As Perspectivas de Adoção do Licenciamento de Marcas Como Forma de Captação de Recursos nos Clubes de Futebol do Brasil

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Sobre a Obra

Introdução
O presente trabalho tem como foco a crise financeira crônica vivida pelos clubes de futebol do Brasil e a necessidade de diversificação de suas receitas. Assim, o objeto desse estudo tem como foco o potencial de adoção do licenciamento de marcas com gerador de recursos econômicos nessas agremiações. Nesse caso, licenciamento de marcas se constitui como um processo que ocorre quando o clube cede o direito de exploração de sua marca a uma empresa, recebendo royalties por isso, ou seja, uma porcentagem sobre os lucros das vendas dos produtos.

Nos clubes europeus, essa fonte de receita é utilizada há bastante tempo com significativo êxito. No Brasil, essa forma de geração de recursos ainda não é explorada de forma ampla e, acredita-se, poderia ser uma alternativa a uma situação econômica deficitária vivida pelas agremiações, pois os recursos provêm principalmente da televisão, por meio de patrocínio, bilheteria e venda de jogadores. Na prática, a receita gerada por esses meios, na maioria dos casos, não é suficiente para manter as despesas do clube. Por conta disso, a maioria recorre a empréstimos bancários.No que diz respeito à arrecadação, os clubes europeus são aqueles que apresentam as
maiores cifras no mercado do futebol. Para se ter uma idéia da diferença de valores, de acordo com um relatório da Casual Auditores de 2005, no ano de 2004, os 10 principais clubes de futebol do Brasil geraram uma receita de US$ 233,5 milhões. O mesmo relatório apresenta os rendimentos dos 10 maiores clubes da Europa, que foram de US$ 1,8 bilhão.

A lucratividade apresentada pelos clubes do velho continente, no entanto, revela o potencial que o futebol brasileiro pode atingir, podendo vir a ser um negócio bastante lucrativo.

Ouros dados referentes ao mercado global apontam nessa direção. Em 1998, o futebol era o esporte que recebia a maior quantidade de verbas, com um aporte de US$ 917 milhões, seguido pelas Olimpíadas (Viana, 2000). De acordo com o mesmo autor, a Copa do Mundo também lidera os eventos esportivos e as maiores audiências da televisão.

Para se ter uma idéia, a Copa do Mundo de 1998 na França gerou um impacto econômico estimado de US$ 30 bilhões de gastos no evento, com um público de 37 bilhões de pessoas (aqui se considera o número total de público nos estádios e a audiência global do evento, não fazendo distinção da quantidade de jogos que uma mesma pessoa assistira, o conceito de audiência acumulada). Outro número do evento foi o contrato negociado pela Coca-Cola para continuar sendo uma das patrocinadoras oficiais nas próximas duas Copas, no valor de US$ 80 milhões (Viana, 2000).A televisão é uma das responsáveis pela recente "espetacularização" do esporte. Dessa forma, financia ligas, ajuda a criar ídolos que vendem todo tipo de produto relacionado e rende altíssimas audiências às redes de televisão, que, por sua vez, pagam altas cifras por tudo isso.Usando o mesmo conceito de audiência acumulada, a Copa de 2002 resultou num total de 30 bilhões de telespectadores. O Mundial disputado no Japão e Coréia do Sul se revelou um grande negócio para a FIFA: a entidade mais poderosa do futebol recebeu aproximadamente US$ 1,7 bilhões referentes à venda dos direitos televisivos da transmissão do mundial. Em termos de licenciamentos, o lucro foi de US$ 1,5 bilhões. Mascotes, bolas e produtos associados com a imagem da Copa formaram a base do licenciamento do mundial (GURGEL, 2006).No Brasil, os números não são tão consideráveis. Segundo Beting e Calipo (2007), o Campeonato Paulista de futebol, o principal campeonato estadual do país, pertence à TV Globo até 2010 pelo valor de R$ 20 milhões. No caso do Campeonato Brasileiro, os direitos de transmissão também pertencem à emissora carioca até o final de 2007 por cerca de R$ 300 milhões.Além disso, Leoncini e Silva (2005) citando os dados do relatório final do Plano de Modernização do Futebol Brasileiro (2000) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontam o futebol como sendo uma atividade com grande capacidade de gerar empregos, contabilizando 300 mil empregos diretos; 30 milhões de praticantes, formais e não formais; 580 mil participantes em 13 mil times que fazem parte dos jogos organizados (esporte formal); 580 estádios com capacidade para abrigar mais de 5,5 milhões de pessoas e cerca de 500 clubes profissionais que disputam em média, 90 partidas por ano.

O mesmo relatório aponta uma movimentação financeira da ordem de US$ 250 bilhões de dólares anuais, sendo o Brasil responsável por menos de 1% desse total Leoncini e Silva (2005). Isso evidencia como o futebol nacional aproveita pouco o seu mercado, mas também mostra um enorme potencial de crescimento.Esse panorama já era conhecido antes do relatório. Dados referentes a uma pesquisa do IBGE, levando-se em consideração os anos de 1985, 1990 e 1995 da Confederação Brasileira Volley-Ball (1999), apontavam o Brasil como sendo o quinto maior mercado mundial de esportes, pelo critério de população economicamente ativa (PEA,) que leva em consideração a população acima dos 10 anos que possui um tipo de renda e potencial para consumir produtos variados.

A recente parceria entre São Paulo Futebol Clube e Warner para licenciamentos de produtos com a marca do SPFC mostra que essa experiência pode ser o passo inicial para que os clubes percebam que existem fontes de receitas lucrativas e rentáveis além das atualmente adotadas. Segundo Calipo (2007), com essa parceria, o tricolor do Morumbi tenta aumentar

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