Aspectos Sociais e Psicológicos Que Influenciam o Estresse de árbitros de Futebol Society

Por: Lucas Oliveira, Luiz Henrique Maciel, Nara Edreira e Otávio Costa.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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Resumo

1 INTRODUÇÃO
O futebol society é um esporte relacionado com a prática do futebol de campo. Cada dia que passa mais pessoas estão aderindo à modalidade ao invés do próprio futebol tradicional e até mesmo o futsal, tendo em vista mudanças nos ambientes fechados de quadras poliesportivas. Como em todo esporte é necessária a presença de figuras para mediar o andamento do jogo, garantindo a integridade dos jogadores e o cumprimento de regras, inclusive do Fair Play (jogo limpo). Porém essas figuras conhecidas como árbitros são seres humanos suscetíveis a sentimentos como: estresses, alegrias, estados de animo e depressões. Segundo Balaguer (2002) “Situações como as enfrentadas pelos árbitros faz com que eles estejam sujeitos a cometer erros, que acabam alterando o resultado final das partidas, necessitando de uma preparação de alto nível a fim de evita-los”. Assim o estudo teve como objetivo analisar os fatores que causaram estresses aos árbitros que atuam na Federação de Futebol Society de Minas Gerais, analisando os diferentes impactos entre grupos de árbitros experientes e inexperientes. 

2 METODOLOGIA 
A amostra do estudo foi feita com 30 árbitros de futebol society, (96,7% masculino e 3,3% feminino), com idade média de 30,70±9,14 anos e tempo médio de experiência na arbitragem de 5,80±5,07 atuantes pela Federação de Futebol Society de Minas Gerais (FFSMG). Os árbitros foram divididos em dois grupos, sendo G1 (grupo de árbitros não experientes) e G2 (grupo de árbitros experientes) levando em consideração, Segundo Moraes, Durand-bush e Salmela et al (1999) “trabalhos internacionais que classificam o nível de experiência para diferenciar indivíduos experientes ou não em determinada atividade” 
O instrumento utilizado foi o questionário TEPA (Teste de Estresse Para Árbitros dos Jogos Esportivos Coletivos), desenvolvido por Silva (2004), o qual é formado por 69 questões divididas em três dimensões (biológico, psicológica e social). As questões foram divididas em quatro perguntas sobre estresse biológico, 24 perguntas sobre o estresse psicológico e 40 perguntas sobre estresse social. As questões são avaliadas por uma escala do tipo Likert, na qual (0) Nada, (1) Pouquíssimo, (2) Pouco), (3) Muito e (4) Demais. O questionário foi aplicado na sede da Federação de Futebol Society de Minas Gerais. 
Para a análise estatística das variáveis obtidas foram utilizadas da estatística descritiva dos dados (média, desvio padrão e distribuição de frequência), o teste de Mann & Whitney comprova diferenças existentes entre os dois grupos (árbitros mais experientes e menos experientes). E o teste de consistência interna Reliability Test que através do índice de confiabilidade Alpha de Cronbach possibilita avaliar a confiabilidade interna do instrumento na amostra. A análise dos dados foi feita através do pacote estatístico SPSS® 12.0 for Windows®.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Com relação aos árbitros analisado nota-se a média geral de idade 30,70±9,14 anos, o grupo um tem uma média de idade de 27,65±7,20 anos e o grupo dois tem uma média de idade 40,71±7,80 anos. Com relação ao tempo de experiência dos árbitros, no geral o tempo de experiência é de 5,80±5,07anos sendo que no grupo um a média do tempo de experiência é de 3,35±1,82 anos e no grupo dois é de 13,86±3,39 anos.
Analisando a média geral de idade e o tempo de experiência pesquisado entre os árbitros participantes, o G1 era composto por árbitros mais jovens que possivelmente acabaram de ingressar na área; consequentemente, com uma menor quantidade de anos de experiência. Para o grupo de árbitros sem experiência o fator “violência na arquibancada” foi o que mais gerou estresse, dado que comprova que a inexperiência pode ser fator na hora de sofrer estresses sociais. O G2 apresentou árbitros que estão mais tempo na área, com maior média de idade e mais tempo de experiência, sendo os fatores mais estressantes “não cumprimento do regulamento/ regras” e “ter que esperar por alguém”, ambos estresses psicológicos. Evidenciando que para árbitros mais experientes o próprio psicológico deles é que alterará seu estresse e não a pressão social da torcida.
O resultado geral do questionário deixou evidente que os motivos mais estressantes para os árbitros foram “não cumprimento do regulamento/ regras”, “ter que esperar por alguém” e “violência na arquibancada”. 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados demonstram que a idade e o tempo de experiência influenciaram os tipos de estresses que os árbitros apresentam durante uma partida. Apenas três variáveis foram consideradas como fatores que causaram estresse, sendo duas situações mais agravantes nos árbitros mais experientes dentro da dimensão psicológica sendo estas: “não cumprimento do regulamento/ regras” e “ter que esperar por alguém” , quanto aos árbitros menos experientes o fator mais agravantes relacionado ao estresse, dentro da dimensão social, foi “violência na arquibancada”. Novos estudos para melhorar a preparação desses árbitros poderão ser desenvolvidos, visando uma diminuição de erros durante as partidas de futebol decorrente de estresses da mesma.



5 REFERÊNCIAS
SILVA, S.A., Construção e validação de um instrumento para medir o nível de estresse dos árbitros dos jogos esportivos coletivos. Belo Horizonte, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade de Minas Gerais (Mestrado), 2004.
BALAGUER, I. La preparación psicológica en el tenis. In Dosil, J. (Ed.), El psicólogo Del deporte. Asesoramiento e intervención. Madrid: Editora Síntesis, 2002. p. 239-276.
MORAES, L.; DURAND-BUSH, N.; SALMELA, J. Modelos de desenvolvimento de talentos. Apud: Indesp (Org) Novos conceitos em treinamento esportivo CENESP-UFMG. Brasilia: Indesp, 1999. Cap.8, p. 171-190
PARTINGTON, J. Making music. Ottawa: Carleton University Press, 1995
ERICSSON, K. A.; CHARNESS, N. Expert performance. American Psychologist, n.49, p. 725-744, 1994
CÔTE, J.; SALMELA, J.; TRUDEL, P.; BARIA, A.; RUSSEL, L. The coaching Model: a grounded Assessment of Expert Coaches’ Knowledge. Journal of Sport & Exercise Psychology, n.17, v.1, p.1-17, 1995.
CSIKZENTMIHALYI, M.; RATHUNDE, K.; WHALEN, S. Talented teenagens: The roots of success & failure. Toronto: Cambridge University Press, 1993

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