Associação Cristã de Moços no Brasil: Um Projeto de Formação Moral, Intelectual e Física (1890-1929)

Por: Anderson da Cunha Baia.

214 páginas. 2012 27/02/2012

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Resumo

Este estudo aborda o projeto de formação das Associações Cristãs de Moços (ACMs) no Brasil, a partir do investimento institucional na formação física, intelectual e moral-religiosa do associado. A primeira sede da Associação surgiu na Inglaterra, em 1844, por iniciativa deGeorge Willians. Em poucos anos, foi possível perceber várias sedes espalhadas por diversas regiões da Europa e da América do Norte. No Brasil, a cidade do Rio de Janeiro foi pioneira em receber uma ACM, em 1893, implantada pelo missionário norte-americano Myron Augusto Clark. No início do século XX, foram percebidas diversas tentativas de criação de sedes em diferentes regiões do país, no entanto apenas três consolidaram-se: Rio de Janeiro (1893), Porto Alegre (1901) e São Paulo (1902). Apesar das três sedes, a presença de Myron Clark na ACM carioca permitiu que ela fosse caracterizada como sendo uma caixa deressonância, a partir da qual emanavam saberes e práticas que deveriam conduzir o projeto formativo das outras sedes. Dessa atuação do missionário no Brasil, a partir do que aqui ele encontrou e de sua experiência na Young Men's Christian Association (YMCA), nos EstadosUnidos, tomei como propósito central compreender como se constituiu o projeto formador das Associações Cristãs de Moços no Brasil, em um período circunscrito entre o início da década de 1890 e anos finais da década de 1920. As fontes mobilizadas para esta pesquisa foramprioritariamente: revistas, jornais e documentos institucionais panfletos, cartilhas, estatutos, atas , muitas das quais ainda não haviam sido tratadas em estudos relativos à História da Educação e História da Educação Física. Neste estudo, identifiquei que o eixo principal do projeto acmista no Brasil foi a formação moral-religiosa, centrado no cristianismo de doutrina protestante. Apesar de ser uma instituição que apresentava o ecumenismo no discurso, tratava-se de uma Associação com estrutura administrativa conduzida estritamente por sócios evangélicos, que, como estratégia de conversão, estava aberta a sujeitos de qualquer crença religiosa. Se a religião deveria constituir o princípio de um projeto acmista, esse não era necessariamente o único. Os investimentos na formação intelectual intensificaram-se nas duas primeiras décadas do século XX. As ações ofertadas pelas ACMs, em prol da alfabetização e da preparação dos associados para atuarem no comércio ou ingressarem em um cursosecundário ou superior, além de contribuírem para esses fins específicos, constituíram-se em estratégias de incorporação do associado ao projeto acmista. Projeto que contava, ainda, coma formação física. Trabalhar o corpo a partir do exercício físico bem orientado era indicativo: de promoção da saúde; de criação de hábitos higiênicos; de formação moral; de conformação de corpos, eficientes, fortes, preparados para o trabalho; e, ainda, de desenvolvimento dointelecto. Assim, a ginástica e o esporte, com diferentes ênfases em determinados períodos, foram requisitados como práticas que poderiam materializar os propósitos desse tipo de formação. O intelecto, o físico e a moral/religião foram elementos centrais na construção do projeto acmista, o qual, se inicialmente foi pensado a partir dos saberes e práticas trazidos por Myron Clark ao entrar em contato com a dinâmica cultural brasileira com todos os seus condicionantes religiosos, políticos, econômicos, educacionais , transformou-se em outroprojeto, redesenhado e adaptado a partir das disputas travadas entre os diferentes sujeitos envolvidos.

Endereço: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUOS-8SLGZT

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