As Horas de Folga: Como Melhor Aproveitá-las?: o Departamento Social na Educação do Corpo nas Associações Cristãs de Moços (1893-1929)

Por: Anderson da Cunha Baia e Luíza Stephanie Tavares.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

A Associação Cristã de Moços (ACM) surgiu na Inglaterra, em meados do século XIX, por iniciativa de George Williams e rapidamente expandiu-se. A implantação da ACM no Brasil data de 1893, com um projeto de formação de Myron Clark. Para dar conta desse projeto formador, a ACM apresentava um conjunto de departamentos/comissões, nas quais eram pensadas ações destinadas aos associados. Em Baia (2012), encontramos o estudo das dimensões Intelectual, Moral-religiosa e Física que compunham o projeto formador da instituição. Contudo, o autor indica no desfecho do trabalho a necessidade de uma pesquisa que almejasse compreender a Dimensão Social dentro desse projeto formador. Esse estudo surge como forma de suprir essa lacuna. Assim, temos como propósito compreender como as ações vinculadas ao Departamento Social contribuíam na educação do corpo dos acmistas, no período de 1893 a 1929. Para realização desta pesquisa, utilizamos fontes documentais (panfletos, cartilhas, relatórios, atas, estatutos e o periódico Mocidade) encontradas na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro; na Federação Brasileira das ACM’s, em São Paulo; no Centro de Memória do Esporte, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em um primeiro momento foram realizadas análises dos diversos documentos, em constante cotejo com a literatura da área.  Como resultados, encontramos as ACM’s ofertando diferentes ações a partir de seu Departamento Social, tais como concertos, sessões literárias, sessões de Lanterna Mágica, passeios campestres, jogos e passatempos. Essas ações estavam diretamente alinhadas a um propósito formador. Para tanto, essas ações tratavam de temas considerados relevantes para a instituição, como a “Regeneração nacional pelo indivíduo”, “Vida social”, “Qual será meu futuro”, “Bom emprego para um jovem ambicioso”; enfim, todas essas cartilhas direcionadas para a conformação de um sujeito que deveria andar em boas companhias, livres de vícios e dos jogos “ilícitos” que a sociedade disponibilizava em diferentes espaços da cidade (HERSCHMANN e LERNER, 1993). A Associação acreditava que as horas de maior perigo para a mocidade era entre o anoitecer e o amanhecer, por isso a instituição, por meio do Departamento Social, organizava ações que ocorressem no tempo livre dos associados, de modo que eles pudessem sair do trabalho e buscar diversões “lícitas”. Nesse sentido, os jogos estavam presentes na associação, porém eram incentivados aqueles considerados “lícitos”, ou seja, que não havia a possibilidade de apostas e não dependiam exclusivamente da sorte. Por fim, encontramos prescrições para uma educação do corpo que deveria ser enquadrada a partir de uma visão acmista, tendo a convivência social um peso relevante na formação do associado, que juntamente com o físico, o intelectual e o moral constituíam o projeto formador da instituição.

Referências

BAIA, Anderson da Cunha. Associação Cristã de Moços no Brasil: um projeto de formação moral, intelectual e física (1890-1929). 2012. 214f. Tese (Doutorado em Educação). Belo Horizonte: Faculdade de Educação, UFMG, 2012.

HERSCHMANN, Michael; LERNER, Kátia. Lance de Sorte: o futebol e o jogo do Bicho na Belle Époque carioca. Rio de Janeiro: Diadorim, 1993.

ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS. Qual será o meu futuro? Rio de Janeiro, 1910.

__________. Porque?. Rio de Janeiro, 1919.

CLARK, Myron. Em prol da Mocidade: instruções sobre os trabalhos das Associações Cristãs de Moços. Rio de Janeiro: Casa editora presbiteriana, 1903.

Fonte de financiamento: Esse trabalho recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

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