Barreirinhas possuía 7.334 habitantes, sendo 6.763 livres e 571 escravos, distribuídos em diversos quarteirões:

Quarteirões

Livres

Escravos

Total

Barreirinhas

530

20

550

Santo Antônio

320

150

470

Santa Cruz

380

160

540

São José

410

10

430

Buriti Amarelo

580

150

730

1º., 2º., e 3º. Quarteirões do Casso

1.505

-

1505

Morro Banco

200

-

200

Santo Amaro

430

15

445

Olho D’Água

348

16

364

Onça

340

-

340

Bom Jesus

530

50

580

Buritizinho

360

-

360

Surrão

550

-

550

Campeineiras

270

-

270

TOTAL

6.763

571

7.334

 

           Fonte: MARQUES, César Augusto. DICIONÁRIO HISTÓRICO – GEOGRÁFICO DA PROVÍNCIA DO

                         MARANHÃO. 3ª ed. São Luís : (s.e.), 1970, p. 108-109.

           Barreirinhas não pertenceu individualmente a nenhum dos quatro municípios que o constituiu, tendo perdido alguns quarteirões: Cassó e Santo Amaro passaram para Miritiba (Humberto de Campos), Buritizinho, para o de Morros; Surrão e Campineira para o de Brejo; Guaribas e Bom Jesus para o de Urbano Santos, que surgiu em 1929. Foi termo judiciário de Tutóia até 1936, passando para a de Araioses até 1956, voltando para Tutóia. Antes, porém. Lá por 1872 foi termo de São Bernardo, Tutóia, Araioses e de si própria. (Cardoso, 2001, p. 73-74).

De acordo com Rocha (1997),

  • em 1864, a área de Barreirinhas foi reduzida com a transferência dos quarterões do Cassó  para o município de Humberto de Campos;
  • em 1871, a 14 de junho, através da lei Provincial no. 951, a povoação de Barreirinhas passou a categoria de Vila, e estava automaticamente criado o município com esse mesmo nome, passando a ser administrado por uma Câmara Municipal, conforme as leis do Império. Esta mesma lei extinguiu a vila d Viçosa (Tutóia), ficando o seu território anexado à vila e município de Barreirinhas. Tutóia só resgatou a sua autonomia em 29 de dezembro de 1890, desmembrando-se de Barreirinhas para voltar a ser município.
  • Em 1872, a 15 de junho, através da lei Provincial n. 955, passou a ser sede da Comarca de Barreirinhas, composta dos Termos de Barreirinhas e de São Bernardo. Posteriormente foi integrada também pelos termos de Tutóia e Araioses.
  • Em 1938, o Município de Barreirinhas não era mais seda de Comarca – decreto-lei no. 45, de 29 de março de 1938 -, mas termo da Comarca de Araioses, juntamente com os termos de Araioses, Tutóia e São Bernardo.

 

Para Rocha (1997) causa estranheza que essa medida seja referida pelo IBGE como ato de criação do município de Barreirinhas, uma vez que este ato já havia se consolidado em 1871, quando Barreirinhas se tornou município.

 

  • Em 1967, a Comarca de barreirinhas foi recriada, passando o município a contar com juiz e promotor.
  • Em 1978, pela lei no. 176, de 20 de maio, foram criados os hino, brasão e bandeira do município.

 

 

Quanto à localização, Barreirinhas pertence à Zona do Litoral Nordeste 04 – Lençóis Maranhese -, com sede à margem direita do Preguiças, 42 quilômetros da foz, em terreno arenoso e plano; latitude Sul: 2º 37’50”; longitude W Gr. 42º 45’45”. Distante 166 quilômetros em linha reta da capital; altitude de oito (8) metros na sede municipal. Tem seus limites, ao Norte com o Oceano Atlântico, Praias dos Lençóis e o município de Primeira Cruz; ao Leste com Tutóia e São Bernardo; ao Sul com o município de Santa Quitéria do Maranhão e a Oeste com o de Primeira Cruz (Cardoso, 2001, p. 75).

