Atividade Fisica e Neuroproteção em Camundongos Adultos Após Indução de Status Epilepticus Por Pilocarpina

Por: Cesar Renato Sartori.

76 páginas. 2005 21/06/2005

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Resumo

O modelo de epilepsia induzida por pilocarpina em camundongos reproduz a Epilepsia do Lobo Temporal (ELT) em humanos. Animais submetidos à indução de status epilepticus apresentam alterações comportamentais, eletroencefalográficas e lesão neuronal compatíveis com esta condição. Estudos recentes relatam relevantes efeitos positivos da prática de atividade física sobre o sistema nervoso tanto em humanos como em modelos animais. Dentre estes efeitos figuram o aumento da sobrevivência neuronal e da resistência cerebral a diferentes insultos, promoção da angiogênese, estímulo da neurogênese, fortalecimento da potenciação de longa duração no hipocampo, melhora da aprendizagem e memória e contribuição para a manutenção da função cognitiva durante o envelhecimento. Todos estes efeitos conferem à atividade física um grande potencial neuroprotetor. Além disso, foram relatados benefícios decorrentes desta intervenção ambiental diretamente em pacientes com epilepsia e em animais submetidos à epilepsia induzida. Contudo, não há dados na literatura sobre o possível efeito neuroprotetor da atividade física no modelo de epilepsia induzida por pilocarpina em camundongos. Assim sendo, o presente estudo teve por objetivo investigar os efeitos da atividade física voluntária crônica sobre a perda neuronal no hipocampo e suas conseqüências na função mnemônica de camundongos submetidos a este modelo experimental. Trinta e dois camundongos Swiss foram divididos em quatro grupos experimentais (n=8): Saudável Sedentário (SS), Saudável Corredor (SC), Epiléptico Sedentário (ES) e Epiléptico Corredor (EC). Quarenta e oito horas após a indução do status epilepticus, ou sua simulação, foi proporcionado aos animais dos grupos corredores (SC e EC) o acesso a uma roda de atividade instalada em suas respectivas gaiolas por um período de 28 dias. Após este período os animais foram testados no labirinto aquático de Morris para avaliação da memória de referência espacial. Ao final dos testes os animais foram perfundidos com paraformaldeído (4% em tampão fosfato) e os cérebros removidos e processados para inclusão em parafina. Foram então obtidos cortes frontais do cérebro (8?m) para avaliação da extensão da lesão tecidual (coloração de Nissl), da presença de neurônios em degeneração (Fluoro Jade B) e da proliferação celular (PCNA) na formação hipocampal dorsal. Os animais dos grupos SS e SC não apresentaram lesão neuronal ou neurodegeneração, como esperado; também não diferiram entre si na proliferação celular e no teste de memória de um modo geral. Os animais dos grupos ES e EC apresentaram lesão neuronal e neurodegeneração, não sendo constatadas diferenças entre sedentários e corredores. Por outro lado, os animais ES revelaram maior proliferação celular comparados aos EC. Os animais do grupo EC apresentaram desempenho significativamente melhor nos testes de memória quando comparados aos animais ES. Assim, nossos dados revelaram que, a despeito de não ter ocorrido proteção contra lesão histológica, a atividade física melhorou significantemente o desempenho dos animais submetidos ao status epilepticus no teste do labirinto aquático de Morris, indicando que mesmo após lesão neurológica a atividade física promove melhora funcional. Acreditamos que tal melhora pode ser atribuída a mecanismos moleculares relacionados à plasticidade neuronal, que não foram identificados pelas técnicas utilizadas no presente estudo. 

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000363723&opt=3

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