As Artes Marciais Chinesas e o Wushu Moderno: da Ascese Marcial Ao Novo Corpo Chinês

Por: C. J. Martins e S. C. Junior.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

Este estudo tem por objetivo, analisar e relacionar o processo de reconfiguração da prática do Wushu, ocidentalmente conhecido por Kung-Fu, situando-o como arte marcial componente da cultura da China tardia e, mais especificamente, após a emergência do Comunismo em 1949; circunscrevendo o surgimento do "Wushu moderno" e suas implicações na construção da China moderna. Esta análise se fará atentando para as transformações na civilização chinesa, especialmente pós-revolução Maoísta e as rupturas entre tradicional e moderno, fato que atrelou outros sentidos à palavra "arte", dentro da expressão "arte marcial". Este processo fez parte da estratégia biopolítica utilizada por Mao Tsé Tung para recuperar a fragilizada saúde da população chinesa. Neste sentido, reconfigurou esta prática corporal incluindo-a em perspectivas higienistas para o "reflorescimento" da saúde da China em vias de modernização. Tal fato foi concretizado no contexto da construção de uma nova identidade do povo chinês e, para tanto, foi imprescindível forjar um novo corpo. Circunscrito em um período histórico de revolução, o Wushu moderno permeia exatamente um momento em que a China começa a conviver com o tardio e o moderno juntos. Neste contexto, entre o velho e o novo, o Wushu moderno revela-se como um instrumento híbrido da educação física chinesa moderna pelo governo comunista de Mao Tsé Tung. Uma nova tecnologia vista por ele como necessária na substituição dos corpos fracos, doentios, degenerados e desordenados, por novos corpos fortes, saudáveis, regenerados e condicionados na ordem de um poder disciplinador. A composição de nosso referencial teórico se completará com as categorias forjadas para o estudo do corpo em suas implicações com a dinâmica do poder e da política. Em um campo mais amplo estamos atentos aos modos como este corpo se constitui numa sociedade onde uma arte marcial, o Wushu, é tido como uma prática corporal que acompanhou significativas mudanças históricas de um país. Além disso, sofreu as influências dessas mudanças. Dessa forma, mais que buscar a origem de algo, queremos acompanhar os desdobramentos históricos, não através da busca pura e simples da gênese, mas das rupturas, das nuances presentes nestes processos. A reconfiguração desta prática que se consuma contemporaneamente, enquanto técnica padronizada, regrada, constituída, sobretudo, como esporte se estendeu pelos quatro continentes, tornando-se parte dos jogos olímpicos de 2008 em Pequim, no próprio país de origem.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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