           A título de conclusão

           Zé Maria, como se vê, Tapuio não é mencionado em nenhum momento, quando se observa a história de Barreirinhas, no período de ocupação do território dos Lençóis. Quando Tapuio foi criado? É preciso verificar entre os moradores mais antigos a partir de quando começou a sua ocupação por brancos e quando se constituiu em povoado reconhecido. Vamos trabalhar nisso? Assim como é necessário resgatar – assinalando os locais – os restos de material de origem indígena – restos de cerâmicas, urnas funerárias, sambaquis, pontas de flecha, etc. que porventura sejam achadas por essa região ... e Laranjeiras? E Cantinho?

 

[1] Período de 09 a 16 de outubro de 2004

[2] Julho de 1999

[3] 2001

[4] ROCHA, Maria das Graças Cantanhêde Silva Rocha. FORMAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICIPIO DE BARREIRINHAS: DA COLONIZAÇÃO AOS DIAS ATUAIS. São Luís : UFMA, 1997. Monografia de graduação em História

[5] LIMA, Carlos de. VIDA, PAIXÃO E MORTE DA CIDADE DE ALCÂNTARA-MARANHÃO. São Luís : SECMA, 1998

[6]  fonte : Brasil História - texto e consulta. autores :Ricardo Maranhão, Antônio Mendes Jr. e Luiz Roncari, texto capturado em 23/10/2004, disponível em http://www.tg3.com.br/colonial/indios.htm

[7] CONCEIÇÃO, Enéas Miranda. FRAGMENTOS SOBRE A HISTÓRIA DE BARREIRINHAS. S.p.

[8] ROCHA, Maria das Graças Cantanhêde Silva Rocha. FORMAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICIPIO DE BARREIRINHAS: DA COLONIZAÇÃO AOS DIAS ATUAIS. São Luís : UFMA, 1997. Monografia de graduação em História

[10] Os tópicos históricos sobre Tutóia, foram extraídos do livro"PANORAMA HISTÓRICO DE TUTÓIA E ARAIOSES", de PAULO OLIVEIRA, São Luis, 1.987). disponível em

http://www.sergioramos.com.br/tutoia/historia/historia-02.htm, texto capturado em 23/10/2004, através do sitio www.talentosbrasil.com.br ).

[11] Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, nº 8, São Luís, 1.985

[12] LIMA, Olavo Correia; AROSO, Olir Corria Lima. PRÉ-HISTÓRIA MARANHENSE. São Luís: Gráfica Escolar, 1989.

[13] Lima e Aroso encontraram restos dessa cerâmica em sambaquis em Tutóia e Turiaçu, assim como machados de pedra polida comum (p. 44)

[14] SOUSA, José Coelho de. OS JESUÍTAS NO MARANHÃO.  São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1977

[16] in Ozias Alves Júnior. “Uma breve história da língua tupi, a língua do tempo que o Brasil era canibal”, texto capturado em 23/10/2004, disponível em http://www.uni-mainz.de/~lustig/guarani/lingua_tupi.htm.

[17] Brasil História - texto e consulta. autores :Ricardo Maranhão, Antônio Mendes Jr. e  Luiz Roncari, texto capturado em 23/10/2004, disponível em http://www.tg3.com.br/colonial/indios.htm).

[18] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ROTEIRO HISTÓRICO-TURÍSTICO PARA OS ALUNOS DE ATLETISMO DO CEFET-MA. São Luís : CEFET-MA/DCS, 2002. (disponível em www.cefet-ma.br/revista, n. 9, v.5, n.2 – jul-dez 2002, disponibilizado em setembro de 2004)

[19]  texto capturado em 23/10/2004, disponível no sítio http://www.rosanevolpatto.trd.br/Tupinambas.htm.

