Aptidão Física, Nível de Atividade Física e Qualidade de Vida de Policiais Militares em Início de Carreira : Um Estudo Longitudinal

Por: Wélere Gomes Barbosa Silveira.

115 páginas. 2017 19/09/2017

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Resumo

O serviço policial caracteriza-se por ser inerentemente arriscado e associado a elevadas exigências físicas e psicológicas, o que representa aumento no risco global e cardiovascular. O objetivo deste estudo foi avaliar a aptidão física, o nível de atividade física, a qualidade de vida e fatores associados, em policiais militares de um estado da Região Norte do Brasil, durante o curso de formação e no período inicial da carreira profissional. A pesquisa teve duas fases longitudinais de análise, sendo uma de mais curto prazo (6 meses - durante o curso de formação, que compreendia 3 sessões semanais obrigatórias de exercício físico vigoroso) e outra mais longa (2 anos e 7 meses - fase de início de carreira). A amostra da primeira fase foi composta por 219 candidatos a policiais militares, do sexo masculino, com idade entre 18 e 32 anos e IMC de 24,4±2,5 kg/m2 . A segunda etapa contou com 70 policiais participantes da fase anterior e que foram acompanhados nos seus dois anos e sete meses iniciais da carreira militar. A primeira fase de acompanhamento compreendeu as análises do teste de corrida de 12 minutos (teste de Cooper), para avaliar a aptidão cardiorrespiratória (ACR), os testes de flexão abdominal, flexão de braço em barra fixa e flexão de braço no solo, para avaliação de força e resistência musculares, além do IMC como indicador de composição corporal, com avaliações no início e no final da qualificação profissional. A avaliação inicial da segunda fase (início de carreira) coincidiu com o final do curso de formação e contou com indicadores sociodemográficos e avaliações da flexibilidade (teste sentar e alcançar), da qualidade de vida (QV, por meio do questionário WHOQOL) e da composição corporal por meio de medidas antropométrica de massa corporal, estatura, circunferências de cintura e percentual de gordura (Pollock com 3 dobras), além da pressão arterial de repouso. Após 2 anos e 7 meses as mesmas variáveis medidas no início da carreira foram reavaliadas, acrescidas do nível de atividade física por meio do IPAQ, da avaliação do tempo sentado por questionário e da estimativa de ACR sem a de realização de exercícios físicos (Questionário de Jackson et al, 1990). Devido à normalidade dos dados (teste de Shapiro-Wilk), empregou-se teste t-Student pareado para comparações longitudinais, teste t-Student para amostras independentes, bem como o teste qui-quadrado e a correlação de Pearson para as associações entre as variáveis, conforme cada caso, sempre ao nível de 5%. Ao final do curso todos os voluntários eram fisicamente ativos e se observou aumento significativo em todos os componentes da aptidão física avaliados (p<0,001), com incremento médio de 46% nos 4 testes físicos. Não houve associação entre o IMC e os componentes de aptidão física (r <0,08; p> 0,22). A idade foi correlacionada positivamente com o IMC (r = 0,25; p <0,001). Ao final do curso de formação os valores de QV mostraram-se baixos, variarando entre 55,5 e 73,6 nos 4 domínios do WHOQOL. Na análise de longo prazo, observou-se que após 2 anos e 7 meses de carreira policial houve diminuição de 34% no percentual de policiais ativos. Observou-se ainda redução de 7,11 ± 8,33cm (21,4±15,4.%) na flexibilidade e aumento do IMC em 0,80 ± 1,8 kg/m2 (2,9 ± 6,72%), de 5,14 ± 4,01 (55,7 ± 54,19 %) no percentual de gordura, de 5,48 ± 12,5 mmHg (5,4 ± 11,4%) na PA sistólica e de 5,85 ± 9,08 mmHg (8,8 ± 13,9%) na diastólica (p<0,01). Houve ainda aumento de 7% na proporção de militares obesos e um total de 60% que declararam permanecer sentados mais da metade do dia. Após dois anos e sete meses observou-se variação significativa da QV, com média de aumento de 17,5% em todos os domínios do WHOQOL (p<0,01) a exceção do domínio psicológico (p=0,17). Conclui-se que o curso de formação inicial para ingresso na carreira foi eficaz para promover aumento da ACR, da força e resistência musculares em recrutas previamente bem condicionados. Entretanto, após pouco tempo de exercício profissional (2 anos e 7 meses) houve significativo prejuízo em todos os indicadores de composição corporal, da flexibilidade, aumento na proporção de obesos e redução na proporção de policiais fisicamente ativos. Quanto à QV, o aumento observado no início da carreira comparativamente ao final do curso de formação reforça a interpretação de que os baixos valores registrados na avaliação inicial tenham relação com a elevada sobrecarga física e psicológica a que os alunos são submetidos durante a formação policial prévia ao ingresso na carreira. Nossos dados suportam a recomendação de incluir o treinamento físico nos cursos de formação para policiais, assim como o de implementação de estratégias de promoção da saúde com foco na adequada composição corporal, na prevenção da obesidade e do excesso de tempo na posição sentada. Os dados sugerem ainda que a inclusão de avaliações anuais obrigatórias da aptidão física e a introdução de treinamento físico sistemático para esses profissionais, ao longo de suas carreiras, possam contribuir para o desenvolvimento e/ou manutenção de bons indicadores de saúde e desempenho profissional.

Endereço: http://googleweblight.com/?lite_url=http://repositorio.unb.br/handle/10482/24569&lc=pt-BR&s=1&m=638&host=www.google.com.br&ts=1513259751&sig=AOyes_QDGdf51UAaYnaN4sO8c9cbwZ7c6Q

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