[20] RÖHRIG ASSUNÇÃO, Matthias. A GUERRA DOS BEM-TE-VIS: a Balaiada na memória oral. São Luís: SIOGE, 1988

[22] ROCHA, Maria das Graças Cantanhêde Silva Rocha. FORMAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICIPIO DE BARREIRINHAS: DA COLONIZAÇÃO AOS DIAS ATUAIS. São Luís : UFMA, 1997. Monografia de graduação em História

[23] FEITOSA, Antonio Cordeiro. O MARANHÃO PRIMITIVO: uma primeira tentativa de reconstituição. São Luís : Augusta, 1983

[24] A bacia de Barreirinhas é considerada uma continuidade da bacia de São Luís, e é constituída de fossas tectônicas formadas por sedimentos de diversas eras, originadas e consolidadas em ambiente marinho, como fósseis de animais aquáticos e anfíbios, que existiam no período devoniano, quando mais da metade da superfície do Maranhão estava submersa sob mares rasos e quentes (in FEITOSA, Antonio Cordeiro. O MARANHÃO PRIMITIVO: uma primeira tentativa de reconstituição. São Luís : Augusta, 1983)

[25] Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses: Localização: Município de Barreirinhas, Primeira Cruz e Santo Amaro (MA). Área: 155 mil há. Cenário dominado por dunas e lagoas de água doce. As grandes formações de areia alcançam até 40 metros de altura e são formadas pela ação dos ventos, que sopram constantemente do mar, empurrando a areia trazida p/ o litoral pela força dos grandes rios da região. O avanço continente adentro chega a 50 Km e estende-se por cerca de 70 Km de praias desertas. As imensas lagoas de águas coloridas, formadas pelas chuvas que caem de dezembro a julho, são povoadas por peixes e aves migratórias como o maçarico-rasteirinho e a marreca-de-asa-azul, que visitam o local em busca de alimento. A visita ao parque pode ser feita de duas formas: a mais rápida, a partir de Barreirinhas, é contratar um carro com tração nas 4 rodas p/ chegar as lagoas a oeste da cidade (as mais famosas são a Lagoa Azul e a Lagoa Bonita. Pousadas de Barreirinhas oferecem esse passeio. A outra opção é descer o Rio Preguiças de barco até o povoado de Atins e seguir a pé por 40 min. até as dunas. O transporte pelo Rio pode ser feito por barco de linha (3:30 h de percurso) ou por lancha de aluguél (1 h de percurso). Os mais aventureiros também podem usar o povoado de Atins como ponto de partida para trilhas com destino a Baixa Grande (8 h de caminhada) e Queimada dos Britos (1 dia de caminhada), vilarejos situados dentro da área do parque. (dados capturados em 23/10/2004, do sítio

(http://www.turismo.ma.gov.br/pt/; http://www.webturismo.com/cidades/barreirinhas.shtml)

[26] IBGE. BARREIRINHAS-MA. Rio de Janeiro : IBGE, 1984 (Coleção de Monografias Municipais).

[27] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ROTEIRO HISTÓRICO-TURÍSTICO PARA OS ALUNOS DE ATLETISMO DO CEFET-MA. São Luís : CEFET-MA/DCS, 2002. (disponível em www.cefet-ma.br/revista, n. 9, v.5, n.2 – jul-dez 2002, disponibilizado em setembro de 2004)

[28] SILVEIRA, Simão Estácio da. RELAÇÃO SUMÁRIA DAS COISAS DO MARANHÃO. Rio de Janeiro : Biblioteca Nacional, 1976

BERREDO, Bernardo Pereira de. ANAIS HISTÓRICOS DO ESTADO DO MARANHÃO. Rio de Janeiro :  Tipografia Ideal, 1988.

BARBOSA DE GODOIS, Antonio Baptista. HISTÓRIA DO MARANHÃO. São Luís : Ramos d’Almeida, 1904, vol. 1 e 2

[29] MEILRELES, Mário M. HISTÓRIA DO MARANHÃO. 2 ed. São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1980;

   MEIRELES, Mário M. HISTÓRIA DO MARANHÃO. 3 ed atual. São Paulo:Siciliano, 2001.

[30] CAVALCANTI FILHO, Sebastião Barbosa. A QUESTÃO JESUÍTICA NO MARANHÃO COLONIAL. São  Luís : SIOGE, 1990.

[31] d' ABBEVILLE, Claude. HISTÓRIA DA MISSÃO DOS PADRES CAPUCHINHOS NA ILHA DO MARANHÃO E TERRAS CIRCUNVIZINHAS. Belo Horizonte : Itatiaia; São Paulo : EDUSP, 1975.

[32] CABRAL, Maria do Socorro Coelho. CAMINHOS DO GADO: conquista e ocupação do sul do Maranhão. São Luís : SIOGE, 1992.

[33] ROCHA, Maria das Graças Cantanhêde Silva Rocha. FORMAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICIPIO DE BARREIRINHAS: DA COLONIZAÇÃO AOS DIAS ATUAIS. São Luís : UFMA, 1997. Monografia de graduação em História

[34] SOUSA, José Coelho de. OS JESUÍTAS NO MARANHÃO. São Luís : Fundação Cultural do Maranhão, 1977.

[35] Sobre João Tavares, ver VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. “BREVE DESCRIÇÃO DAS GRANDES RECREAÇÕES DO RIO MUNI DO MARANHÃO, pelo Padre João Tavares, da Companhia de Jesus, Missionário no dito Estado, ano 1724”. São Luís : (inédito).

[36] João Tavares, padre da Companhia de Jesus, é o autor da “Breve descrição das recreações do Rio Muni do Maranhão, pelo João Tavares da Companhia de Jesus missionário, do dito estado. 1724”

[37] RAMOS, Clóvis. ROTEIRO LITERÁRIO DO MARANHÃO – Neoclássicos e Românticos. Niterói : (s.e.), 2001; RAMOS, Clóvis. OS PRIMEIROS JORNAIS DO MARANHÃO – 1821 - 1830. São Luís : SIOGE, 1986;  RAMOS, Clóvis. OPINIÃO PÚBLICA MARANHENSE (1831 a 1861). São Luís : SIOGE, 1992. 

[38] MARQUES, César Augusto. DICIONÁRIO HISTÓRICO – GEOGRÁFICO DA PROVÍNCIA DO MARANHÃO. 3ª ed. São Luís : (s.e.), 1970

[39] CARDOSO, Manoel Frazão. Tutóia. In O MARANHÃO POR DENTRO. São Luís : Lithograf, 2001, p. 572-582.

[40] SIMONSEN, Roberto. HISTÓERIA ECONÔMICA DO BRASIL – 1500/1820. São Paulo: Cia Editora nacional, 1996

[41] CARDOSO, Manoel Frazão. O MARANHÃO POR DENTRO. São Luís : Lithograf, 2001.

[42] Antonio Pereira, em entrevista sobre o município de Barreirinhas, concedida a ROCHA, Maria das Graças Cantanhêde Silva Rocha. FORMAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICIPIO DE BARREIRINHAS: DA COLONIZAÇÃO AOS DIAS ATUAIS. São Luís : UFMA, 1997; junho de 1997, p. 33

[43] COELHO NETO, Eloy. GEO-HISTÓRIA DO MARANHÃO. São Luís: SIOGE, 1985, p. 134.

[44] MARQUES, César Augusto. DICIONÁRIO HISTÓRICO – GEOGRÁFICO DA PROVÍNCIA DO MARANHÃO. 3ª ed. São Luís : (s.e.), 1970 , p. 108;

   ROCHA, Maria das Graças Cantanhêde Silva Rocha. FORMAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICIPIO DE BARREIRINHAS: DA COLONIZAÇÃO AOS DIAS ATUAIS. São Luís : UFMA, 1997. Monografia de graduação em História, p. 37

   CARDOSO, Manoel Frazão. Barreirinhas. In O MARANHÃO POR DENTRO. São Luís : Lithograf, 2001, p. 73-75.

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